Farsul cobra votação da MP 1.376 e ampliação da renegociação de dívidas rurais
Federação alerta para risco de perda de vigência da medida e afirma que os valores renegociados ainda estão abaixo das necessidades dos produtores
Publicado em: 03/11/2026 às 11:45hs
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) intensificou a mobilização no Congresso Nacional para cobrar a votação e a ampliação da Medida Provisória nº 1.376/2026, voltada à renegociação de dívidas rurais. Segundo a entidade, o prazo para deliberação termina em 11 de novembro, o que exige articulação para evitar a perda de vigência da norma.
A federação defende mudanças para facilitar o acesso dos produtores, ampliar o enquadramento das operações e assegurar tempo suficiente para solicitar, analisar e contratar as renegociações. Na avaliação da entidade, o alcance atual do mecanismo permanece distante da dimensão do endividamento no campo.
Crédito rural problemático chega a R$ 205,46 bilhões no Brasil
Dados do Banco Central destacados pela Farsul mostram que o saldo problemático do crédito rural brasileiro cresceu 47,7% entre agosto de 2025 e agosto de 2026, passando de R$ 139,08 bilhões para R$ 205,46 bilhões.
Esse conjunto inclui operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas.
No Rio Grande do Sul, o volume aumentou 26,4% no mesmo intervalo, de R$ 34,94 bilhões para R$ 44,18 bilhões. Conforme os números apresentados pela federação, o montante corresponde a 39,2% da carteira de crédito rural do estado.
Para a entidade, os indicadores demonstram a necessidade de ampliar os instrumentos de reorganização financeira dos produtores.
Renegociações pela MP somam R$ 5,55 bilhões até setembro
Segundo registros do Sistema de Operações de Crédito Rural e do Proagro (Sicor) citados pela Farsul, as operações de composição de dívidas vinculadas à medida provisória alcançaram R$ 5,55 bilhões no Brasil até 30 de setembro de 2026.
Desse total, R$ 4,58 bilhões correspondiam a operações no Rio Grande do Sul.
A federação reconhece que os dados de renegociação e de crédito problemático têm recortes distintos. Os registros mencionados também não abrangem, por exemplo, renegociações de Cédulas de Produto Rural (CPRs).
Ainda assim, na avaliação da entidade, os valores sinalizam uma diferença expressiva entre a necessidade de reestruturação das dívidas e o volume atendido pelo mecanismo.
Farsul busca acordo para ampliar acesso dos produtores
A mobilização inclui pronunciamento nas redes sociais e envio de ofícios a lideranças do Congresso. Entre os destinatários estão o relator da matéria, deputado federal Paulo Pimenta, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, e os senadores Renan Calheiros e Tereza Cristina.
Diante do relatório apresentado e da possibilidade de voto em separado pela FPA, a Farsul defende a construção de um acordo que permita aperfeiçoar o texto.
As principais reivindicações são reduzir entraves burocráticos, ampliar as condições de enquadramento e garantir prazo viável para a contratação. A preocupação envolve todas as etapas, desde o requerimento do produtor até a análise e a formalização da operação.
Entidade aponta risco para o financiamento das próximas safras
Segundo estimativa da Farsul, cerca de 80% dos produtores rurais poderão ficar sem acesso ao alongamento das obrigações caso a medida perca a vigência sem os ajustes defendidos pela entidade.
A federação avalia que a limitação das renegociações pode comprometer a liquidez das propriedades e dificultar o planejamento das próximas safras, especialmente em atividades altamente mecanizadas.
Com a aproximação do prazo informado para votação, a entidade concentra esforços na aprovação de um texto que amplie o atendimento e ofereça condições para a reorganização financeira do setor produtivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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