Soja sobe no Brasil com dólar forte e tenta reação em Chicago após queda de mais de 1%
Câmbio estimula negócios no mercado brasileiro, enquanto colheita americana chega a 88%; frete, reforma tributária e perspectivas da safra nova mantêm agentes cautelosos
Publicado em: 03/11/2026 às 11:30hs
Os preços da soja ganharam força no Brasil com a valorização do dólar frente ao real, que ampliou a competitividade do produto nacional e estimulou o interesse de compradores estrangeiros. Segundo o Cepea, o movimento aumentou a liquidez doméstica na última semana e levou as cotações de volta aos patamares do início de outubro.
No exterior, os contratos futuros iniciaram a terça-feira (3) em recuperação na Bolsa de Chicago (CBOT), após perdas superiores a 1% na segunda-feira. O mercado avalia a entrada da safra norte-americana, os indicadores de processamento industrial e as compras chinesas, além do avanço do plantio na América do Sul.
Dólar impulsiona soja no Brasil e favorece negócios no spot
A alta da moeda norte-americana melhorou as condições de negociação da soja brasileira no mercado internacional, com reflexos sobre os preços internos.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o interesse pelo mercado spot, de comercialização imediata, também foi reforçado pelas dúvidas sobre o custo do transporte nos próximos meses, especialmente diante das perspectivas de encarecimento do diesel.
O cenário, porém, não se traduziu em maior disposição para comprometer volumes futuros. Agentes brasileiros demonstraram menor interesse em contratos a termo, sobretudo para embarques em 2027.
As incertezas sobre o frete rodoviário e as discussões da reforma tributária têm ampliado a cautela. Nesse ambiente, parte dos agentes prefere manter estoques remanescentes da safra anterior a fechar antecipadamente entregas para os próximos meses.
Chicago tenta recuperar perdas no início de novembro
Por volta das 7h02, no horário de Brasília, o contrato novembro/26 avançava 5,25 cents, negociado a US$ 12,1000 por bushel.
Janeiro/27 subia 3,50 cents, para US$ 12,2025 por bushel. Março/27 apresentava ganho de 1,75 cent, a US$ 12,2825, enquanto maio/27 avançava 1 cent, cotado a US$ 12,3800.
A reação devolvia apenas parte das perdas da sessão anterior. Na segunda-feira (2), novembro/26 caiu 1,43%, para US$ 12,0475 por bushel, e janeiro/27 recuou 1,42%, encerrando a US$ 12,1675.
Segundo a TF Agroeconômica, a pressão sazonal da colheita americana prevaleceu sobre os sinais positivos da demanda. Os derivados também fecharam em baixa: o farelo para dezembro perdeu 1,54%, para US$ 319,60 por tonelada curta, e o óleo recuou 1,24%, a 65,08 cents por libra-peso.
Colheita americana alcança 88% e amplia disponibilidade
O USDA confirmou que a colheita de soja dos Estados Unidos atingiu 88% da área até 1º de novembro, avanço de nove pontos percentuais na semana. O resultado supera a média de 84% dos últimos cinco anos.
O ritmo adiantado amplia a disponibilidade física do grão e ajuda a explicar a pressão recente sobre Chicago, mesmo com o desempenho expressivo das exportações.
Os operadores também acompanham as expectativas para o relatório mensal de oferta e demanda do USDA, o WASDE, previsto para 10 de novembro. Conforme a TF Agroeconômica, a possibilidade de números com viés baixista contribuiu para a cautela na sessão de segunda-feira.
Esmagamento dos EUA recua, mas estoques de óleo também diminuem
O processamento industrial norte-americano apresentou retração em setembro. Segundo o relatório Fats and Oils, do USDA, foram esmagados 199 milhões de bushels de soja, aproximadamente 5% abaixo dos 210 milhões de agosto e 3% menos que os 205 milhões de setembro de 2025.
A produção de óleo bruto ficou em 2,31 bilhões de libras. Já os estoques do produto caíram cerca de 16% na comparação mensal, para 1,07 bilhão de libras.
Os dados acrescentam fatores distintos à análise do complexo soja: o processamento menor indica desaceleração da demanda industrial no período, enquanto a redução dos estoques limita a disponibilidade armazenada de óleo.
China mantém compras e inspeções de exportação seguem elevadas
As inspeções norte-americanas de soja para exportação somaram 2,445 milhões de toneladas na semana encerrada em 29 de outubro, segundo o USDA.
Apesar da pequena redução semanal, o volume ficou 146% acima do registrado no mesmo período de 2025. No acumulado da temporada 2026/27, as inspeções chegaram a 12,18 milhões de toneladas, crescimento de 56% na comparação anual.
A China foi destino de aproximadamente 1,524 milhão de toneladas do volume semanal inspecionado. O USDA também confirmou uma venda adicional de 136 mil toneladas da safra 2026/27 ao país asiático.
Embora esses números reforcem a presença chinesa no mercado, a demanda não impediu a queda de segunda-feira diante do avanço da oferta americana.
Plantio da soja chega a 53% no Brasil
Na América do Sul, o andamento das lavouras permanece decisivo para as expectativas de abastecimento. Segundo a AgRural, o plantio brasileiro da safra 2026/27 alcançou 53% da área prevista, acima dos 47% registrados no mesmo período do ciclo anterior.
O avanço mantém a atenção sobre a distribuição das chuvas e o estabelecimento das plantas nas principais regiões produtoras. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estimou a semeadura em 23,3% da área projetada.
Em avaliação ao Notícias Agrícolas, Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, destacou que as perspectivas favoráveis para a produção brasileira e as revisões das expectativas de demanda internacional podem limitar uma recuperação mais consistente de Chicago.
O analista também apontou a possibilidade de pressão adicional sobre os prêmios de exportação da safra nova.
Derivados sobem no Brasil, com destaque para prêmios do óleo
Apesar das perdas dos derivados em Chicago na segunda-feira, o Cepea identificou valorização desses produtos no mercado brasileiro nos últimos dias.
No óleo de soja, a demanda aquecida levou os prêmios de exportação ao maior patamar desde março. A queda do preço FOB, entretanto, limitou o avanço das cotações nacionais.
Para a comercialização do grão, o cenário combina sustentação cambial no Brasil e pressão da oferta no exterior. Dólar, prêmios, frete e prazo de entrega continuam determinantes para o resultado das negociações, enquanto o desenvolvimento da safra sul-americana orienta as expectativas para os próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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