Pragas nas pastagens ameaçam oferta de alimento e produtividade da pecuária
Cigarrinhas e lagartas reduzem a produção de forragem, enquanto o carrapato-do-boi prejudica o rebanho; monitoramento e manejo integrado ajudam a conter perdas
Publicado em: 04/11/2026 às 14:00hs
O ataque de pragas nas pastagens pode reduzir a disponibilidade de alimento, limitar a capacidade de lotação dos piquetes e comprometer o desempenho dos bovinos. Cigarrinhas-das-pastagens e lagartas estão entre as ameaças à produção de forragem, enquanto o carrapato-do-boi acrescenta prejuízos à saúde animal e aos resultados da pecuária.
Quando as infestações avançam sem identificação e controle adequados, a redução da massa verde pode exigir maior investimento em suplementação e dificultar o ganho de peso do rebanho. Por isso, o acompanhamento das áreas de pastejo deve integrar o planejamento produtivo da propriedade.
Segundo Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, a estratégia precisa combinar identificação precoce, medidas preventivas e ferramentas adequadas a cada situação, com orientação técnica.
Cigarrinhas comprometem a produção de forragem no período chuvoso
As cigarrinhas-das-pastagens, especialmente espécies do gênero Mahanarva, alimentam-se das gramíneas e provocam danos associados ao amarelecimento e à seca das folhas. O resultado é a perda de biomassa e a redução do alimento disponível aos animais.
Conforme informações técnicas apresentadas pela IHARA, infestações severas podem diminuir em até 70% a disponibilidade de forragem. A intensidade dos prejuízos varia de acordo com a infestação e as condições da pastagem.
O período chuvoso exige atenção porque reúne condições favoráveis tanto ao crescimento do capim quanto à proliferação dos insetos. Assim, o ataque pode limitar a produção justamente quando o pecuarista espera maior oferta de alimento.
A redução da massa de forragem também pode diminuir o número de animais mantidos por hectare e elevar a necessidade de suplementação.
Lagarta-do-cartucho exige identificação antes do avanço dos danos
A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) também pode atacar pastagens e prejudicar o estabelecimento das forrageiras. Áreas próximas a lavouras merecem atenção no monitoramento.
Nas fases iniciais, as lagartas raspam as folhas. À medida que crescem, passam a consumir porções maiores do tecido vegetal, comprometendo a área foliar e a formação do pasto.
Segundo os dados técnicos citados no material, cada lagarta pode consumir, em média, cerca de 140 centímetros quadrados de folhas de capim durante seu desenvolvimento. Aproximadamente 85% desse consumo se concentra nos dois últimos estágios larvais.
Essa dinâmica torna a identificação precoce importante para evitar que a infestação alcance uma fase de maior capacidade de destruição. Corsini destaca que o monitoramento de mariposas pode ajudar a antecipar possíveis surtos e organizar as intervenções.
Carrapato-do-boi demanda atenção ao rebanho e ao ambiente
Enquanto cigarrinhas e lagartas afetam diretamente a oferta de pasto, o carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus) compromete a saúde e o desempenho dos bovinos.
O parasita pode reduzir a produção de leite, prejudicar o ganho de peso e aumentar os gastos com tratamentos. Também transmite agentes causadores da Tristeza Parasitária Bovina.
Parte importante de sua dinâmica ocorre fora do hospedeiro. Após deixar o animal, a fêmea realiza a postura no ambiente; depois da eclosão, as larvas permanecem na vegetação à espera de bovinos.
Essa presença na pastagem ajuda a explicar a continuidade das reinfestações. O planejamento do controle deve considerar o rebanho e o ambiente, com avaliação técnica sobre as medidas adequadas à realidade de cada propriedade.
Manejo integrado começa pelo acompanhamento dos piquetes
A prevenção depende de observar regularmente as pastagens, identificar as pragas e acompanhar a evolução das infestações. Esse trabalho permite definir o momento de intervenção antes que os danos comprometam uma parcela maior da área.
Entre as medidas que podem compor o manejo integrado estão:
- Escolha de forrageiras tolerantes, considerando as pragas presentes na região;
- Diversificação das pastagens, conforme as condições da propriedade;
- Manejo dos piquetes, integrado à disponibilidade de forragem;
- Monitoramento de insetos e carrapatos, com identificação dos focos iniciais;
- Uso criterioso de ferramentas de controle, respeitando registro, indicação e recomendações de aplicação.
Para inseticidas utilizados nas pastagens, a escolha deve considerar a cultura e o alvo autorizados, além das orientações de bula. A rotação de mecanismos de ação, quando tecnicamente indicada, também integra as estratégias de manejo da resistência.
Proteção do pasto influencia os resultados da pecuária
O controle das pragas precisa levar em conta a interação entre lavouras e pastagens, as condições climáticas e o desenvolvimento das populações ao longo do tempo.
Na avaliação de Corsini, tratar pastagem e rebanho como partes de um mesmo sistema ajuda a planejar ações mais eficientes. Com monitoramento e manejo adequado, o produtor pode reduzir a pressão das pragas, preservar a oferta de alimento e limitar perdas no desempenho animal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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