El Niño forte aumenta alerta sanitário na pecuária brasileira e exige reforço na biossegurança dos rebanhos
Previsão de clima extremo com excesso de chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste amplia riscos de doenças, reduz desempenho animal e exige novos protocolos de prevenção nas fazendas.
Publicado em: 17/07/2026 às 07:00hs
A pecuária brasileira entra no segundo semestre de 2026 em estado de atenção diante da possibilidade de um El Niño de intensidade forte a muito forte, cenário que pode aumentar os desafios sanitários nos sistemas de produção de carne e leite.
Uma nota técnica conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indica probabilidade superior a 95% de manutenção do fenômeno até o fim de 2026, com possibilidade de influência também no início de 2027.
A previsão coloca a biossegurança animal no centro das estratégias das propriedades rurais, já que alterações extremas no clima modificam o ambiente das fazendas e aumentam a vulnerabilidade dos rebanhos a doenças.
Clima extremo altera riscos sanitários dentro das propriedades
O comportamento do clima interfere diretamente nas condições de manejo e no equilíbrio sanitário dos animais.
Em regiões com excesso de chuvas, o acúmulo de umidade, lama e água parada favorece a sobrevivência de vírus, bactérias e fungos, aumentando o risco de enfermidades respiratórias, problemas de casco e outras infecções.
Já em áreas afetadas pela seca, a redução da disponibilidade de pastagens compromete a nutrição dos animais e aumenta o estresse térmico, fatores que podem reduzir a imunidade e abrir espaço para doenças oportunistas.
“O clima interfere diretamente na capacidade de controlar riscos sanitários. Quando o ambiente favorece a sobrevivência e a disseminação de patógenos, qualquer falha operacional pode gerar consequências maiores. Nesse cenário, a prevenção passa a ser uma estratégia de continuidade do negócio”, afirma Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta.
Sul enfrenta excesso de umidade e maior pressão sobre manejo
Na região Sul, a preocupação está relacionada principalmente ao excesso de chuvas e à dificuldade de manter ambientes adequados para os animais.
Currais, corredores e áreas de circulação podem permanecer úmidos por longos períodos, dificultando processos de limpeza e desinfecção.
Em sistemas intensivos, como confinamentos, esse cenário aumenta a pressão sobre a saúde dos animais, favorecendo problemas respiratórios e doenças relacionadas ao ambiente úmido.
A manutenção de protocolos rigorosos de higiene torna-se essencial para reduzir a circulação de agentes infecciosos.
Seca no Norte e Nordeste aumenta estresse sobre os rebanhos
Nas regiões Norte e Nordeste, o desafio ocorre em sentido oposto.
A irregularidade das chuvas e períodos prolongados de estiagem reduzem a oferta de pasto e água, elevando o estresse nutricional e térmico dos animais.
Com menor capacidade de resposta imunológica, os bovinos ficam mais suscetíveis a infecções e apresentam queda de desempenho produtivo.
Além disso, a busca por recursos hídricos pode aumentar a movimentação dos animais entre áreas, elevando o risco de contaminação entre diferentes lotes e propriedades.
Transporte de animais e veículos entram no radar da biossegurança
Além dos cuidados dentro das fazendas, a logística também representa um ponto crítico para a prevenção de doenças.
Caminhões utilizados no transporte de animais que circulam entre propriedades, leilões e frigoríficos podem atuar como veículos de disseminação de agentes infecciosos quando não passam por processos adequados de limpeza e desinfecção.
O problema se torna ainda maior em períodos chuvosos, quando barro e matéria orgânica podem permanecer aderidos às estruturas dos veículos.
Tecnologias voltadas à desinfecção rápida, como o TADD System, desenvolvido pelo Grupo Setta, surgem como alternativas para reduzir riscos e aumentar a eficiência dos protocolos sanitários.
O sistema utiliza calor controlado para acelerar a secagem e a descontaminação dos veículos, reduzindo o tempo necessário para retorno da frota à operação.
Biossegurança passa a ser investimento estratégico na pecuária
Segundo especialistas, a nova realidade climática exige que produtores tratem a biossegurança como parte do planejamento estratégico da atividade.
A adoção de protocolos preventivos, controle de trânsito de pessoas e veículos, higienização adequada das estruturas e monitoramento constante dos animais são medidas fundamentais para reduzir perdas econômicas.
“A diferença nesses períodos está na velocidade. Quanto mais rápido o veículo retorna limpo para a estrada, menor é a oportunidade para o agente infeccioso circular. Quando o protocolo ganha previsibilidade, aumenta também a confiança de toda a cadeia produtiva”, avalia Dias.
Com mercados cada vez mais exigentes em rastreabilidade, qualidade e segurança alimentar, investir em prevenção sanitária se torna uma ferramenta essencial para proteger os rebanhos, preservar a produtividade e manter a competitividade da pecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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