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Pragas e Doenças

Mosca-branca na soja: risco de seca e calor reforça alerta para a safra 2026/27

Pesquisador e equipe técnica apontam possibilidade de maior pressão da praga no Matopiba e em áreas do Centro-Oeste e Sudeste; monitoramento das ninfas é decisivo para orientar o manejo


Publicado em: 04/11/2026 às 08:00hs

Mosca-branca na soja: risco de seca e calor reforça alerta para a safra 2026/27

A mosca-branca (Bemisia tabaci) exige atenção nas lavouras de soja da safra 2026/27, especialmente em regiões sujeitas a períodos de seca e calor intenso. O pesquisador Germison Tomquelski, da Desafios Agro, alerta para a possibilidade de ataques severos no Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A equipe técnica da Sipcam Nichino Brasil também aponta riscos para áreas de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Na avaliação dos profissionais, condições quentes e secas associadas ao cenário de El Niño podem favorecer a pressão da praga. A intensidade das infestações, entretanto, dependerá das condições locais e da evolução das populações no campo.

Segundo Tomquelski, os prejuízos podem variar de 10% a 70% da produção quando a mosca-branca não é controlada. Essa faixa representa o potencial de danos citado pelo pesquisador, e não uma previsão de perdas para toda a área cultivada.

Monitoramento deve começar antes do fechamento da soja

O acompanhamento frequente das lavouras é uma das principais medidas destacadas pelo pesquisador para identificar a infestação e orientar o momento de controle.

Tomquelski recomenda atenção à presença das primeiras ninfas nos folíolos, inclusive no período anterior ao fechamento das entrelinhas. Em sua orientação, a identificação de duas a três ninfas por folíolo já merece avaliação para a tomada de decisão.

O posicionamento do tratamento deve considerar a situação da lavoura, a orientação agronômica e as recomendações do produto utilizado. A identificação precoce ajuda a evitar que o crescimento populacional dificulte o manejo.

Como a mosca-branca prejudica a produtividade

De acordo com Eric Ono, engenheiro agrônomo e gerente de portfólio de produtos e cultivos extensivos da Sipcam Nichino Brasil, a mosca-branca suga a seiva e compromete os recursos disponíveis para o desenvolvimento da soja.

Infestações intensas podem provocar desfolha precoce e redução do potencial produtivo. Outro problema é a deposição de uma substância açucarada nas folhas, que favorece o desenvolvimento da fumagina.

Essa cobertura escura prejudica a fotossíntese e amplia os efeitos da infestação. Ono acrescenta que, em situações menos frequentes e em cultivares suscetíveis, a praga também pode transmitir vírus.

Ninfas ficam na parte inferior das folhas

Ono destaca que as ninfas merecem atenção por sua concentração na face inferior das folhas, onde se alimentam e podem passar despercebidas em avaliações superficiais.

Segundo o agrônomo, o controle nessa fase busca interromper o desenvolvimento das populações antes que a infestação se amplie. Por isso, observar apenas a presença de adultos pode limitar a compreensão do problema na lavoura.

A equipe técnica da empresa informa que está mobilizada nas regiões consideradas mais suscetíveis para apoiar produtores na identificação e no manejo da praga.

Empresa destaca inseticida regulador de crescimento

Entre as ferramentas apresentadas pela Sipcam Nichino está o Fiera®, formulado com buprofezina. Segundo a companhia, o produto atua como regulador de crescimento, com ação sobre o desenvolvimento das ninfas.

Ono explica que a mortalidade ocorre durante a mudança de estágio de desenvolvimento do inseto, processo conhecido como troca de ínstar. A empresa também relata efeitos sobre a fecundidade e a fertilidade das fêmeas.

Essas características devem ser consideradas no posicionamento da aplicação, conforme as orientações técnicas e de uso do inseticida.

Preparação antecipada ajuda a enfrentar possíveis infestações

Tomquelski defende que o produtor organize o manejo antes de a praga atingir níveis elevados. Isso envolve acompanhar a lavoura, identificar as fases do inseto e planejar o acesso às ferramentas de controle.

O pesquisador relata que, em temporadas anteriores com infestações críticas, houve dificuldade para encontrar inseticidas específicos no mercado.

Para a safra 2026/27, o alerta dos profissionais é concentrar esforços no monitoramento e na resposta no momento adequado, ajustando as decisões à pressão efetivamente observada em cada área.

Fonte: Portal do Agronegócio

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