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Fruticultura e Horticultura

EUDR pode ampliar volatilidade do cacau e mudar comércio global, aponta Hedgepoint

Exigências europeias de rastreabilidade podem diferenciar preços entre origens e redirecionar compras em uma cadeia concentrada na África Ocidental.


Publicado em: 03/11/2026 às 11:50hs

EUDR pode ampliar volatilidade do cacau e mudar comércio global, aponta Hedgepoint

O Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR) pode aumentar a volatilidade no mercado internacional de cacau e alterar os fluxos de abastecimento da União Europeia. A avaliação é da Hedgepoint Global Markets, que destaca diferenças na preparação dos fornecedores africanos para comprovar a origem e a conformidade da produção.

Segundo o relatório, a aplicação da norma está programada para 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, após sucessivos adiamentos. A regulamentação exige comprovação de que o cacau comercializado no mercado europeu não está associado ao desmatamento ocorrido após dezembro de 2020, além do atendimento a critérios de legalidade e rastreabilidade.

Para a consultoria, as dificuldades de adequação podem criar diferenças de preços entre produtos aptos a atender às exigências europeias e aqueles que não conseguem comprovar conformidade.

Dependência da África Ocidental amplia exposição do mercado europeu

A África Ocidental responde por cerca de 60% da oferta mundial de cacau, conforme os dados apresentados pela Hedgepoint. A concentração torna o avanço da rastreabilidade na região especialmente importante para os compradores europeus.

As amêndoas representam aproximadamente 83% do volume das importações europeias de cacau e derivados, enquanto a manteiga responde por uma participação média de 12%.

Nas últimas dez safras, a Costa do Marfim forneceu 48% das amêndoas importadas pela União Europeia. Gana respondeu por 13%, Nigéria por 11% e Camarões por 10%. Juntos, os quatro países concentraram mais de 80% do abastecimento.

No caso da manteiga de cacau, Costa do Marfim, Gana e Camarões representaram, respectivamente, 42%, 25% e 10% das importações europeias, somando 77%.

Rastreabilidade avança em ritmos diferentes entre fornecedores

O relatório mostra que os principais países africanos apresentam estágios distintos de preparação para o EUDR.

Na Costa do Marfim, levantamento da Trase divulgado em 2026 indica que 48% das exportações de cacau realizadas em 2024 eram diretamente rastreáveis até cooperativas identificadas.

Em Gana, 83% das compras diretas das empresas participantes da Cocoa & Forests Initiative eram rastreáveis até a parcela produtiva em 2023.

Já Camarões informou que 99% das áreas de produção de cacau e café contavam com sistemas de geolocalização e rastreabilidade em 2025. Na Nigéria, estimativas setoriais apontam que mais da metade da produção pode enfrentar dificuldades para cumprir as exigências europeias.

Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, ressalta que os indicadores possuem abrangências diferentes e não permitem uma comparação direta.

“Embora os indicadores tenham abrangências distintas, os resultados evidenciam diferentes estágios de preparação e possíveis riscos de restrição comercial para determinadas origens”, afirma.

Cacau em conformidade pode ter diferenciação de preços

Entre os possíveis efeitos da regulamentação, a Hedgepoint aponta mudanças nos diferenciais físicos negociados entre origens.

A capacidade de comprovar conformidade com o EUDR pode influenciar a remuneração do produto e as decisões de compra. Ao mesmo tempo, dificuldades de adequação podem estimular importadores europeus a buscar fornecedores alternativos.

Outra possibilidade mencionada pela consultoria é a antecipação de compras de amêndoas e derivados antes da aplicação da norma. A intensidade desses movimentos, porém, permanece incerta.

Equador amplia participação nas compras europeias

A diversificação do abastecimento já aparece nos dados comerciais. A participação do Equador nas importações europeias de amêndoas passou de 5% em 2021/22 para 10% em 2025/26, em um período marcado por restrições de oferta na África Ocidental.

No mesmo intervalo, a fatia da Costa do Marfim recuou de 51% para 40%.

Esse movimento antecede a aplicação do EUDR, mas mostra que a composição das compras europeias já está mudando diante das condições de oferta.

Clima e moagens continuam determinantes para o preço do cacau

A regulamentação acrescenta incerteza a um mercado que também acompanha o ambiente macroeconômico, as condições políticas e os ajustes nas posições dos investidores.

Nos fundamentos, o clima na África Ocidental segue decisivo para o desempenho da produção. Já o ritmo das moagens nos próximos trimestres ajudará a dimensionar a demanda e o superávit global.

Para Carolina França, ainda não é possível definir a magnitude ou a direção dos efeitos comerciais da norma. A expectativa da Hedgepoint é que o EUDR se torne um fator adicional de volatilidade nos diferenciais de preços e na dinâmica internacional do cacau.

Fonte: Portal do Agronegócio

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