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Análise de Mercado

13º Fórum do Biogás bate recorde com 1.800 participantes e destaca avanço do biometano no Brasil

Evento da ABiogás em São Paulo reuniu mais de 60 patrocinadores e cerca de 100 painelistas e marcou o lançamento do Guia Prático do CGOB e do Plano de Desenvolvimento do setor de biogás e biometano


Publicado em: 17/08/2026 às 12:30hs

13º Fórum do Biogás bate recorde com 1.800 participantes e destaca avanço do biometano no Brasil

O 13º Fórum do Biogás encerrou sua programação com recorde de público e reforçou o ritmo de expansão do biogás e do biometano no Brasil. Realizado pela Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), o evento reuniu mais de 1.800 participantes, 60 patrocinadores, mais de 20 apoiadores e aproximadamente 100 painelistas durante dois dias no São Paulo Expo, na capital paulista.

A edição também foi marcada por dois anúncios estratégicos para o setor: a apresentação do Plano de Desenvolvimento do Biogás e do Biometano, no primeiro dia, e o lançamento do Guia Prático do CGOB (Certificado de Garantia de Origem do Biometano), no encerramento.

O crescimento do Fórum acompanha a expansão do mercado brasileiro de biometano, que vem ganhando espaço como alternativa para descarbonização, segurança energética, mobilidade e aproveitamento de resíduos.

Público do Fórum do Biogás mais que dobra em quatro edições

O avanço da participação no evento demonstra o aumento do interesse empresarial e institucional pelo setor.

Desde o 10º Fórum do Biogás, realizado em 2023, o número de participantes mais que dobrou. Naquele ano, foram 894 participantes. Nesta edição, o público ultrapassou 1.800 pessoas, crescimento acumulado de aproximadamente 101% em quatro edições.

Para Josiani Napolitano, presidente-executiva da ABiogás, o resultado superou as expectativas da entidade, tanto em público quanto na amplitude dos debates.

A programação procurou integrar diferentes segmentos da cadeia, desde produtores e fornecedores de tecnologia até empresas de infraestrutura, logística e grandes consumidores industriais.

O objetivo é aproximar o setor das empresas que buscam alternativas para reduzir emissões e ampliar a participação de fontes renováveis em suas operações.

Produção de biometano cresce 75% no Brasil

O desempenho do Fórum acompanha a evolução da produção brasileira de biometano.

De acordo com dados da ABiogás, a produção nacional cresceu 75% em 2025, passando de 606,6 mil m³ por dia para 1,06 milhão de m³ por dia.

O país conta atualmente com 21 plantas de biometano autorizadas para comercialização, que somam capacidade instalada de aproximadamente 1,33 milhão de Nm³ por dia.

Além disso, existem outros 48 empreendimentos em processo de autorização, segundo o Painel Dinâmico de Produtores de Biometano da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Considerando unidades em operação e projetos em autorização, são 69 empreendimentos no radar do mercado.

A expectativa da ABiogás é que a capacidade brasileira alcance 3,37 milhões de Nm³ por dia em 2028.

Biometano ganha espaço na segurança energética

A programação do primeiro dia foi marcada pela discussão sobre o papel do biogás e do biometano na diversificação da matriz energética brasileira.

Entre as autoridades presentes estiveram o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o deputado federal Arnaldo Jardim, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), Natália Resende, e a subsecretária da pasta, Marisa Barros.

Também participaram executivos de empresas ligadas ao setor, como Orizon Valorização de Resíduos, Comgás e Geo bio gas&carbon.

Durante o evento, os participantes puderam conhecer um ônibus da Scania movido a biometano, apresentado como exemplo de aplicação do combustível renovável na mobilidade urbana e na redução das emissões do transporte.

A plenária de abertura discutiu o tema “Biogás e biometano: diversificando a matriz e fortalecendo a segurança energética”.

Ao longo da programação, os debates avançaram sobre o mandato do biometano previsto na Lei do Combustível do Futuro, infraestrutura, logística, políticas climáticas, mobilidade urbana e gestão de resíduos.

Lei do Combustível do Futuro impulsiona mercado de biometano

Um dos principais assuntos do Fórum foi a implementação do mandato de descarbonização relacionado ao mercado de gás natural.

A discussão envolveu representantes de órgãos públicos, empresas, entidades setoriais e especialistas, com foco nos mecanismos necessários para ampliar a participação do biometano na matriz energética.

A agenda também abordou os desafios relacionados à infraestrutura e à logística, considerados fundamentais para conectar produtores, redes de distribuição e consumidores.

