Publicidade
Soja

Soja sobe R$ 5 em Santa Catarina e tenta recuperação em Chicago; preços recuam no RS e Paraná

Compras técnicas sustentam reação dos futuros após duas sessões de perdas; no Brasil, câmbio, frete e avanço do plantio provocam diferenças entre as praças


Publicado em: 28/10/2026 às 11:40hs

Soja sobe R$ 5 em Santa Catarina e tenta recuperação em Chicago; preços recuam no RS e Paraná
Foto: FMC

O mercado da soja apresenta movimentos distintos no Brasil, com alta de R$ 5 por saca em Abelardo Luz, em Santa Catarina, e recuos em referências do Rio Grande do Sul e do Paraná. Enquanto os produtores acompanham o avanço do plantio e os custos da nova safra, os contratos futuros tentavam recuperação em Chicago na manhã desta quarta-feira (28).

A reação internacional ocorre após duas sessões consecutivas de perdas, influenciadas pela maior competitividade da soja brasileira diante da desvalorização do real. No mercado físico, porém, o efeito do câmbio varia conforme a região, os prêmios de exportação e as condições de entrega.

Soja tenta recuperar perdas na Bolsa de Chicago

Às 9h29, no horário de Brasília, o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,3250 por bushel, alta de 3,25 cents, ou aproximadamente 0,26%.

Os demais vencimentos também avançavam:

  • Janeiro/27: US$ 12,4575 por bushel, ganho de 2,75 cents;
  • Março/27: US$ 12,5350, alta de 1,75 cent;
  • Maio/27: US$ 12,6225, avanço de 1,75 cent;
  • Julho/27: US$ 12,6875, valorização de 1,50 cent.

Segundo análises da Successful Farming e da AgMarket, o movimento estava associado a compras técnicas e encerramento de posições vendidas após as desvalorizações recentes.

Na terça-feira (27), o contrato novembro caiu 0,97%, para US$ 12,2925 por bushel, depois de perder 1,21% na segunda-feira. Nas duas sessões, o recuo acumulado foi de aproximadamente 2,17% em relação ao fechamento de sexta-feira (23). A alta da manhã, portanto, recuperava apenas parte dessas perdas.

Câmbio altera competitividade da soja brasileira

A forte valorização do dólar na segunda-feira ampliou as expectativas de competitividade da soja brasileira no mercado internacional e contribuiu para pressionar os contratos americanos.

Para o produtor brasileiro, um dólar mais alto pode favorecer os preços em reais. Esse efeito, entretanto, depende também de Chicago, dos prêmios e dos custos de comercialização. Insumos cotados em moeda americana podem encarecer, limitando o ganho no poder de compra.

Nas referências físicas reunidas pela TF Agroeconômica, a queda posterior do dólar e o enfraquecimento recente de Chicago reduziram o suporte às propostas em parte do Sul.

Santa Catarina registra alta de R$ 5 por saca

Em Abelardo Luz (SC), a soja avançou R$ 5,00, para R$ 154,00 por saca, valorização de 3,36%, na modalidade FOB.

O plantio catarinense atingiu 17,2% da área prevista, conforme o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citado pela consultoria.

No Rio Grande do Sul, as referências perderam R$ 1,00 por saca, devolvendo parte da alta de R$ 4,00 observada na segunda-feira:

  • Rio Grande: R$ 158,00;
  • Passo Fundo: R$ 151,00;
  • Santa Rosa: R$ 152,00.

A semeadura gaúcha alcançava 3% da área, segundo a Emater/RS-Ascar.

Paraná tem preços menores e replantio localizado

No Paraná, Paranaguá e Cascavel recuaram R$ 0,50 por saca, para R$ 157,50 e R$ 146,50, respectivamente.

O Departamento de Economia Rural (Deral) apontou 62% da área semeada, avanço de 15 pontos percentuais na semana, mas abaixo dos 71% registrados no mesmo período de 2025.

O excesso de água e a baixa luminosidade provocam falhas no estabelecimento das plantas e necessidade de replantio em áreas localizadas. Essas ocorrências acrescentam despesas com sementes, combustível e utilização de máquinas, exigindo atenção ao caixa das propriedades.

Centro-Oeste apresenta diferenças entre municípios

Em Mato Grosso do Sul, Dourados, Maracaju e Sidrolândia ficaram em R$ 142,00 por saca. Maracaju recuou R$ 4,50, enquanto Sidrolândia perdeu R$ 4,00. Em Campo Grande, a referência subiu para R$ 143,00, na condição CIF.

A semeadura sul-mato-grossense atingiu 60% da área, conforme a Conab.

Em Mato Grosso, o plantio chegou a 75,81%, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Quatro praças acompanhadas registraram valorização, com Rondonópolis a R$ 139,55 e Sorriso a R$ 133,60. Lucas do Rio Verde recuou para R$ 133,00.

As referências não devem ser comparadas apenas pelo valor anunciado: frete, descontos, modalidade de entrega e prazo de pagamento determinam a receita líquida recebida pelo produtor.

Colheita americana e compras chinesas influenciam mercado

A entrada da safra dos Estados Unidos continua ampliando a oferta disponível. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita da soja alcançou 79% da área até domingo (25), acima da média de 77% dos últimos cinco anos.

Na demanda, as inspeções de exportação americanas somaram aproximadamente 2,48 milhões de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro. Desse total, cerca de 1,65 milhão de toneladas teve a China como destino.

O volume oferece suporte ao mercado, mas os operadores também avaliam a concorrência brasileira e a perspectiva de uma nova safra volumosa na América do Sul.

Vencimento de novembro e decisão do Fed podem ampliar ajustes

A proximidade do primeiro dia de aviso de entrega do contrato novembro/26, previsto para sexta-feira (30), pode intensificar o encerramento e a transferência de posições para vencimentos posteriores, conforme a AgMarket.

Nesta quarta-feira, a decisão de juros do Federal Reserve também está no radar. As sinalizações do banco central americano podem influenciar o dólar e o posicionamento dos investidores em commodities.

Para a comercialização brasileira, a combinação entre câmbio, Chicago e custos de entrega permanece decisiva, enquanto o avanço do plantio e eventuais gastos com replantio condicionam as necessidades financeiras de cada propriedade.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias