Síndrome da Murcha da Cana ameaça produtividade e exige manejo preventivo nos canaviais
Monitoramento dos sintomas e integração de ferramentas, incluindo soluções biológicas, ajudam a reduzir a pressão de patógenos e preservar a qualidade da matéria-prima
Publicado em: 03/11/2026 às 13:00hs
A Síndrome da Murcha da Cana-de-açúcar (SMC) representa um desafio para a produtividade e a longevidade dos canaviais. Associada a patógenos como o fungo Colletotrichum falcatum, a condição pode comprometer o desenvolvimento das plantas e a qualidade da matéria-prima destinada à indústria sucroenergética.
Entre os possíveis efeitos estão a redução das toneladas de cana por hectare (TCH), perdas no açúcar total recuperável (ATR) e o comprometimento da vida produtiva da lavoura. A intensidade dos danos depende da severidade da ocorrência e das condições do canavial.
Embora o melhoramento genético seja uma das principais estratégias de enfrentamento das doenças da cultura, a síndrome reforça a necessidade de combinar diferentes ferramentas de manejo.
Quais são os sintomas da Síndrome da Murcha da Cana?
Lesões avermelhadas na nervura central das folhas, perda de vigor e alterações nos tecidos internos estão entre os sinais que exigem atenção. Em situações mais severas, as plantas também podem apresentar murchamento e comprometimento de sua estrutura.
A presença desses sintomas, porém, exige uma avaliação cuidadosa. Alterações semelhantes podem ocorrer em outras doenças ou em situações de desequilíbrio nutricional, enquanto a murcha pode ter diferentes causas.
Por isso, o diagnóstico deve considerar o conjunto dos sintomas, sua evolução e as condições da lavoura, evitando conclusões baseadas apenas na aparência de uma planta.
Impactos podem alcançar os indicadores industriais
Além dos efeitos sobre o crescimento da cana-de-açúcar, a síndrome pode prejudicar características importantes para o processamento industrial.
Segundo Júlia Veiga, engenheira agrônoma e coordenadora de marketing da Biotrop, o comprometimento da qualidade tecnológica da matéria-prima pode se refletir nos indicadores industriais, conforme a severidade da infecção.
Esse cenário amplia a importância da identificação precoce, tanto para preservar o potencial agrícola quanto para reduzir possíveis perdas na qualidade da cana entregue às usinas.
Monitoramento e prevenção orientam o manejo integrado
O acompanhamento contínuo dos talhões permite identificar alterações no desenvolvimento das plantas e orientar as decisões de manejo.
A prevenção envolve a integração de ferramentas para reduzir a pressão dos patógenos associados à síndrome. Nesse contexto, as soluções biológicas podem compor a estratégia de proteção dos canaviais, em conjunto com o monitoramento e a avaliação técnica.
De acordo com Júlia, os diferentes mecanismos de ação dos biológicos ampliam as possibilidades de manejo preventivo. A contribuição dessas ferramentas deve ser considerada conforme os alvos de controle e as condições de cada área.
Biofungicida tem registro para patógeno associado à síndrome
Entre as tecnologias apresentadas pela Biotrop está o biofungicida Bombardeiro. Segundo a empresa, o produto possui registro para o controle de Colletotrichum falcatum, causador da podridão-vermelha e um dos patógenos associados à Síndrome da Murcha da Cana.
A companhia informa que a tecnologia também tem registro para o controle da estria-vermelha, causada pela bactéria Acidovorax avenae, e contabiliza mais de 1,8 milhão de hectares tratados no setor sucroenergético.
O controle de um patógeno associado à SMC deve ser compreendido como parte do manejo integrado. A avaliação da lavoura e a identificação das causas dos sintomas continuam essenciais para definir uma estratégia adequada de proteção do canavial.
Fonte: Portal do Agronegócio
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