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Análise de Mercado

Acordo Mercosul-UE eleva exportações brasileiras em 21%; abacate, mel e óleo de milho lideram avanço

Nos primeiros cinco meses de aplicação provisória, vendas de produtos brasileiros beneficiados pelo tratado cresceram até 421% no mercado europeu, segundo o MDIC; redução de tarifas amplia oportunidades para o agronegócio e a indústria nacional.


Publicado em: 03/11/2026 às 18:40hs

Acordo Mercosul-UE eleva exportações brasileiras em 21%; abacate, mel e óleo de milho lideram avanço

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começa a apresentar resultados para as exportações brasileiras. Entre maio e setembro de 2026, período que corresponde aos cinco primeiros meses de aplicação provisória das regras comerciais, as vendas de produtos nacionais beneficiados pelo tratado ao mercado europeu cresceram 21% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram avanços expressivos em diferentes segmentos da pauta exportadora. Entre os destaques estão produtos do agronegócio, como abacates frescos, mel, óleo de milho, etanol, óleo essencial de laranja e maçãs.

A ampliação do acesso ao mercado europeu está relacionada à redução ou eliminação de tarifas previstas no acordo. Com custos de entrada menores, os produtos brasileiros podem ganhar competitividade e ampliar sua presença em um dos principais mercados consumidores do mundo.

Exportações de abacate, mel e óleo de milho registram altas expressivas

Entre os produtos brasileiros com maior crescimento nas vendas à União Europeia, os abacates frescos lideraram, com avanço de 421% entre maio e setembro de 2026, na comparação anual.

As exportações de mel aumentaram 367%, enquanto as de óleo de milho registraram crescimento de 266%. Os resultados indicam oportunidades para diferentes cadeias produtivas do agronegócio brasileiro no mercado europeu.

Outros produtos também apresentaram desempenho positivo:

  • Ferrossilício-manganês: crescimento de 173%;
  • Alumínio em bruto: alta de 107%;
  • Óleos combustíveis: avanço de 102%;
  • Etanol: crescimento de 95,2%;
  • Óleo essencial de laranja: alta de 75,8%;
  • Maçãs frescas: avanço de 29%.

O levantamento também aponta uma nova oportunidade na área industrial. As exportações brasileiras de transformadores elétricos, que não haviam registrado vendas no período de maio a setembro de 2025, alcançaram US$ 39 milhões nos mesmos meses de 2026.

Os números abrangem diferentes setores da economia e refletem os primeiros movimentos comerciais após o início da aplicação das preferências tarifárias negociadas entre os dois blocos.

MDIC destaca potencial do acordo para empresas brasileiras

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, avalia que o tratado representa um avanço para a política comercial brasileira, ao fortalecer relações econômicas e ampliar as oportunidades para os setores produtivos.

Segundo o ministro, a abertura de novas condições de acesso ao mercado europeu pode contribuir para agregar valor à produção nacional, ampliar a participação brasileira no comércio internacional e estimular a geração de empregos.

A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, também considera positivos os primeiros resultados. De acordo com ela, o governo trabalha para ampliar a divulgação das oportunidades e orientar as empresas interessadas em aproveitar as condições comerciais estabelecidas pelo acordo.

A estratégia envolve tanto apoiar exportadores que já atuam no mercado europeu quanto estimular a entrada de novas empresas no comércio internacional.

Como as empresas podem aproveitar os benefícios do acordo

Para utilizar as preferências tarifárias, os exportadores brasileiros precisam observar as condições específicas estabelecidas para cada produto. O acesso aos benefícios depende, entre outros fatores, do cumprimento das regras de origem e dos requisitos previstos no tratado.

O MDIC disponibiliza orientações técnicas no Portal Siscomex para auxiliar empresas na identificação das oportunidades e na adequação às exigências comerciais.

Entre os materiais disponíveis estão:

  • Manual de regras de origem: explica os critérios que os produtos precisam atender para receber as preferências tarifárias.
  • Manual de desgravação tarifária: apresenta as condições de redução ou eliminação dos impostos de importação.
  • Manual de indicações geográficas: reúne orientações sobre a proteção de produtos vinculados a regiões específicas.
  • Tabelas de preferências tarifárias: permitem consultar as condições negociadas para os produtos comercializados entre Mercosul e União Europeia.

A consulta a esses materiais é importante para que as empresas identifiquem quais benefícios podem utilizar e quais exigências precisam cumprir antes de realizar suas operações de exportação.

Acordo Mercosul-União Europeia levou mais de 25 anos de negociação

As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e se estenderam por mais de duas décadas. Os instrumentos do acordo foram assinados em janeiro de 2026, e a aplicação provisória das disposições comerciais teve início em 1º de maio do mesmo ano.

O tratado estabelece um processo de redução ou eliminação gradual de tarifas, além de regras destinadas a ampliar e organizar o comércio entre os dois blocos.

A parceria conecta mercados que, juntos, reúnem aproximadamente 720 milhões de pessoas e apresentam Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a US$ 22 trilhões.

Agronegócio brasileiro ganha novas oportunidades no mercado europeu

A União Europeia está entre os principais parceiros comerciais do Brasil. A ampliação do acesso a esse mercado representa uma oportunidade para diversificar destinos, fortalecer cadeias exportadoras e aumentar a presença de produtos brasileiros no comércio internacional.

Os primeiros resultados divulgados pelo MDIC mostram crescimento em segmentos agropecuários e industriais, com destaque para abacates, mel e derivados de milho. No entanto, a continuidade desse avanço dependerá da capacidade das empresas de atender às exigências do acordo, aproveitar as vantagens tarifárias e manter competitividade no mercado europeu.

Para o agronegócio, o tratado abre espaço para ampliar as exportações e agregar valor à produção nacional, especialmente em cadeias que buscam diversificar mercados e conquistar novos compradores internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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