Açúcar recua nas bolsas, mas termina semana com forte valorização e oferta global no radar
Mercado internacional corrige ganhos recentes, enquanto açúcar cristal acumula alta de 6,99% em agosto; déficit global projetado para 2027/28 sustenta as cotações
Publicado em: 17/08/2026 às 11:50hs
O mercado de açúcar encerrou a semana com ajustes negativos nas principais bolsas internacionais, após uma sequência de fortes altas. Na sexta-feira (14), os contratos negociados em Nova York e Londres recuaram, em um movimento associado à realização de lucros e ao reposicionamento dos investidores.
Apesar da correção no último pregão, os preços permaneceram em patamares elevados, sustentados principalmente pelas perspectivas de menor oferta global de açúcar, pelos riscos climáticos e pelas projeções de déficit para as próximas safras.
Açúcar recua em Nova York
Na ICE Futures U.S., o contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro de 2026 caiu 0,22 ponto e fechou a sessão a 16,60 centavos de dólar por libra-peso.
O contrato março de 2027 recuou 0,19 ponto, para 17,62 cents por libra-peso, enquanto o maio de 2027 perdeu 0,18 ponto, encerrando o dia a 17,31 cents por libra-peso.
As demais posições também fecharam no campo negativo, com perdas entre 0,19 e 0,38 ponto.
O movimento representa uma correção depois dos ganhos registrados nas sessões anteriores, mas não altera, por enquanto, o cenário de preços relativamente firmes no mercado internacional.
Açúcar branco também cai em Londres
Em Londres, a pressão vendedora foi mais intensa.
O contrato outubro de 2026 do açúcar branco caiu US$ 6,70 por tonelada, encerrando o pregão a US$ 511,20. O vencimento dezembro de 2026 recuou US$ 6,50, para US$ 509,50 por tonelada.
Já o contrato março de 2027 perdeu US$ 5,60 e terminou a sessão em US$ 511,20 por tonelada.
Mesmo com a queda, os contratos continuam próximos de níveis elevados diante da valorização acumulada ao longo da semana.
Mercado brasileiro acompanha correção
No mercado interno, o açúcar cristal branco também apresentou ajuste negativo na sexta-feira.
O indicador CEPEA/ESALQ, para o estado de São Paulo, registrou preço de R$ 97,90 por saca de 50 quilos, queda diária de 0,42%.
A retração, entretanto, foi insuficiente para apagar os ganhos acumulados no mês. Em agosto, o indicador registra alta de 6,99%, refletindo um ambiente de maior sustentação para os preços do açúcar no mercado brasileiro.
Déficit global pode limitar novas quedas
Um dos principais fatores de sustentação para o mercado está nas perspectivas de oferta para as próximas temporadas.
Projeção da consultoria Czarnikow aponta para um déficit global de 2,9 milhões de toneladas de açúcar na safra 2027/28. A estimativa considera produção mundial de aproximadamente 177 milhões de toneladas, volume 0,7% inferior ao projetado anteriormente.
O cenário reforça a percepção de que o equilíbrio entre oferta e demanda poderá ficar mais apertado, especialmente diante das incertezas climáticas que afetam importantes regiões produtoras.
Clima aumenta preocupação com produção
Entre os mercados que concentram maior atenção estão Índia, União Europeia e Tailândia, importantes produtores e participantes do comércio global de açúcar.
Na Europa, a combinação de temperaturas elevadas e condições de seca aumenta as preocupações com o potencial produtivo da próxima temporada.
Segundo estimativa da S&P Global Energy, a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido pode alcançar 14,98 milhões de toneladas, o que representaria o menor volume em cerca de 11 anos.
A perspectiva de menor produção europeia adiciona um elemento de suporte às cotações internacionais e pode limitar movimentos mais prolongados de queda.
O que esperar do mercado de açúcar
Para o curto prazo, o mercado deve continuar dividido entre dois vetores.
De um lado, a realização de lucros após as altas recentes pode provocar novas correções nas bolsas de Nova York e Londres. De outro, as preocupações com a oferta mundial, os riscos climáticos e as projeções de déficit para a safra 2027/28 permanecem como fatores de sustentação.
No Brasil, a evolução da oferta de cana-de-açúcar, o ritmo de moagem, a produção de açúcar e as condições de comercialização devem continuar no radar dos agentes.
Assim, embora o açúcar tenha encerrado a semana em baixa nas bolsas internacionais e apresentado pequena correção no mercado doméstico, o cenário fundamentalista ainda oferece suporte às cotações.
Mercado de açúcar em atenção
A combinação de menor oferta projetada, problemas climáticos e redução potencial da produção em importantes regiões produtoras mantém o mercado atento às próximas atualizações sobre as safras globais.
Com isso, eventuais novas correções podem ocorrer em função dos movimentos financeiros e da realização de lucros, mas uma pressão baixista mais consistente dependerá de sinais concretos de recuperação da oferta mundial.
Fonte: Portal do Agronegócio
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