Braquiária Mavuno se destaca em pesquisa da UFSJ com 17,31 toneladas de folhas por hectare ao ano
Estudo comparou dez materiais de Urochloa em Minas Gerais e mostrou que a produtividade das pastagens deve considerar também a relação folha/colmo; híbrido Mavuno apresentou índice de 4,68 e manteve bom desempenho nos períodos das águas e da seca.
Publicado em: 05/11/2026 às 12:30hs
A escolha de uma braquiária para formação de pastagens não deve considerar apenas o volume total de forragem produzido. A proporção entre folhas e colmos também é um indicador importante para avaliar a composição do pasto e seu potencial de aproveitamento pelos animais. Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa inédita conduzida pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em Minas Gerais, com dez materiais de Urochloa.
Realizado em 2025, no Campo das Vertentes, o estudo comparou nove híbridos de braquiária com a cultivar Marandu, amplamente utilizada na pecuária brasileira. Entre os materiais avaliados, o híbrido Mavuno apresentou o maior resultado numérico de produção anual de folhas, com 17,31 toneladas de matéria seca por hectare, além de uma relação folha/colmo de 4,68.
O resultado reforça a importância de avaliar não apenas a quantidade de capim disponível, mas também sua composição morfológica. Em termos gerais, as folhas apresentam maior valor nutricional e digestibilidade do que os colmos, embora essas características não tenham sido medidas diretamente no experimento.
Pesquisa compara dez materiais de braquiária em Minas Gerais
O trabalho foi desenvolvido no Campus Tancredo de Almeida Neves (CTAN), da UFSJ, e analisou a produção e a composição da forragem durante as estações das águas e da seca.
A pesquisa foi realizada como trabalho de conclusão do curso de Zootecnia de Lucas Miguel Martins, sob orientação da professora doutora Janaina Azevedo Martuscello Vieira da Cunha.
Segundo a orientadora, a avaliação tem importância regional, especialmente pela presença de sistemas de produção de leite baseados em pastagens no Campo das Vertentes.
“O Campo das Vertentes se destaca pela produção de leite, com inúmeras propriedades que utilizam sistemas de produção a pasto. Encontrar híbridos mais adaptados e produtivos às nossas condições é importante para diversificar as pastagens, já que o capim Marandu é predominante na região. É importante destacar, porém, que os resultados são indicativos para as condições locais e que estudos dessa natureza devem ser realizados em outras regiões do país”, explica Janaina.
Mavuno registra 17,31 toneladas de folhas por hectare ao ano
No acumulado anual, o Mavuno produziu 22,15 toneladas de matéria seca por hectare. Desse volume, 17,31 toneladas corresponderam às folhas e 3,69 toneladas aos colmos.
A produção foliar representou aproximadamente 78% da matéria seca total registrada pelo híbrido. O resultado foi cerca de 20% superior ao obtido pelo Marandu, utilizado como cultivar-testemunha.
O Mavuno também apresentou produção de colmos 28,4% menor e relação folha/colmo 66,1% superior à do Marandu. Essas duas diferenças foram estatisticamente significativas.
Na comparação com os demais híbridos avaliados, o estudo identificou uma diferença importante na composição da forragem. Embora os outros materiais tenham apresentado maior produção numérica de matéria seca total, registraram relação folha/colmo de 2,54, diante de 4,68 do Mavuno. A diferença de aproximadamente 85% foi estatisticamente significativa.
Outro aspecto observado foi a baixa produção de inflorescências. No acumulado anual, o Mavuno registrou 3,27 kg por hectare, ficando entre os materiais com menor produção desse componente.
Desempenho da braquiária Mavuno durante o período das águas
Durante a estação chuvosa, o híbrido produziu 16,94 toneladas de matéria seca por hectare. Desse total, 13,60 toneladas corresponderam à massa seca de folhas.
A produção foliar ficou 20,2% acima da registrada pelo Marandu em termos numéricos. A relação folha/colmo alcançou 4,67, enquanto a produção de colmos foi de aproximadamente 2,91 toneladas por hectare.
Para Lucas Miguel Martins, a composição morfológica foi um dos principais diferenciais observados durante a avaliação.
“Em relação à proporção entre folhas e colmos, o desempenho foi muito positivo, com alta produção de folhas, baixa produção de colmos e pouquíssima produção de inflorescências e material morto”, destaca o autor.
O pesquisador também observou a capacidade de recuperação da forrageira após os cortes. Durante o experimento, o Mavuno voltava a atingir a altura estabelecida para o manejo em aproximadamente três semanas, podendo chegar a 25 dias.
Produção de folhas também se mantém na estação seca
O desempenho do híbrido não ficou restrito ao período das águas. Entre junho e outubro, correspondente à estação seca durante o experimento, o Mavuno produziu 5,21 toneladas de matéria seca por hectare.
Desse volume, 3,72 toneladas foram de folhas, resultado 19,76% superior ao da cultivar-testemunha em termos numéricos.
A manutenção de uma participação elevada de folhas e de menor presença de colmos durante a seca é um dos pontos destacados pela pesquisa na avaliação do potencial de utilização do material ao longo do ano. O desempenho, entretanto, deve ser considerado dentro das condições do experimento e associado ao manejo adequado da pastagem.
Relação folha/colmo amplia critérios para escolha de pastagens
A pesquisa evidencia que a produtividade total, isoladamente, não oferece todos os elementos necessários para comparar cultivares destinadas à alimentação animal.
A relação folha/colmo ajuda a identificar quanto da forragem produzida é composto por folhas e quanto corresponde aos colmos. Como as folhas geralmente apresentam características nutricionais mais favoráveis, esse indicador contribui para uma avaliação mais ampla do material.
Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, destaca que o produtor precisa observar o comportamento da forrageira ao longo de todo o ciclo produtivo.
“Na escolha da pastagem, não basta olhar o volume de massa produzido. O produtor precisa considerar quanto dessa produção está em folhas e como o pasto responde nas águas e na seca. O estudo mostra uma combinação relevante de alta produção foliar e menor participação de colmos, indicadores importantes para o aproveitamento da forragem pelos animais”, afirma.
A pesquisa não mediu diretamente o valor nutricional, a digestibilidade ou o consumo pelos animais. Esses aspectos são relacionados à composição da forragem, mas não devem ser apresentados como resultados comprovados pelo experimento.
Resultados indicam potencial, mas exigem avaliações regionais
Para a Wolf Seeds, o estudo reforça a importância de ampliar os critérios técnicos utilizados na escolha de cultivares de braquiária. Além da produção total de matéria seca, a composição da forragem, a distribuição da produção entre águas e seca e a resposta da planta ao manejo são fatores relevantes para a avaliação de uma pastagem.
Os resultados colocam o Mavuno em destaque nas condições avaliadas em São João del-Rei, especialmente pela produção anual de folhas e pela relação folha/colmo. A própria equipe da UFSJ ressalta, contudo, que os dados são indicativos para as condições locais e que novas pesquisas em outras regiões brasileiras são necessárias para ampliar a compreensão do desempenho dos híbridos de braquiária.
Fonte: Portal do Agronegócio
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