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Análise de Mercado

Exportações do agronegócio brasileiro batem recorde e somam US$ 103,4 bilhões até julho de 2026

Vendas externas do agro cresceram 6% no acumulado do ano, impulsionadas principalmente por soja e carne bovina; China permanece como principal destino dos produtos brasileiros.


Publicado em: 17/08/2026 às 11:00hs

Exportações do agronegócio brasileiro batem recorde e somam US$ 103,4 bilhões até julho de 2026
Agronegócio brasileiro alcança recorde histórico nas exportações

As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 103,4 bilhões entre janeiro e julho de 2026, estabelecendo um novo recorde histórico para o período. O resultado representa crescimento de 6% em relação aos sete primeiros meses de 2025 e reforça a importância do setor para o comércio exterior brasileiro.

Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento das vendas de soja em grãos e carne bovina in natura, que apresentaram forte expansão no período.

Somente em julho, as exportações do agronegócio chegaram a US$ 16,34 bilhões, o maior valor já registrado para o mês. O montante representa avanço de 5,4% na comparação com julho de 2025.

O resultado confirma a força do agronegócio brasileiro no mercado internacional e evidencia o peso das commodities agrícolas na geração de receitas externas para o país.

Soja lidera exportações do agronegócio brasileiro

O complexo soja foi o principal setor exportador entre janeiro e julho de 2026, com US$ 42,1 bilhões, equivalente a 40,7% de participação nas vendas externas do agronegócio.

Na sequência aparecem o setor de carnes, com US$ 20,5 bilhões; produtos florestais, com US$ 9,8 bilhões; café, com US$ 7,5 bilhões; e o complexo sucroalcooleiro, com US$ 5,8 bilhões.

Juntos, os cinco principais setores responderam por 82,8% das exportações do agronegócio brasileiro no período.

Entre os produtos, a soja em grãos foi o grande destaque. As exportações alcançaram US$ 35 bilhões, crescimento de 15,3%, enquanto o volume embarcado chegou a 83 milhões de toneladas, alta de 7,5%.

A oleaginosa representou 33,9% de todas as exportações do agronegócio brasileiro nos sete primeiros meses do ano. O aumento da quantidade embarcada e a valorização do preço médio contribuíram para o desempenho.

China continua como principal destino do agro brasileiro

A China permaneceu na liderança entre os mercados compradores dos produtos do agronegócio brasileiro.

Entre janeiro e julho, o país importou US$ 36,2 bilhões em produtos do agro brasileiro, representando 35% das exportações do setor. O valor foi 8,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Soja em grãos e carne bovina foram os principais responsáveis pelo crescimento das vendas para o mercado chinês. Juntos, esses dois produtos somaram US$ 29,7 bilhões, o equivalente a 82,1% das exportações brasileiras do agronegócio destinadas à China.

A União Europeia apareceu na segunda posição, com US$ 15 bilhões e participação de 14,5%. Já os Estados Unidos ocuparam o terceiro lugar, com US$ 5,9 bilhões e participação de 5,8%.

Carne bovina registra forte crescimento nas exportações

A carne bovina in natura também apresentou desempenho expressivo no acumulado de 2026.

As exportações chegaram a US$ 10,5 bilhões, alta de 30,1%, enquanto o volume embarcado alcançou 1,7 milhão de toneladas, crescimento de 10,2%.

O preço médio da proteína também avançou, passando de US$ 5.180 por tonelada em 2025 para US$ 6.115 em 2026, aumento de 18%.

A China foi novamente o principal mercado para a carne bovina brasileira, com compras de US$ 5,3 bilhões e crescimento de 31%. Os Estados Unidos também se destacaram, com US$ 1,3 bilhão e alta de 48,1%.

Café recua, enquanto celulose e frango avançam

Nem todos os produtos apresentaram crescimento no período.

As exportações de café verde somaram US$ 6,8 bilhões entre janeiro e julho, queda de 17,8%. O resultado foi influenciado principalmente pela redução de 15,1% na quantidade embarcada e pela queda de 3,2% no preço médio.

A celulose, por outro lado, registrou US$ 6,2 bilhões em exportações, alta de 0,6%. Mesmo com queda de 7% no volume embarcado, o aumento de 8,1% no preço médio garantiu crescimento da receita. A China respondeu por 47,2% das compras brasileiras do produto.

