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Pastagens

Forrageiras tropicais brasileiras começam a ser testadas para alimentar rebanhos nos Estados Unidos

Parceria entre a Semembrás e a Universidade do Tennessee avalia gramíneas selecionadas no Brasil como alternativa para reduzir a falta de pastagem durante o verão norte-americano.


Publicado em: 18/08/2026 às 08:30hs

Forrageiras tropicais brasileiras começam a ser testadas para alimentar rebanhos nos Estados Unidos
Brasil testa potencial de forrageiras tropicais no mercado pecuário dos EUA

O conhecimento brasileiro no desenvolvimento e na seleção de forrageiras tropicais começa a ganhar espaço no mercado pecuário dos Estados Unidos. A Semembrás, empresa especializada em sementes para pastagens, estabeleceu uma parceria com o Instituto de Agricultura da Universidade do Tennessee para avaliar gramíneas selecionadas no Brasil em condições de campo norte-americanas.

A pesquisa busca verificar se os materiais brasileiros podem se tornar uma alternativa para a alimentação de bovinos durante o verão, período em que determinadas pastagens predominantes nos Estados Unidos apresentam forte queda de produtividade.

A iniciativa conecta a experiência brasileira em pastagens tropicais à necessidade de ampliar a oferta de forragem para os rebanhos norte-americanos.

Fescue Belt enfrenta queda na produção de forragem durante o verão

Um dos principais desafios avaliados pela pesquisa está concentrado no chamado Fescue Belt, extensa região dos Estados Unidos onde aproximadamente 15 milhões de hectares são ocupados por pastagens.

A área é marcada pela predominância de espécies adaptadas às condições mais frias do ano. Com a elevação das temperaturas durante o verão, entretanto, essas forrageiras podem apresentar redução significativa no crescimento e na produção de massa.

O resultado é uma janela de menor disponibilidade de alimento para os animais, justamente em uma época de elevada demanda por pastagem.

É nesse período que as forrageiras tropicais brasileiras podem desempenhar um papel estratégico.

“Quando chega o verão, as forrageiras utilizadas atualmente lá perdem produtividade. Nossa proposta é avaliar materiais capazes de suprir essa demanda justamente nesse período”, explica Hemython Luis Bandeira do Nascimento, engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Semembrás.

Três materiais brasileiros entram nos experimentos

Para os testes, a Semembrás enviou três materiais para avaliação nos Estados Unidos:

  • Urochloa ruziziensis;
  • Urochloa brizantha;
  • Mix de forrageiras.

Os experimentos começaram em maio e foram estruturados em cinco diferentes épocas de plantio.

A estratégia permitirá comparar o desempenho das gramíneas em diferentes momentos do calendário agrícola e identificar quais materiais apresentam maior capacidade de adaptação às condições climáticas do Tennessee.

Os estudos são conduzidos em parceria com Bruno Pedreira, diretor do Beef & Forage Center do Instituto de Agricultura da Universidade do Tennessee e pesquisador com experiência anterior na Embrapa.

Pesquisa aproxima universidades e pecuaristas

A parceria também coloca em evidência o modelo de transferência de tecnologia adotado no sistema de inovação agrícola norte-americano.

Nos Estados Unidos, universidades possuem forte conexão com produtores rurais e estruturas locais de extensão. Dessa forma, resultados obtidos em pesquisas de campo podem servir diretamente como referência para decisões tomadas dentro das propriedades.

Os produtores acompanham os experimentos e utilizam as informações geradas pelas instituições de pesquisa para avaliar novas tecnologias e alternativas de produção.

Segundo Pedreira, a proposta é ampliar as opções disponíveis aos pecuaristas do Tennessee e aumentar a diversidade dos sistemas de produção.

“Os produtores acompanham os experimentos e, com base nos resultados, decidem que forrageira utilizar na sua propriedade. A nossa intenção é oferecer novas alternativas para os produtores do Tennessee, aumentando a diversidade e resiliência dos nossos sistemas de produção com base em patentes”, afirma.

Resultados de forrageiras brasileiras serão apresentados em dia de campo

Os primeiros resultados dos experimentos estão previstos para setembro, quando a Universidade do Tennessee deverá realizar um dia de campo para apresentar o desempenho dos materiais brasileiros.

O evento permitirá que produtores e técnicos norte-americanos conheçam as forrageiras em condições reais de cultivo e observem características como adaptação, desenvolvimento e produção de massa.

A expectativa da Semembrás é positiva diante dos resultados preliminares obtidos nos experimentos.

“Estamos muito empolgados com o que será revelado no evento, afinal, os resultados preliminares já são muito positivos”, destaca Nascimento.

Forrageiras tropicais ampliam fronteiras da tecnologia brasileira

A iniciativa representa uma oportunidade para a tecnologia brasileira de produção de sementes forrageiras avançar em um dos maiores mercados pecuários do mundo.

O Brasil possui ampla experiência no desenvolvimento, seleção e utilização de gramíneas tropicais em sistemas de produção de bovinos. A validação desses materiais em condições norte-americanas pode abrir novas possibilidades comerciais para empresas brasileiras do segmento.

Além da transferência de conhecimento, os testes também podem contribuir para a diversificação das opções de pastagem disponíveis aos produtores dos Estados Unidos.

Mercado norte-americano pode abrir novas oportunidades para sementes brasileiras

Para a Semembrás, a entrada no mercado norte-americano representa uma oportunidade que vai além da pesquisa.

A empresa avalia que o Brasil possui capacidade para produzir sementes com qualidade, escala e competitividade suficientes para atender às exigências do mercado internacional.

“Temos capacidade para produzir sementes com a qualidade exigida por esse mercado, com volume e preço para atender essa demanda. É uma oportunidade importante ampliando a nossa presença internacional”, afirma Nascimento.

Caso os resultados dos ensaios confirmem a adaptação dos materiais, a tecnologia brasileira poderá ganhar espaço em sistemas pecuários norte-americanos, especialmente em regiões que enfrentam redução da oferta de forragem durante o verão.

Tecnologia brasileira de pastagens busca espaço no mercado global

A validação de Urochloa ruziziensis, Urochloa brizantha e de um mix de forrageiras nos Estados Unidos reforça o potencial de internacionalização da genética e da tecnologia desenvolvidas pela cadeia brasileira de sementes.

Para a pecuária, a utilização de espécies mais adaptadas às condições de verão pode representar uma alternativa para ampliar a disponibilidade de alimento e aumentar a resiliência dos sistemas de produção.

Os próximos resultados dos experimentos serão determinantes para avaliar o potencial comercial dos materiais brasileiros e o espaço que as forrageiras tropicais poderão conquistar no mercado norte-americano.

Fonte: Portal do Agronegócio

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