Azeites gaúchos com Selo Premium quase dobram e chegam a 26 marcas certificadas
Certificação de qualidade exige origem comprovada, rastreabilidade dos lotes, acidez máxima de 0,3% e avaliações laboratoriais e sensoriais dos azeites produzidos no Rio Grande do Sul
Publicado em: 02/09/2026 às 14:00hs
O número de marcas de azeite de oliva do Rio Grande do Sul reconhecidas com o selo Produtos Premium, Origem e Qualidade RS quase dobrou em 2026. A relação avançou de 14 para 26 marcas certificadas, refletindo a expansão da olivicultura gaúcha e a busca do setor por padrões mais rigorosos de qualidade e procedência.
A certificação é concedida pelo Governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Para receber o selo, os azeites precisam comprovar a origem gaúcha e atender a critérios que incluem rastreabilidade, análises físico-químicas e avaliação sensorial.
A ampliação do número de marcas reconhecidas ocorre em um momento de maior atenção dos consumidores à autenticidade, à procedência e às características dos azeites comercializados no mercado brasileiro.
Selo exige padrão superior ao azeite extravirgem convencional
Os produtos inscritos no programa são submetidos a uma avaliação abrangente. Além dos testes laboratoriais, os azeites passam por análise sensorial para confirmar a presença de atributos positivos e descartar possíveis defeitos.
Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, o processo não se limita à verificação de apenas um indicador.
“Esses azeites foram testados química e fisicamente e também sensorialmente. São azeites sem defeitos e, mais do que isso, têm um padrão de qualidade superior ao extravirgem normal”, afirma.
Entre os critérios estabelecidos está a acidez máxima de 0,3%, percentual significativamente inferior ao limite de 0,8% previsto para a classificação convencional de um azeite como extravirgem.
Baixa acidez revela cuidados desde a colheita
Embora a acidez não represente, isoladamente, uma característica diretamente percebida pelo paladar, o índice está relacionado à qualidade das azeitonas e aos procedimentos adotados durante a colheita, o transporte, o armazenamento e a extração.
Quanto menor o intervalo entre a retirada dos frutos das oliveiras e sua transformação no lagar, menores são os riscos de deterioração da matéria-prima. Esse cuidado contribui para a obtenção de azeites mais estáveis e com maior presença de polifenóis e compostos antioxidantes.
“O índice mais baixo de acidez mostra todo o cuidado que se teve por um produtor, desde o momento da colheita até a sua rápida transformação em azeite”, explica Obino.
Rastreabilidade acompanha azeite do pomar ao lagar
Outro requisito obrigatório para a concessão do Selo Premium é a rastreabilidade integral dos lotes. O processo permite acompanhar o produto desde o cultivo das oliveiras até a extração do azeite.
As amostras são encaminhadas para análises laboratoriais e também avaliadas por provadores treinados. Os testes sensoriais são realizados às cegas, sem que os avaliadores tenham acesso à marca, ao produtor ou à região exata de origem.
Durante a análise, são observadas características positivas como frutado, amargor e picância. Os especialistas também verificam a eventual presença de defeitos que possam comprometer a classificação do produto.
As amostras recebem códigos e seguem procedimentos padronizados, evitando que informações comerciais ou de procedência interfiram no resultado.
Certificação ajuda consumidor a identificar azeites avaliados
O crescimento da lista de azeites gaúchos certificados também ganha importância diante das discussões sobre a autenticidade e a qualidade de produtos importados comercializados como extravirgens no Brasil.
Na avaliação do presidente do Ibraoliva, o selo oferece ao consumidor uma referência adicional no momento da compra, pois confirma que o lote encontrado no mercado corresponde ao produto efetivamente submetido aos testes.
“Se nós já temos aqui no Brasil essa preocupação de azeites virgens vendidos como extravirgem importados da Europa, esses azeites comercializados com selo têm a garantia de que o lote foi testado”, ressalta Obino.
Segundo ele, além da avaliação sensorial, os produtos certificados precisam atender a padrões superiores aos normalmente exigidos para a categoria extravirgem.
Confira as 26 marcas de azeite gaúcho certificadas
Receberam o selo Produtos Premium, Origem e Qualidade RS neste ciclo:
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Selo Premium será entregue durante a Expointer
Criado em 2022, o programa Produtos Premium, Origem e Qualidade RS estabelece critérios específicos de procedência, rastreabilidade e qualidade para valorizar produtos de origem gaúcha.
A entrega dos selos às 26 marcas de azeite certificadas será realizada em 1º de setembro, às 18h, na Casa do Ibraoliva, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, durante a Expointer.
Fonte: Portal do Agronegócio
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