StoneX eleva previsão da safra de soja do Brasil para recorde de 184,95 milhões de toneladas
Consultoria também aumenta estimativas para algodão e projeta segunda safra de milho de 113,53 milhões de toneladas em 2026/27. Plantio acelerado da soja e condições climáticas favoráveis ampliam o potencial produtivo, mas o El Niño mantém o risco climático no radar.
Publicado em: 03/11/2026 às 20:00hs
A StoneX revisou para cima suas projeções para a produção brasileira de soja, algodão e milho na temporada 2026/27. A consultoria estima agora uma colheita recorde de 184,95 milhões de toneladas de soja, crescimento de 0,9% em relação à previsão anterior e de 1,3% na comparação com o ciclo passado.
A atualização considera principalmente a melhora nas perspectivas de produtividade em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa. O avanço acelerado do plantio e as condições climáticas favoráveis nos primeiros estágios de desenvolvimento das lavouras contribuíram para elevar as expectativas.
O novo levantamento também aponta potencial de crescimento para o milho de segunda safra e aumento na estimativa de produção de algodão. As três culturas têm participação expressiva no agronegócio brasileiro e são importantes para o desempenho das exportações agrícolas.
Produção de soja pode alcançar novo recorde em 2026/27
A estimativa da StoneX para a soja brasileira passou a considerar uma produtividade média de 3,74 toneladas por hectare, acima das 3,72 toneladas por hectare registradas no ciclo anterior.
Além de Mato Grosso, a consultoria elevou as perspectivas de produção no Pará, Maranhão e Piauí. Nessas regiões, porém, o cenário exige acompanhamento mais cuidadoso devido aos riscos associados ao fenômeno El Niño.
Segundo a StoneX, em anos de El Niño, a possibilidade de condições climáticas desfavoráveis tende a aumentar, exigindo atenção ao desenvolvimento das lavouras.
Na Região Sul, o plantio também apresenta ritmo acelerado, embora outubro tenha registrado volumes elevados de chuva. A evolução das condições meteorológicas será importante para determinar se o potencial produtivo projetado poderá ser confirmado ao longo da temporada.
Caso a previsão se concretize, o Brasil ampliará sua produção de soja e manterá a liderança mundial na produção e exportação da oleaginosa.
Exportações brasileiras de soja também devem bater recorde
Com a perspectiva de uma safra maior, a StoneX elevou sua estimativa para as exportações brasileiras de soja em 2026/27 para 115,5 milhões de toneladas.
O volume representa acréscimo de 500 mil toneladas em relação à projeção de outubro e supera as mais de 113 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior.
A consultoria, entretanto, aponta incertezas sobre a continuidade do crescimento da demanda chinesa pela soja brasileira. A preocupação está relacionada à ampliação das compras de soja norte-americana pela China, movimento influenciado também por questões políticas e comerciais.
O comportamento do mercado chinês será determinante para o ritmo dos embarques brasileiros e para a formação dos preços ao longo da temporada.
Segunda safra de milho 2026/27 pode atingir 113,53 milhões de toneladas
Para o milho, a StoneX divulgou sua primeira estimativa para a segunda safra brasileira de 2026/27, projetando uma produção de 113,53 milhões de toneladas, avanço de 2,3% em relação ao ciclo anterior.
A expectativa considera um aumento de aproximadamente 350 mil hectares na área plantada. Entre os fatores que podem estimular a expansão estão a melhora recente nos preços de alguns insumos e a perspectiva de rentabilidade para os produtores.
O plantio acelerado da soja em âmbito nacional também favorece o calendário da segunda safra. Como o milho safrinha é cultivado principalmente após a colheita da oleaginosa, a implantação antecipada da soja pode permitir que o cereal seja semeado dentro da janela considerada mais adequada no início de 2027.
A StoneX também destaca a possibilidade de recuperação da produtividade em estados como Bahia e Goiás, que enfrentaram problemas climáticos em regiões importantes durante 2026.
Considerando todas as safras, a produção brasileira de milho poderá alcançar aproximadamente 146 milhões de toneladas em 2026/27, estabelecendo um novo recorde. Na temporada anterior, o volume foi estimado em 141,4 milhões de toneladas.
Exportações de milho podem crescer para 42 milhões de toneladas
A expectativa de uma produção maior também sustenta a projeção de crescimento das vendas externas brasileiras de milho.
A StoneX estima exportações de 42 milhões de toneladas em 2026/27, volume 2 milhões de toneladas superior ao previsto para o ciclo anterior.
O resultado dependerá da confirmação da produção, do ritmo de consumo interno e das condições de competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional.
Com uma oferta potencialmente maior, o Brasil poderá ampliar sua participação no comércio global de milho, desde que consiga manter condições favoráveis de escoamento e preços competitivos.
Produção de algodão sobe para 4 milhões de toneladas de pluma
No mercado de algodão, a StoneX também revisou suas projeções. A estimativa nacional para a safra 2026/27 foi elevada em 3% em relação ao levantamento anterior, alcançando 4 milhões de toneladas de pluma.
A revisão considera principalmente a melhora nas perspectivas de produtividade em Mato Grosso e na Bahia, dois estados importantes para a cotonicultura brasileira.
Um dos fatores favoráveis é a possibilidade de antecipação da colheita da soja, que pode abrir espaço para o plantio do algodão dentro da janela agronômica considerada ideal.
A consultoria também observa uma tendência de concentração da cultura em áreas com maior aptidão agrícola, estratégia que pode favorecer o desempenho das lavouras.
Outro elemento importante é a utilização de sementes com genética mais avançada. A evolução tecnológica observada nos últimos anos contribui para elevar o potencial produtivo e ampliar o volume de pluma obtido por hectare.
Exportações de algodão devem alcançar 3,2 milhões de toneladas
Para as exportações brasileiras de algodão em 2026/27, a StoneX projeta embarques de 3,2 milhões de toneladas, aumento de 150 mil toneladas em relação à estimativa anterior.
Apesar da revisão positiva, o volume ainda representa uma redução de 200 mil toneladas na comparação anual. A consultoria trabalha com uma expectativa de queda de 2,5% na produção brasileira de algodão em relação à safra 2025/26.
Mesmo com essa perspectiva de recuo anual, o Brasil deve continuar entre os principais fornecedores mundiais da fibra e manter sua posição de maior exportador global de algodão.
Clima, produtividade e calendário de plantio serão decisivos
As novas estimativas da StoneX indicam um cenário de elevado potencial produtivo para o agronegócio brasileiro em 2026/27. O avanço da semeadura da soja, a possibilidade de expansão da área de milho e a melhora das perspectivas para o algodão sustentam as revisões positivas.
Entretanto, a confirmação desses volumes dependerá da evolução do clima, especialmente diante dos riscos associados ao El Niño, além do comportamento dos custos de produção e dos preços agrícolas.
O calendário de plantio também terá papel estratégico. Uma implantação mais rápida da soja poderá favorecer a semeadura do milho safrinha e do algodão dentro das janelas mais adequadas, contribuindo para o aproveitamento do potencial produtivo das lavouras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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