Correção do solo recupera pastagens e aumenta a produtividade da pecuária
Análise antecipada, escolha correta dos insumos e aplicação antes do período das águas favorecem o crescimento da forrageira e ampliam a capacidade de suporte da propriedade
Publicado em: 02/09/2026 às 15:00hs
A proximidade do período das águas exige atenção dos pecuaristas ao planejamento da correção do solo. Antecipar o diagnóstico da área, a compra dos insumos e a aplicação dos corretivos permite aproveitar melhor as chuvas e criar condições favoráveis para a recuperação das pastagens.
O trabalho precisa começar antes da retomada das precipitações porque produtos como o calcário necessitam de tempo e umidade para reagir no solo. A organização prévia também facilita o cálculo das doses, a logística de distribuição e a programação de etapas posteriores, como adubação, controle de plantas daninhas e ajuste da lotação animal.
“Quando o produtor antecipa a análise, a compra dos insumos e a aplicação, ele consegue aproveitar melhor o início das águas, período em que temperatura e umidade favorecem o crescimento das plantas”, explica Robson Luiz Slivinski Dantas, técnico em agricultura e vendedor externo da Nossa Lavoura.
Sinais indicam degradação das pastagens
Antes de realizar qualquer intervenção, o produtor deve avaliar as condições do pasto. Alguns sinais podem indicar perda de produtividade e necessidade de recuperação, entre eles:
- baixa cobertura do solo;
- aumento de áreas descobertas;
- presença de plantas invasoras;
- ocorrência de processos erosivos;
- perda de vigor da forrageira;
- excesso de material morto;
- redução da capacidade de suporte;
- menor ganho de peso dos animais;
- resposta insuficiente às adubações anteriores.
Essas evidências ajudam a identificar a existência de problemas, mas não determinam isoladamente qual corretivo deve ser aplicado. Para essa decisão, é indispensável conhecer a fertilidade do solo.
Análise de solo orienta calagem e adubação
A análise de solo fornece informações sobre pH, acidez, saturação por bases, presença de alumínio e disponibilidade de nutrientes como fósforo, potássio, cálcio e magnésio. O exame também permite avaliar o teor de matéria orgânica e outras características importantes para o desenvolvimento das plantas.
Com esses resultados, o produtor pode calcular a necessidade de calagem, verificar se há indicação para o uso de gesso agrícola e elaborar um plano de adubação mais eficiente.
“Sem análise, o produtor corre o risco de aplicar corretivos em excesso, utilizar uma dose insuficiente ou investir em um nutriente que não é o principal limitante da área”, alerta Dantas.
A qualidade do diagnóstico também depende de uma amostragem representativa. Áreas com diferenças de relevo, tipo de solo, histórico de manejo ou condição produtiva devem ser avaliadas separadamente.
Escolha do calcário exige avaliação técnica
O calcário é o corretivo mais utilizado nas pastagens, mas sua escolha deve considerar diversos fatores. Além dos resultados laboratoriais, precisam ser avaliados o tipo de solo, a profundidade do problema, a espécie forrageira, o histórico de uso da área e o objetivo produtivo da propriedade.
Também devem entrar no cálculo a qualidade do produto, o custo por hectare, a disponibilidade regional e a logística de aplicação. Um dos principais indicadores é o Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT), que expressa a capacidade e a velocidade de reação do calcário no solo.
O gesso agrícola, por sua vez, não substitui o calcário. Seu uso pode ser recomendado em situações específicas, principalmente quando o objetivo é melhorar as condições químicas das camadas subsuperficiais e favorecer o crescimento das raízes em maior profundidade.
Correção fortalece raízes e melhora a rebrota
A correção adequada reduz limitações provocadas pela acidez e pela toxicidade do alumínio, além de melhorar o ambiente para o desenvolvimento radicular. Com raízes mais profundas e vigorosas, a forrageira consegue aproveitar melhor a água e os nutrientes disponíveis.
Esse processo pode favorecer a produção de massa, aumentar a proporção de folhas e melhorar a capacidade de rebrota. A pastagem também tende a suportar melhor os períodos de estresse hídrico quando apresenta sistema radicular bem desenvolvido.
Associada à adubação e ao manejo correto do pastejo, a correção do solo pode ampliar a oferta e a qualidade da forragem, com reflexos sobre o desempenho do rebanho.
“O resultado esperado é o aumento da capacidade de suporte, a possibilidade de trabalhar com maior produtividade por hectare e a redução da necessidade de abrir novas áreas para aumentar a produção”, destaca o técnico.
Recuperação das pastagens vai além da calagem
A aplicação do corretivo representa apenas uma das etapas do processo de recuperação. Depois da correção, o pecuarista deve executar a adubação recomendada e escolher uma forrageira adequada às condições de solo e clima da região.
O plano de manejo também deve incluir:
- correção de falhas na formação do pasto;
- controle de plantas daninhas;
- ajuste da lotação à disponibilidade de forragem;
- respeito às alturas de entrada e saída dos animais;
- prevenção do superpastejo;
- manutenção da cobertura do solo;
- controle de erosões;
- monitoramento periódico da fertilidade.
Estruturas como cercas, corredores, bebedouros, saleiros e divisões de piquetes também devem ser revisadas antes das chuvas. Essa organização ajuda a distribuir melhor os animais e evita que o manejo inadequado comprometa os investimentos realizados na recuperação.
Planejamento aumenta longevidade da pastagem
O primeiro passo recomendado é dividir a propriedade em ambientes com características semelhantes e realizar uma amostragem de solo representativa. A partir do diagnóstico, o produtor deve buscar orientação técnica para escolher os corretivos, calcular as doses e definir a melhor época e forma de aplicação.
“A recuperação de uma pastagem começa muito antes da aplicação do calcário ou do plantio da forrageira. Ela começa com diagnóstico, planejamento e definição clara do objetivo produtivo. A ideia não é apenas deixar o pasto verde, mas construir uma base produtiva capaz de sustentar o rebanho ao longo de todo o ciclo”, ressalta Dantas.
No médio prazo, esse conjunto de medidas pode aumentar a produção de forragem, recuperar o vigor das plantas, melhorar a distribuição de alimento durante o ano e favorecer o ganho de peso dos animais.
Em períodos mais longos, a melhoria da fertilidade e do manejo pode reduzir a degradação, elevar a produtividade por hectare e prolongar a vida útil da pastagem.
“Com análise de solo, recomendação técnica, correção adequada e manejo do pastejo, é possível recuperar o potencial produtivo da área, melhorar os resultados do rebanho e tornar a pecuária mais eficiente e sustentável”, conclui o especialista.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias