Novas forrageiras melhoram pastagens, recuperam o solo e ampliam alimentação do rebanho
Cultivares de inverno e espécies perenes apresentadas na Expointer ajudam o produtor a elevar a oferta de matéria seca, reduzir a compactação e planejar o pastejo durante todo o ano
Publicado em: 02/09/2026 às 11:55hs
A escolha correta das plantas forrageiras pode aumentar a produtividade das pastagens, melhorar a alimentação dos animais e contribuir para a recuperação do solo. As alternativas apresentadas na 49ª Expointer, em Esteio (RS), incluem espécies de inverno, cultivares destinadas à recuperação de áreas degradadas e plantas perenes voltadas ao pastejo durante o verão.
Realizada entre 29 de agosto e 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, a feira permite que os produtores comparem diferentes materiais e identifiquem as opções mais adequadas às condições de cada propriedade.
Além da capacidade de produzir alimento para o rebanho, a seleção das espécies considera características como produção de matéria seca, formação do sistema radicular, adaptação ao clima e contribuição para a conservação da estrutura do terreno.
Cultivares de inverno ampliam alternativas para as propriedades
No espaço dedicado às plantas forrageiras, os produtores encontram espécies tradicionalmente utilizadas durante o inverno, como trigo, cevada, triticale e diferentes cultivares de aveia.
Essas plantas podem ser inseridas no planejamento alimentar do rebanho em períodos de menor crescimento das pastagens naturais. Dependendo do sistema produtivo, também ajudam a manter o solo coberto, produzir palhada e ampliar a matéria orgânica.
A diversidade de materiais permite selecionar cultivares de acordo com o objetivo da propriedade, seja para pastejo, produção de forragem, cobertura do solo ou recuperação de áreas com baixa capacidade produtiva.
Raízes desenvolvidas ajudam a melhorar a estrutura do solo
A produção de matéria seca não é o único fator importante na escolha de uma forrageira. A capacidade de formar raízes profundas e bem distribuídas também influencia a qualidade física e biológica do solo.
De acordo com o extensionista rural Rodrigo Sasso, as espécies apresentadas possuem características que podem contribuir para a recuperação dos sistemas produtivos.
“São plantas que fazem um grande aporte de matéria seca, mas que também têm uma boa estrutura de raízes”, explica.
Sistemas radiculares mais desenvolvidos favorecem a infiltração e o armazenamento de água, ajudam na agregação das partículas do solo e ampliam o acúmulo de matéria orgânica. Esses benefícios podem tornar as áreas produtivas mais resistentes a períodos de estiagem ou excesso de chuva.
Forrageiras podem auxiliar na recuperação de pastagens
A degradação das pastagens está frequentemente associada à redução da cobertura vegetal, ao manejo inadequado da carga animal, à perda de fertilidade e à compactação do solo.
Nesse cenário, a introdução de espécies com elevada produção de biomassa e raízes vigorosas pode auxiliar na recuperação gradual das áreas. A cobertura vegetal protege o terreno contra erosão, reduz o impacto direto das chuvas e favorece a ciclagem de nutrientes.
A escolha das forrageiras, entretanto, deve considerar as condições de clima e solo, a disponibilidade de água, o tipo de animal e o sistema de produção adotado. Também é necessário avaliar a capacidade de suporte da pastagem para evitar o superpastejo.
Manejo da carga animal reduz riscos de compactação
O pisoteio contínuo dos animais pode aumentar a compactação, especialmente quando o solo apresenta umidade elevada ou a lotação está acima da capacidade da área.
A compactação reduz a infiltração de água, limita o desenvolvimento das raízes e pode diminuir a produção de forragem. Por isso, o manejo da carga animal deve estar integrado à escolha das espécies e ao planejamento dos períodos de ocupação e descanso dos piquetes.
O ajuste da lotação conforme a disponibilidade de alimento ajuda a preservar a estrutura do solo e permite que as plantas mantenham capacidade de rebrota. Sistemas de pastejo rotacionado também podem contribuir para melhorar o aproveitamento da forragem e reduzir a pressão sobre determinadas áreas.
Cultivares de Panicum reforçam alimentação no verão
Além das alternativas de inverno, a Expointer apresenta uma coleção com oito cultivares de Panicum. Essas plantas perenes são utilizadas principalmente para pastejo direto e se destacam pela maior produção de forragem durante o verão.
A exposição conjunta das cultivares permite ao produtor comparar características como potencial produtivo, porte, exigência de fertilidade, capacidade de rebrota e adaptação às condições da propriedade.
As espécies perenes podem ajudar a garantir maior disponibilidade de alimento nos meses mais quentes. Para obter bons resultados, porém, é fundamental respeitar as exigências de cada cultivar, especialmente em relação à fertilidade do solo e à altura de entrada e saída dos animais.
Planejamento forrageiro garante alimento durante o ano
A combinação entre espécies de inverno e verão permite distribuir melhor a oferta de forragem ao longo do calendário. Esse planejamento reduz períodos de escassez alimentar e pode diminuir a necessidade de suplementação emergencial.
Antes de escolher uma cultivar, o produtor deve avaliar a finalidade da área, o número e a categoria dos animais, a sazonalidade da produção, a fertilidade do solo e o regime de chuvas. Também é importante considerar a disponibilidade de mão de obra e a estrutura necessária para o manejo.
No Rio Grande do Sul, onde as pastagens ocupam extensas áreas e desempenham papel estratégico na pecuária, a adoção de espécies adequadas e o controle da lotação podem gerar ganhos expressivos de produtividade.
“A importância desse tema para a atividade agropecuária gaúcha se deve às grandes áreas de pastagem que temos no Estado e ao quanto ainda podemos evoluir no manejo correto da carga animal e das espécies, para ter uma melhor produção e produtividade nos sistemas agropecuários”, destaca Sasso.
Como escolher a melhor forrageira
Não existe uma única espécie indicada para todas as propriedades. A decisão deve considerar o ambiente produtivo, as características do rebanho e os objetivos definidos para a área.
Entre os principais fatores que devem ser analisados estão a adaptação ao clima, a fertilidade e a drenagem do solo, a produção de matéria seca, a qualidade nutricional, a resistência ao pastejo, a capacidade de rebrota e a época de maior crescimento.
A assistência técnica e a análise do solo são fundamentais para reduzir riscos na implantação. Com espécies adequadas e manejo correto, o produtor pode aumentar a oferta de alimento, conservar o terreno e elevar a eficiência dos sistemas pecuários.
Fonte: Portal do Agronegócio
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