Publicado em: 15/04/2026 às 14:00hs
Mesmo conhecida há décadas, a adenite equina, popularmente chamada de garrotilho, continua sendo um dos principais desafios sanitários da equideocultura brasileira. O alto poder de transmissão da doença e a presença de portadores assintomáticos dificultam o controle e afetam diretamente o desempenho e o bem-estar dos animais.
Em um cenário em que o Brasil possui cerca de 6 milhões de equinos, a sanidade respiratória é fundamental para garantir produtividade e previsibilidade no manejo.
Causado pela bactéria Streptococcus equi, o garrotilho apresenta elevada transmissibilidade, podendo atingir rapidamente grande parte dos animais suscetíveis. Em populações não imunizadas, a taxa de morbidade pode se aproximar de 100%, favorecendo surtos em ambientes coletivos.
Sintomas afetam desempenho e recuperação dos animais
Em muitos casos, há formação de abscessos e comprometimento das vias respiratórias, o que interfere diretamente na alimentação, recuperação e desempenho físico dos equinos.
Embora os sintomas sejam conhecidos, o comportamento epidemiológico da doença ainda representa um desafio. Estudos realizados no Brasil indicam a presença do agente mesmo em animais sem sinais clínicos.
Pesquisas apontam prevalência em torno de 2% a 2,4% dos equinos, com presença significativa nas propriedades avaliadas. Em muitos casos, os animais positivos não apresentavam sintomas no momento da análise.
Esse cenário evidencia o papel dos portadores assintomáticos, que podem continuar abrigando a bactéria, especialmente nas bolsas guturais, tornando-se fonte de infecção e contribuindo para a persistência da doença.
A disseminação do garrotilho está diretamente ligada ao:
Locais como eventos, leilões e competições aumentam significativamente o risco. Além disso, práticas como quarentena de novos animais e isolamento de suspeitos ainda não são adotadas de forma consistente em muitas propriedades.
Segundo a médica-veterinária e coordenadora técnica de equinos da Ceva Saúde Animal, Camila Senna, os impactos vão além do quadro clínico:
“O garrotilho interfere diretamente no desempenho, pois o animal reduz o consumo de alimentos, perde condição corporal e demora mais para retomar o ritmo. Isso afeta tanto a produção quanto o desempenho esportivo.”
O controle da doença depende de uma abordagem integrada, baseada em:
A vacinação também é apontada como ferramenta importante para reduzir a incidência e a gravidade dos casos, especialmente em ambientes de maior risco.
Com a crescente profissionalização da equideocultura, a sanidade animal se torna um fator decisivo para a sustentabilidade da atividade.
Mesmo sendo uma enfermidade conhecida, o garrotilho continua gerando prejuízos quando não é controlado de forma eficiente. A adoção consistente de medidas de biossegurança, aliada a programas de imunização, é essencial para preservar a saúde dos equinos e garantir o desempenho produtivo e esportivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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