Doenças da soja: pré-fechamento das entrelinhas é decisivo para proteger a lavoura
Avanço da cobertura foliar dificulta a chegada dos fungicidas às folhas inferiores e exige atenção ao manejo preventivo da ferrugem-asiática e da mancha-parda
Publicado em: 03/11/2026 às 15:30hs
O pré-fechamento das entrelinhas da soja é uma janela estratégica para o manejo preventivo de doenças. Nessa fase, o crescimento das plantas e o aumento da cobertura foliar começam a limitar a passagem da pulverização até as folhas inferiores, tornando mais desafiadora a distribuição dos fungicidas pela lavoura.
A atenção ao momento da aplicação é especialmente importante para o controle da ferrugem-asiática e da mancha-parda. O planejamento deve considerar o desenvolvimento da cultura, as condições climáticas, o histórico da área e a ocorrência de doenças na região, além da capacidade operacional da propriedade.
Segundo Paulo Moraes Gonçalves, especialista em desenvolvimento de mercado da Ourofino Agrociência, a aproximação do fechamento das entrelinhas altera as condições de aplicação e exige antecipação das decisões de manejo.
Por que o fechamento das entrelinhas exige atenção
À medida que a soja se desenvolve, folhas e caules formam uma cobertura mais densa, chamada de dossel vegetativo. Com a redução dos espaços entre as linhas, aumenta a dificuldade de fazer a pulverização alcançar as partes média e inferior das plantas.
Esse processo exige cuidado com a proteção das chamadas folhas baixeiras. Adiar uma aplicação prevista no programa de manejo pode significar realizar a operação em uma lavoura com maior barreira física à passagem das gotas.
Por isso, o acompanhamento frequente da área e o planejamento das operações ajudam a posicionar os tratamentos antes que o adensamento da vegetação comprometa ainda mais a cobertura.
Ferrugem-asiática e mancha-parda demandam manejo preventivo
Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a ferrugem-asiática está entre as doenças mais severas da soja. Segundo publicação da Embrapa Soja citada no material técnico, as perdas de produtividade podem chegar a 90% quando a doença não é controlada.
Os primeiros sintomas tendem a ocorrer nas folhas do terço inferior, justamente a região que se torna mais difícil de atingir com o avanço do fechamento da lavoura.
A mancha-parda, provocada pelo fungo Septoria glycines, também deve integrar o planejamento fitossanitário. Seu manejo exige atenção à proteção preventiva e à distribuição do fungicida sobre as folhas.
Nesse contexto, a identificação visual de sintomas não deve ser o único parâmetro para decidir o momento de intervenção. A avaliação precisa reunir informações sobre a cultura, o ambiente e o risco de ocorrência das doenças.
Qualidade da pulverização influencia a proteção das folhas
O posicionamento do fungicida e a qualidade da aplicação precisam caminhar juntos. Mesmo quando a operação ocorre na janela planejada, a distribuição do produto depende de fatores técnicos e ambientais.
Entre os pontos que exigem acompanhamento estão:
- Calibração e regulagem do pulverizador;
- Volume de calda e tamanho das gotas;
- Condições ambientais durante a operação;
- Estádio de desenvolvimento e densidade da lavoura;
- Capacidade de alcançar os diferentes estratos das plantas.
Com o aumento da massa foliar, esses cuidados ganham importância para melhorar a cobertura e reduzir falhas na distribuição do tratamento.
Fungicidas devem integrar um programa de manejo
Entre as ferramentas citadas pela Ourofino Agrociência está o Dotte®, fungicida composto por protioconazol e picoxistrobina, registrado para o controle da ferrugem-asiática e da mancha-parda na soja.
Conforme a recomendação de uso apresentada pela empresa, a primeira aplicação para ferrugem-asiática deve ocorrer preventivamente, a partir do pré-fechamento das entrelinhas. Para mancha-parda, o posicionamento preventivo é indicado até o estádio R2, correspondente ao florescimento pleno.
Essas orientações são específicas do produto e devem ser observadas conforme a bula e a avaliação técnica de cada lavoura.
Alternância de modos de ação ajuda no manejo da resistência
A escolha do fungicida deve fazer parte de uma estratégia integrada. A recomendação de uso do produto prevê a alternância de fungicidas com diferentes modos de ação, medida voltada à redução da pressão de seleção de patógenos resistentes.
Na avaliação de Gonçalves, produto, momento de aplicação, cobertura das folhas e manejo da resistência precisam ser considerados em conjunto. O pré-fechamento oferece uma oportunidade para organizar a proteção antes que o desenvolvimento da soja torne a pulverização mais complexa.
A definição do manejo deve considerar as condições climáticas, a ocorrência regional das doenças e a estrutura operacional da fazenda, seguindo a bula, o receituário agronômico e a orientação de profissional habilitado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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