Sigatoka-negra ameaça produção de banana; Embrapa reúne estratégias para reduzir perdas
Publicação apresenta orientações sobre identificação da doença, cultivares resistentes, monitoramento e manejo integrado para proteger a produtividade dos bananais brasileiros
Publicado em: 05/11/2026 às 09:00hs
A sigatoka-negra compromete a produtividade e a qualidade da banana ao provocar a morte precoce das folhas e prejudicar o desenvolvimento dos frutos. Em situações severas, as perdas podem atingir toda a produção de cultivares suscetíveis. Para apoiar produtores e profissionais da assistência técnica, a Embrapa reúne conhecimentos sobre a doença e alternativas de manejo no livro A sigatoka-negra da bananeira no Brasil, publicado em 2026.
Organizada por Luadir Gasparotto e Ana Francisca Tibúrcia Amorim Ferreira e Ferreira, a obra aborda desde os sintomas e as condições que favorecem o fungo até o uso de variedades resistentes, o controle químico e as possibilidades do controle biológico.
A orientação central é combinar estratégias conforme a cultivar, o ambiente e as condições de cada propriedade. Preservar folhas funcionais durante o ciclo produtivo é fundamental para reduzir os danos e manter o desenvolvimento dos cachos.
Por que a sigatoka-negra preocupa a bananicultura?
Causada pelo fungo identificado na publicação como Mycosphaerella fijiensis, a sigatoka-negra foi registrada no Brasil em 1998, na região amazônica. Desde então, sua disseminação ampliou os desafios sanitários e os custos de produção da cultura.
A doença afeta variedades de importância comercial, incluindo materiais dos subgrupos Cavendish, Prata e Terra, além da banana Maçã. A intensidade dos danos depende da suscetibilidade da cultivar, das condições climáticas e do manejo do bananal.
Ao destruir a área foliar, o fungo reduz a capacidade de fotossíntese. Com menos folhas em funcionamento, a planta encontra dificuldades para sustentar o crescimento dos frutos, que podem permanecer pequenos e apresentar amadurecimento precoce e desuniforme.
O problema tem impacto particular entre agricultores com recursos limitados e pouco acesso à assistência técnica, sobretudo em áreas remotas da Amazônia, onde bananas e plátanos também fazem parte da alimentação das famílias.
Como identificar os sintomas nas folhas da bananeira
A observação das folhas mais novas ajuda a reconhecer os primeiros sinais da doença. Segundo a publicação, os sintomas iniciais aparecem principalmente na face inferior, com pequenos pontos claros ou áreas despigmentadas.
Com o avanço da infecção, essas alterações se transformam em estrias de coloração marrom-clara, com aproximadamente 2 a 3 milímetros de comprimento. Posteriormente, as lesões aumentam, escurecem e ficam visíveis nas duas faces da folha.
A evolução pode ser reconhecida pelos seguintes sinais:
- Pequenos pontos claros na face inferior das folhas;
- Estrias marrons, finas e alongadas;
- Manchas irregulares de coloração marrom-escura a negra;
- União das lesões e morte precoce de partes da folha ou de todo o limbo foliar.
Os sintomas variam conforme a cultivar e o ambiente. Como a sigatoka-negra pode ser confundida com outras doenças foliares, sua diferenciação exige avaliação técnica.
Cultivares resistentes são uma das principais ferramentas de controle
O uso de cultivares resistentes ocupa posição central nas estratégias apresentadas pela Embrapa, especialmente em sistemas com menor capacidade de investimento em aplicações de fungicidas.
A resistência genética ajuda a retardar a evolução da doença e a conservar folhas funcionais por mais tempo. Entretanto, a escolha do material de plantio precisa considerar também a adaptação regional, o potencial produtivo e as características exigidas pelo mercado.
Entre as opções discutidas para sistemas de cultivo no Amazonas estão BRS Caprichosa, BRS Conquista, BRS Garantida, BRS Japira, BRS Thap Maeo e outras cultivares avaliadas pela pesquisa.
A resistência, porém, não dispensa o manejo adequado. A publicação relata que plantas debilitadas por deficiência nutricional e ausência de cuidados culturais podem sofrer ataques severos, inclusive em materiais com resistência à doença.
Nutrição e desfolha ajudam, mas não controlam a doença sozinhas
Adubação equilibrada, disponibilidade adequada de água e cuidados com o bananal contribuem para manter o vigor das plantas e favorecer a emissão de novas folhas.
O livro destaca a importância da nutrição para a expressão do potencial produtivo e da resistência das cultivares. Esses cuidados, contudo, não asseguram, isoladamente, o controle da sigatoka-negra em variedades suscetíveis, sobretudo quando o clima favorece o patógeno.
Outra prática abordada é a desfolha fitossanitária, que consiste na retirada de partes lesionadas ou de folhas comprometidas, com o objetivo de reduzir a quantidade de inóculo presente na lavoura.
A intervenção precisa de critério técnico: além de retirar tecidos afetados, o manejo deve preservar a área foliar necessária ao desenvolvimento dos cachos.
Monitoramento orienta decisões no bananal
Acompanhar regularmente a evolução dos sintomas permite avaliar a pressão da doença e orientar as intervenções.
A publicação apresenta métodos de monitoramento que consideram fatores como a severidade das lesões, a posição das folhas afetadas e a quantidade de folhas viáveis. A interpretação dessas informações ajuda a ajustar o manejo às condições observadas no campo.
O acompanhamento também é importante para avaliar os resultados das medidas adotadas. A intensidade da doença pode mudar conforme o ambiente, o estado nutricional das plantas e a suscetibilidade do material cultivado.
Resistência do fungo exige atenção no uso de fungicidas
O controle químico integra as alternativas discutidas na obra, mas sua eficiência depende de planejamento e acompanhamento técnico.
Um dos desafios é a seleção de populações do fungo resistentes aos fungicidas. O livro dedica um capítulo ao monitoramento dessa resistência e reúne resultados de pesquisas sobre a sensibilidade do patógeno a diferentes grupos de produtos.
Nesse contexto, o manejo deve considerar os mecanismos de ação e integrar outras ferramentas de controle. A escolha dos produtos e das condições de aplicação precisa seguir as recomendações técnicas e as indicações de uso autorizadas.
Tecnologia digital e controle biológico ampliam possibilidades
Entre as ferramentas apresentadas está o SIMSIGA, Sistema Inteligente para Monitoramento da Severidade da Sigatoka-Negra. A proposta utiliza imagens para apoiar a avaliação das lesões e reduzir diferenças de interpretação entre observadores.
A obra aponta potencial para aprimorar o acompanhamento da doença e orientar intervenções mais precisas. Os benefícios econômicos e ambientais em larga escala, entretanto, ainda precisam ser verificados com a ampliação de seu uso.
O controle biológico também recebe destaque, com pesquisas envolvendo microrganismos como Bacillus e Trichoderma. Os resultados reunidos indicam potencial para complementar o manejo, embora a eficiência dependa do agente empregado, das condições de aplicação e de sua interação com a planta e o patógeno.
Assistência técnica é decisiva para reduzir prejuízos
A publicação reforça que o enfrentamento da sigatoka-negra exige decisões adaptadas à realidade de cada propriedade. A combinação entre cultivar adequada, nutrição equilibrada, monitoramento e medidas de controle contribui para proteger a produtividade.
Para pequenos produtores, ampliar o acesso à assistência técnica e a materiais resistentes é especialmente relevante. O objetivo é tornar as estratégias disponíveis aplicáveis no campo, reduzindo perdas e preservando a viabilidade econômica da bananicultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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