Temas como reforma tributária, gestão de resíduos, aproveitamento energético e descarbonização também estiveram entre os destaques.

Guia do CGOB busca organizar novo mercado regulado

O encerramento do Fórum foi marcado pelo lançamento do Guia Prático do CGOB, elaborado pela ABiogás para orientar os agentes sobre o funcionamento do novo mercado de certificados de origem do biometano.

O material apresenta procedimentos relacionados à emissão, negociação e aposentadoria dos certificados, com o objetivo de reduzir a assimetria de informações entre produtores, distribuidoras e demais participantes.

“O mercado está amadurecendo, e o CGOB é uma peça importante dessa evolução. Ao dar valor ao atributo ambiental do biometano, o certificado pode destravar investimentos e atrair novos projetos”, afirmou Josiani Napolitano.

O que é o CGOB?

O Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) é um dos principais instrumentos do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano.

O programa foi instituído pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) e regulamentado pelo Decreto nº 12.614/2025 e pelas Resoluções ANP nº 995 e nº 996, de março de 2026.

Cada CGOB corresponde a 100 m³ de biometano com origem renovável comprovada.

O certificado possui validade de até 18 meses e pode ser negociado separadamente da molécula física de biometano. As operações podem ocorrer bilateralmente e, futuramente, também em mercados organizados, como a B3.

Certificação exige auditoria independente

Para emitir o CGOB, produtores e importadores de biometano autorizados pela ANP precisam contratar um Agente Certificador de Origem (ACO) independente e credenciado.

Esse agente é responsável por verificar aspectos como a matéria-prima utilizada, o processo de produção e a conformidade regulatória da unidade.

A certificação possui validade de quatro anos, com monitoramento anual obrigatório.

O mecanismo busca assegurar a rastreabilidade da origem renovável do biometano e dar maior segurança aos participantes do mercado.

Meta de descarbonização começa em 2026

O primeiro ano de funcionamento do programa marca o início das metas de descarbonização associadas ao mercado de gás natural.

Para 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabeleceu uma meta de 0,5%, aplicada proporcionalmente a partir da emissão do primeiro CGOB.

A apuração de 2026 será realizada conjuntamente com a meta de 2027, criando uma regra de transição para o início do programa.

Estão sujeitos às metas os produtores, importadores, autoprodutores e autoimportadores de gás natural que comercializem volumes superiores a 160 mil m³ por dia.

Agentes que não possuem obrigação regulatória também podem adquirir e aposentar CGOBs voluntariamente, utilizando o atributo ambiental do biometano em produtos e estratégias de gestão de emissões.

Multas podem chegar a R$ 50 milhões

O descumprimento das obrigações previstas no programa pode resultar em multas que variam de R$ 100 mil a R$ 50 milhões.

O pagamento da penalidade, entretanto, não substitui a necessidade de regularização do volume de descarbonização eventualmente não cumprido.

A regulamentação cria, assim, um ambiente de maior previsibilidade para o mercado de biometano e estabelece mecanismos para estimular o cumprimento das metas.

Setor projeta expansão do biogás e do biometano

Ao longo dos dois dias, o Fórum reuniu representantes do poder público, empresas, investidores, pesquisadores e especialistas para discutir os principais desafios e oportunidades do mercado.

Além da segurança energética, estiveram em pauta a diversificação da matriz, descarbonização do gás natural, mobilidade urbana, gestão de resíduos, infraestrutura, logística e novas oportunidades de negócios.

A expansão da capacidade produtiva, o avanço da regulamentação e a criação de mecanismos de certificação indicam um ambiente de maior estruturação para o mercado brasileiro.

Com a próxima edição já confirmada para os dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2027, em São Paulo, o Fórum do Biogás encerra sua 13ª edição consolidado como um dos principais espaços de discussão sobre o futuro do biogás, biometano e da transição energética no Brasil.

Biometano brasileiro entra em nova fase de expansão

O recorde de público do 13º Fórum do Biogás ocorre em um momento de crescimento da produção e de amadurecimento do ambiente regulatório.

A combinação entre maior capacidade instalada, novos projetos, metas de descarbonização, certificação de origem e demanda por combustíveis de menor emissão tende a ampliar o papel do biometano na matriz energética brasileira.

Para o agronegócio, a expansão também abre oportunidades relacionadas ao aproveitamento energético de resíduos agropecuários, geração de valor a partir de subprodutos e diversificação das receitas dentro das propriedades e cadeias produtivas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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