Publicidade
Pragas e Doenças

Percevejo-marrom e doenças da soja exigem atenção para proteger a safra 2026/27

Monitoramento da lavoura, preservação da área foliar e manejo integrado ajudam a reduzir danos aos grãos diante das variações de chuva e temperatura


Publicado em: 28/10/2026 às 13:30hs

Percevejo-marrom e doenças da soja exigem atenção para proteger a safra 2026/27

O percevejo-marrom e as doenças da soja estão entre os desafios fitossanitários que exigem planejamento na safra 2026/27. Variações na distribuição das chuvas e nas temperaturas podem modificar as condições de desenvolvimento de insetos e patógenos, tornando o acompanhamento da lavoura decisivo para preservar o potencial produtivo.

A influência do clima, entretanto, não determina isoladamente a ocorrência desses problemas. O histórico do talhão, a suscetibilidade das cultivares, o estádio de desenvolvimento da soja e as práticas de manejo também precisam ser considerados nas decisões.

Nesse cenário, o planejamento deve reunir monitoramento frequente, identificação correta dos problemas e uso de diferentes mecanismos de ação, com ajustes conforme a pressão observada em cada área.

Manejo fitossanitário deve acompanhar as condições de cada região

Diferenças nas condições ambientais impedem a adoção de uma estratégia única para todas as regiões produtoras. Mesmo dentro de uma propriedade, talhões podem apresentar situações distintas e exigir avaliações específicas.

Segundo o engenheiro agrônomo Gustavo Corsini, gerente de Marketing Regional da IHARA, conhecer o comportamento do percevejo-marrom e das principais doenças presentes na área amplia a capacidade de intervenção no momento adequado.

Entre os problemas que merecem atenção estão a ferrugem-asiática, a mancha-alvo e as doenças de final de ciclo, que podem comprometer a manutenção das folhas e o enchimento dos grãos.

A combinação de condições favoráveis aos patógenos, aumento da população de insetos e decisões tardias pode ampliar os prejuízos justamente nas fases em que a cultura define seu rendimento.

Ferrugem-asiática e mancha-alvo ameaçam a área foliar

Preservar folhas sadias é uma prioridade no manejo das doenças fúngicas da soja. O acompanhamento precisa relacionar as condições ambientais com a ocorrência e a evolução dos sintomas no campo.

A mancha-alvo pode avançar quando encontra condições favoráveis de umidade e provocar desfolha em cultivares suscetíveis. O fungo consegue sobreviver em restos culturais e sementes infectadas, o que reforça a importância de considerar o histórico da área no planejamento.

Já a ferrugem-asiática encontra condições favoráveis em períodos de molhamento foliar prolongado. A doença pode atingir a soja em diferentes estádios e causar desfolha precoce, prejudicando a formação das vagens e o enchimento dos grãos.

O manejo desses problemas exige uma estratégia integrada, com acompanhamento da lavoura e escolha de ferramentas adequadas às doenças identificadas. A diversificação dos mecanismos de ação também deve fazer parte do planejamento para reduzir a pressão de seleção de populações resistentes.

Doenças de final de ciclo podem comprometer o enchimento dos grãos

A atenção à sanidade foliar deve continuar durante a fase reprodutiva. Entre as doenças de final de ciclo estão a mancha-parda e o crestamento foliar de cercóspora, cuja ocorrência e intensidade variam conforme o ambiente e as condições da lavoura.

Esses problemas podem reduzir a área foliar em um período importante para a formação da produção. Por isso, as decisões de manejo precisam considerar a necessidade de manter as plantas sadias ao longo do enchimento dos grãos.

Corsini destaca que as etapas finais de proteção da lavoura têm relação direta com a sustentação desse processo. A estratégia deve acompanhar a evolução da cultura, a pressão das doenças e as condições ambientais, evitando decisões baseadas apenas no calendário.

Percevejo-marrom exige monitoramento na fase reprodutiva

O percevejo-marrom também demanda acompanhamento sistemático, especialmente durante o desenvolvimento reprodutivo da soja, quando há disponibilidade de alimento favorável à manutenção e à multiplicação da praga.

A alimentação do inseto pode comprometer os grãos em formação, reduzir a produtividade e prejudicar a qualidade das sementes e do produto colhido.

Segundo o pesquisador em entomologia Clérison Perini, o monitoramento no período crítico é fundamental para orientar o controle e limitar os danos. A avaliação da população permite acompanhar a evolução da infestação e identificar a necessidade de intervenção.

Além da quantidade de insetos, a tomada de decisão deve considerar o estádio da cultura e a finalidade da produção, com orientação técnica para definir a estratégia de manejo.

Integração de medidas ajuda a reduzir perdas na soja

A proteção da lavoura depende da combinação entre conhecimento do histórico da área, inspeções frequentes e capacidade de ajustar as operações ao cenário encontrado no campo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Acompanhar a população de percevejos, sobretudo durante a fase reprodutiva.
  • Identificar e monitorar doenças, observando sintomas e condições favoráveis ao seu avanço.
  • Preservar a área foliar durante a formação e o enchimento dos grãos.
  • Alternar mecanismos de ação, dentro de um programa de manejo da resistência.
  • Adequar as intervenções à realidade de cada talhão, com orientação agronômica.

Para Corsini, o manejo não deve ficar restrito à reação depois que o problema se instala. A observação da evolução fitossanitária permite ajustar as decisões à pressão de pragas e doenças, ao desenvolvimento da soja e às condições climáticas ao longo da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias