Planta venenosa no pasto pode matar bovinos e gerar prejuízos; manejo de daninhas é essencial
Estudo aponta letalidade de 100% em bovinos intoxicados por fedegoso-branco, enquanto especialistas reforçam a importância do controle de plantas tóxicas nas pastagens brasileiras
Publicado em: 17/08/2026 às 14:30hs
O controle de plantas daninhas nas pastagens vai muito além da disputa por espaço e nutrientes. Algumas espécies invasoras presentes em áreas de pastejo podem representar risco direto à saúde e à sobrevivência dos bovinos, além de provocar perdas econômicas ao reduzir a disponibilidade e a qualidade da forragem.
Entre as plantas de maior preocupação está o fedegoso-branco (Senna obtusifolia), espécie que pode provocar intoxicação grave em bovinos. Estudos publicados na revista Pesquisa Veterinária Brasileira apontam letalidade de 100% entre os animais intoxicados em determinados quadros associados à ingestão da planta.
O alerta reforça a necessidade de integrar o manejo de plantas daninhas às estratégias de sanidade, produtividade e segurança da pecuária.
Fedegoso-branco ameaça produtividade e saúde do rebanho
O gênero Senna reúne diferentes espécies consideradas tóxicas para animais de produção, entre elas Senna occidentalis, Senna pendula e Senna pilifera. O fedegoso-branco, porém, merece atenção especial pelo potencial de intoxicação de bovinos.
A planta apresenta porte ereto e subarbustivo, com diversas ramificações próximas à base. Normalmente, alcança entre 70 centímetros e 1,60 metro, mas pode superar dois metros em condições favoráveis.
Seu sistema radicular é perene, enquanto a parte aérea se renova anualmente. A propagação ocorre por sementes, característica que favorece a permanência da espécie nas áreas agrícolas e de pastagem.
Segundo Thaís Lopes, gerente de Marketing Regional da Linha Pastagem da Corteva Agriscience, o fedegoso-branco possui ampla distribuição no território brasileiro e consegue se desenvolver em pastagens e também em lavouras anuais e perenes.
Em algumas regiões, a planta apresenta germinação rápida após o início das chuvas, aumentando a necessidade de monitoramento das áreas de produção.
Matocompetição reduz oferta de alimento para o gado
Antes mesmo de provocar intoxicações, a presença de plantas daninhas já representa um problema econômico para a propriedade.
O fedegoso-branco compete diretamente com as forrageiras por água, luz, espaço e nutrientes. Essa matocompetição pode reduzir a produção de massa verde e comprometer a qualidade nutricional do pasto.
Com menor disponibilidade de alimento, os impactos podem aparecer em diferentes indicadores zootécnicos, incluindo:
- redução do ganho de peso dos animais;
- queda na produção de leite e carne;
- diminuição da capacidade de suporte das pastagens;
- redução da taxa de lotação;
- aumento do custo de produção;
- maior risco de intoxicação do rebanho.
Dessa forma, o controle de plantas daninhas deve ser considerado parte da estratégia de produtividade da fazenda e não apenas uma operação de manutenção das pastagens.
Intoxicação por fedegoso-branco pode ser fatal
Embora os casos de intoxicação não sejam considerados frequentes em todas as regiões, há registros que chamam a atenção para o problema, especialmente no Mato Grosso do Sul, além de ocorrências em Santa Catarina e Paraná.
Pesquisas relacionadas à intoxicação por Senna obtusifolia, incluindo estudo publicado na Pesquisa Veterinária Brasileira por pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, associam a ingestão de folhas e vagens verdes ao desenvolvimento de uma miopatia degenerativa grave.
Nos casos avaliados pelo estudo citado, a evolução clínica foi fatal, com letalidade de 100% entre os animais afetados.
Sintomas exigem atenção do pecuarista
A intoxicação pode provocar comprometimento severo da musculatura dos bovinos. Entre os sinais clínicos descritos estão:
- fraqueza intensa;
- dificuldade para caminhar;
- alteração da coloração da urina, que pode ficar escura;
- liberação de mioglobina;
- dificuldade de permanecer em estação;
- permanência em decúbito esternal.
De acordo com Thaís Lopes, medidas de suporte mencionadas em pesquisas, como suplementação com vitamina E e selênio, não demonstraram capacidade de reverter clinicamente o quadro fatal descrito nos animais intoxicados.
Diante da gravidade, a prevenção ganha importância ainda maior. Ao identificar plantas potencialmente tóxicas ou animais com sinais de intoxicação, o produtor deve buscar orientação de um médico-veterinário para diagnóstico e definição das medidas adequadas.
Roçagem isolada pode não resolver o problema
O controle das plantas daninhas exige planejamento. A simples roçagem pode eliminar temporariamente a parte aérea da planta, mas não necessariamente impede sua recuperação.
No caso de espécies com sistema radicular perene, a rebrota pode ocorrer após a retirada da parte visível da planta. Por isso, o manejo deve considerar as características biológicas da invasora e o estágio adequado para controle.
O uso de herbicidas registrados para a cultura e para a planta-alvo, seguindo rigorosamente as recomendações de bula e orientação técnica, pode integrar uma estratégia de manejo mais eficiente.
Tecnologia auxilia no controle de plantas daninhas
A Linha Pastagem da Corteva Agriscience destaca tecnologias voltadas ao controle de plantas invasoras em áreas de pastagem.
Entre as soluções citadas pela empresa está a Tecnologia Ultra-S, destinada ao controle de plantas daninhas anuais, bianuais e herbáceas, além do produto Navius.
Segundo a companhia, as formulações concentradas podem contribuir para maior rendimento operacional por hectare tratado, desde que utilizadas de acordo com as recomendações técnicas e legais.
Para a empresa, manter as pastagens livres de plantas daninhas é uma medida importante tanto para preservar a produtividade da área quanto para reduzir riscos relacionados à presença de espécies potencialmente tóxicas.
Manejo integrado protege o pasto e o rebanho
O caso do fedegoso-branco mostra que o controle de plantas daninhas possui impacto que vai além da estética ou da competição com as forrageiras. A presença de espécies tóxicas pode transformar uma área de pastagem em uma fonte de risco sanitário e econômico.
Por isso, o monitoramento periódico das áreas, a identificação correta das espécies, o manejo adequado da pastagem e o controle químico ou mecânico quando tecnicamente indicado devem fazer parte da rotina da propriedade.
Para o pecuarista, a prevenção pode representar menor perda de forragem, melhor aproveitamento da área produtiva e, principalmente, maior proteção do rebanho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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