A carne de frango in natura também apresentou forte expansão. As vendas externas atingiram US$ 5,8 bilhões, crescimento de 19,9%, com 3 milhões de toneladas embarcadas, alta de 15,2%.

Farelo de soja e algodão ampliam participação

Outro destaque foi o farelo de soja, cujas exportações alcançaram US$ 5,4 bilhões, avanço de 16,5%. O volume comercializado chegou a 15,1 milhões de toneladas, crescimento de 12,1%.

A União Europeia foi o principal destino do produto, enquanto o Irã apresentou forte expansão nas compras, tornando-se um dos mercados que mais contribuíram para o crescimento das exportações brasileiras.

O algodão não cardado nem penteado também registrou crescimento. As exportações somaram US$ 3,1 bilhões, alta de 13,6%, com volume de 2 milhões de toneladas, avanço de 21,5%.

A China foi o principal destino do algodão brasileiro, respondendo por 20,1% das vendas do produto no período.

Exportações de milho crescem 11,4%

As vendas externas de milho brasileiro alcançaram US$ 2,2 bilhões entre janeiro e julho, crescimento de 11,4% na comparação anual.

O volume exportado chegou a 9,8 milhões de toneladas, aumento de 10,5%, enquanto o preço médio teve avanço mais moderado, de 0,7%.

Egito e Vietnã foram os mercados que mais contribuíram para a expansão das exportações brasileiras do cereal no período.

Carne suína mantém trajetória de crescimento

As exportações de carne suína in natura totalizaram US$ 2 bilhões nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 5,2%. O volume embarcado alcançou 799,2 mil toneladas, alta de 7,5%.

As Filipinas permaneceram como principal destino, com US$ 450 milhões em compras. O Japão, entretanto, foi o mercado que mais contribuiu para o aumento da receita, com crescimento de 66,6% nas aquisições.

Agronegócio registra uma série de recordes em 2026

O desempenho acumulado até julho também foi marcado por diversos recordes históricos.

Entre os principais estão:

  • Soja em grãos: recorde de 83 milhões de toneladas;
  • Carne bovina in natura: recorde de US$ 10,5 bilhões e 1,7 milhão de toneladas;
  • Farelo de soja: recorde de 15,1 milhões de toneladas;
  • Celulose: recorde de US$ 6,2 bilhões;
  • Carne de frango in natura: recorde de US$ 5,8 bilhões e 3 milhões de toneladas;
  • Algodão: recorde de US$ 3,1 bilhões e 2 milhões de toneladas;
  • Carne suína: recorde de US$ 2 bilhões e 799,2 mil toneladas;
  • Bovinos vivos: recorde de US$ 932,3 milhões e 314,2 mil toneladas.
Dependência dos principais mercados permanece como ponto de atenção

Apesar do resultado recorde, os dados mostram que a pauta exportadora brasileira continua concentrada em determinados produtos e mercados.

Os cinco principais setores responderam por 82,8% das exportações do agronegócio entre janeiro e julho. Além disso, a China sozinha absorveu 35% das vendas externas do setor no período.

Ao mesmo tempo, o desempenho de produtos como café e açúcar mostra como preços internacionais e volumes embarcados podem alterar significativamente a receita obtida pelo Brasil.

No caso do café verde, por exemplo, a redução das exportações foi acompanhada por quedas nas vendas para importantes mercados, como União Europeia, Estados Unidos e Japão.

Agro mantém protagonismo no comércio exterior brasileiro

Com US$ 103,4 bilhões exportados nos primeiros sete meses de 2026, o agronegócio mantém posição estratégica na balança comercial brasileira.

O resultado combina crescimento de importantes cadeias produtivas, como soja, carnes, algodão e milho, com novos recordes de volume e receita em diversos produtos.

A expansão das exportações também reforça a relevância da diversificação de mercados e da capacidade brasileira de atender à demanda internacional por alimentos, fibras e produtos florestais.

Para o restante de 2026, o desempenho das exportações do agronegócio continuará condicionado à evolução dos preços internacionais, dos volumes produzidos e embarcados e da demanda dos principais mercados compradores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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