Braquiária híbrida Mavuno ganha destaque internacional e reforça eficiência da pecuária tropical diante das mudanças climáticas
Estudos científicos realizados no Peru e no México confirmam alto desempenho da braquiária híbrida brasileira em solos de baixa fertilidade e durante a estação seca, fortalecendo sua importância para sistemas pecuários mais produtivos e resilientes.
Publicado em: 23/07/2026 às 07:30hs
Pesquisas internacionais validam potencial da braquiária híbrida Mavuno para a pecuária tropical
A braquiária híbrida Mavuno vem consolidando seu reconhecimento internacional como uma das principais alternativas para elevar a produtividade da pecuária tropical. Dois estudos científicos publicados em 2026, em periódicos internacionais, demonstram que o material apresenta elevado desempenho produtivo e nutricional mesmo em ambientes desafiadores, como áreas de baixa fertilidade e períodos prolongados de estiagem.
As pesquisas, conduzidas por instituições do Peru e do México, reforçam o potencial da cultivar para integrar sistemas pecuários mais eficientes, sustentáveis e preparados para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
El Niño aumenta importância de forrageiras adaptadas
Os resultados chegam em um momento estratégico para a pecuária. As projeções climáticas para o ciclo 2026/2027 apontam elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, condição que pode provocar alterações significativas no regime de chuvas, temperaturas mais elevadas e maior ocorrência de estresse hídrico em diversas regiões produtoras.
Nesse cenário, especialistas destacam que a escolha de forrageiras adaptadas e o manejo correto das pastagens serão fatores decisivos para preservar a produtividade dos rebanhos e garantir estabilidade nos sistemas de produção.
Estudo no Peru destaca desempenho superior em solos de baixa fertilidade
Um dos trabalhos foi publicado na revista científica Open Agriculture e desenvolvido pelo Instituto Nacional de Inovação Agrária (INIA), na Amazônia peruana.
Durante cinco ciclos de avaliação, os pesquisadores compararam três híbridos de Braquiária (Urochloa) cultivados em solos de baixa fertilidade.
Após os primeiros cortes, o híbrido Mavuno passou a apresentar desempenho superior, registrando:
- maior produção de matéria verde;
- maior produção de matéria seca;
- maior capacidade de suporte animal;
- elevados teores de proteína na forragem.
Os pesquisadores concluíram que o material representa uma alternativa altamente eficiente para sistemas tropicais sustentáveis, principalmente em áreas de baixa fertilidade, sistemas de pastejo rotacionado e modelos silvipastoris.
Pesquisa mexicana aponta melhor manejo para maximizar produtividade
As conclusões obtidas no Peru foram complementadas por outro estudo publicado na revista científica Bioagro, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Guadalajara, no estado de Jalisco, no México.
A pesquisa avaliou o comportamento do Mavuno durante a estação seca, considerando diferentes períodos de rebrota e intensidades de desfolha.
Os resultados demonstraram que o melhor equilíbrio entre produtividade e qualidade nutricional ocorreu com manejo mantendo 10 centímetros de altura residual após o pastejo.
Entre os principais indicadores observados estão:
- maior teor de proteína bruta aos 30 dias de rebrota;
- menores níveis de fibra detergente ácida (FDA) e fibra detergente neutra (FDN) aos 45 dias;
- maior energia metabolizável;
- melhores índices de digestibilidade da matéria seca.
Ao final da pesquisa, os autores concluíram que a combinação entre 10 centímetros de resíduo e aproximadamente 45 dias de rebrota proporciona melhor aproveitamento da forragem pelos ruminantes durante o período seco.
Evidências reforçam produtividade e sustentabilidade
Os dois estudos ampliam o conjunto de evidências científicas sobre o comportamento da braquiária híbrida Mavuno em diferentes ambientes tropicais.
Além do elevado potencial produtivo, os resultados reforçam características consideradas estratégicas para a pecuária moderna, como maior eficiência no uso das pastagens, adaptação a condições climáticas adversas e melhor qualidade nutricional da forragem.
Esses atributos tornam a cultivar uma importante ferramenta para sistemas produtivos que buscam maior sustentabilidade, rentabilidade e resiliência frente às mudanças climáticas.
Manejo adequado continua sendo fator decisivo
Segundo Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, o reconhecimento obtido em pesquisas independentes realizadas em diferentes países fortalece a confiabilidade da genética.
"Quando pesquisas independentes realizadas em ambientes distintos chegam a resultados convergentes, elas ampliam a segurança técnica sobre o comportamento do material. No caso do Mavuno, os estudos reforçam uma característica importante: trata-se de uma genética consistente, com bom desempenho produtivo e nutricional quando associada ao manejo adequado."
O especialista ressalta que o potencial genético somente é plenamente aproveitado quando aliado às práticas corretas de manejo.
Segundo ele, fatores como período de rebrota, altura de entrada e saída dos animais e planejamento forrageiro são determinantes para transformar produtividade potencial em resultados econômicos dentro da propriedade.
Pecuária tropical busca maior resiliência climática
Pontes destaca que, independentemente das condições climáticas previstas para os próximos meses, manter a oferta de forragem continuará sendo um dos maiores desafios da pecuária brasileira.
Nesse contexto, o uso de cultivares adaptadas, associado ao manejo técnico das pastagens, contribui para aumentar a capacidade de suporte das áreas, melhorar o aproveitamento nutricional da forragem e reduzir os impactos provocados por períodos de estiagem ou estresse climático.
Com o avanço das pesquisas internacionais e a crescente demanda por sistemas pecuários sustentáveis, a braquiária híbrida Mavuno fortalece sua posição como uma alternativa tecnológica para elevar a eficiência da produção animal nos trópicos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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