Eco Invest destina R$ 160 milhões à recuperação de pastagens degradadas para produção de açúcar e etanol
Operação estruturada pelo Itaú BBA para a Agroterenas transformará áreas degradadas do Cerrado e da Mata Atlântica em cultivos sustentáveis de cana-de-açúcar
Publicado em: 04/09/2026 às 13:00hs
A recuperação de pastagens degradadas ganhará um investimento de aproximadamente R$ 160 milhões por meio do II Programa Eco Invest Brasil. A operação, estruturada e financiada pelo Itaú BBA para a AGT – Agroterenas, prevê a conversão de áreas atualmente ocupadas pela pecuária extensiva em cultivos de cana-de-açúcar destinados à produção de açúcar e etanol.
Com prazo de dez anos, o financiamento contempla áreas localizadas nos biomas Cerrado e Mata Atlântica. O objetivo é recuperar a capacidade produtiva do solo, ampliar a produção agrícola em terras já utilizadas e reduzir a pressão pela abertura de novas fronteiras agropecuárias.
O projeto foi selecionado no âmbito do Eco Invest Brasil, iniciativa do Governo Federal voltada à atração de investimentos para a transição do setor agropecuário a uma economia de baixo carbono.
Pastagens degradadas serão convertidas em áreas produtivas
De acordo com as empresas, todas as áreas abrangidas pelo projeto apresentam degradação classificada como intermediária ou severa. A implantação do cultivo de cana-de-açúcar será acompanhada por práticas destinadas a recuperar as características físicas, químicas e biológicas do solo.
A estratégia busca transformar terras com baixo desempenho em ativos produtivos, conciliando aumento da produção, conservação dos recursos naturais e melhor aproveitamento da infraestrutura agrícola existente.
A recuperação dessas áreas também pode contribuir para reduzir a necessidade de expansão sobre novas terras, uma vez que o crescimento da produção ocorrerá em locais anteriormente ocupados e com capacidade produtiva comprometida.
Produção de açúcar e etanol pode gerar R$ 690 milhões
Ao longo da execução do projeto, a receita líquida estimada com a produção de açúcar e etanol é de aproximadamente R$ 690 milhões.
A operação pretende ampliar a capacidade produtiva da Agroterenas e gerar valor econômico nas regiões atendidas. A produção de etanol também reforça a participação do agronegócio na oferta de combustíveis renováveis e na transição energética brasileira.
Segundo Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do Itaú BBA, mecanismos financeiros direcionados à recuperação de áreas degradadas podem acelerar investimentos em produtividade e sustentabilidade.
“Projetos como o da Agroterenas demonstram o potencial de mecanismos financeiros inovadores para viabilizar investimentos que conciliam aumento de produtividade, conservação dos recursos naturais e transição para uma agricultura de baixo carbono”, afirma.
O executivo acrescenta que iniciativas dessa natureza são importantes para ampliar o acesso ao capital e apoiar o desenvolvimento de uma agropecuária mais eficiente e sustentável no Brasil.
Projeto prevê redução das emissões de gases de efeito estufa
O plano contempla medidas voltadas à mitigação das emissões de gases de efeito estufa, incluindo o levantamento do balanço de emissões durante a execução do projeto.
Também estão previstas a utilização de bioinsumos e a adoção de práticas conservacionistas para proteger o solo e recuperar seu potencial agrícola.
Entre os principais objetivos ambientais e produtivos estão:
- recuperar solos com degradação intermediária ou severa;
- elevar a produtividade de áreas já utilizadas;
- reduzir a pressão por novas fronteiras agrícolas;
- ampliar o uso de bioinsumos;
- adotar técnicas conservacionistas de manejo;
- acompanhar o balanço de emissões de gases de efeito estufa;
- fortalecer a produção de biocombustíveis.
As ações estão alinhadas à intensificação sustentável da agricultura, modelo baseado na obtenção de maior produção por área, acompanhada de medidas para reduzir os impactos ambientais.
Eco Invest amplia financiamento para agricultura de baixo carbono
O Eco Invest Brasil foi criado para mobilizar recursos públicos e privados direcionados a projetos capazes de contribuir para a descarbonização da economia.
No agronegócio, o programa pode apoiar iniciativas relacionadas à recuperação de terras degradadas, energia renovável, eficiência produtiva e adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono.
“É uma satisfação apoiar a estruturação de mais uma operação do Eco Invest Brasil voltada à recuperação produtiva de áreas degradadas”, destaca Fernandes.
A estrutura financeira de longo prazo busca oferecer condições compatíveis com projetos que exigem investimentos iniciais elevados e cujos resultados produtivos e ambientais são alcançados ao longo de vários anos.
Agroterenas prevê empregos e contratação de fornecedores locais
Além dos resultados ambientais e produtivos, a Agroterenas pretende ampliar os impactos econômicos e sociais nas comunidades próximas às áreas beneficiadas.
A empresa prevê geração de empregos, contratação de trabalhadores das regiões atendidas e aquisição de bens e serviços locais, desde que estejam disponíveis em condições competitivas.
A companhia também mantém ações destinadas à ampliação da participação feminina em suas operações. Atualmente, as mulheres representam 17,3% da força de trabalho da Agroterenas.
Para José Eugênio de Rezende Barbosa Sobrinho, diretor-presidente da empresa, o projeto representa um avanço na estratégia de produção sustentável.
“Este projeto representa um avanço importante na nossa estratégia de produção sustentável, ao transformar áreas anteriormente degradadas em ativos produtivos, com ganhos de eficiência agrícola e benefícios ambientais”, afirma.
Segundo o executivo, a recuperação permitirá ampliar a capacidade produtiva, utilizar os recursos naturais de maneira mais racional e gerar impactos positivos nas comunidades onde a companhia atua.
Recuperação de pastagens fortalece produção sustentável
A conversão produtiva de pastagens degradadas é considerada uma das principais oportunidades para o Brasil aumentar sua produção agropecuária sem avançar sobre áreas de vegetação nativa.
Ao associar crédito de longo prazo, recuperação do solo, produção de cana-de-açúcar e redução de emissões, a operação do Eco Invest busca demonstrar a viabilidade econômica de projetos voltados à agricultura de baixo carbono.
Com financiamento de R$ 160 milhões e receita líquida estimada em R$ 690 milhões, a iniciativa reforça o papel da recuperação de áreas degradadas na expansão sustentável da produção brasileira de açúcar e biocombustíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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