“Buffet livre” para bovinos testa pastagens e busca melhorar conversão alimentar
Experimento com fêmeas Angus e Brangus avalia a preferência por oito cultivares de inverno e compara o ganho de peso em diferentes sistemas nutricionais
Publicado em: 10/09/2026 às 13:00hs
Um experimento realizado em uma propriedade rural de Panambi, no Rio Grande do Sul, está avaliando quais forrageiras despertam maior preferência nos bovinos e podem oferecer melhor desempenho produtivo. A iniciativa utiliza um modelo de “buffet livre”, no qual os animais têm acesso simultâneo a diferentes opções de pastagem.
O estudo reúne 14 fêmeas das raças Angus e Brangus, mantidas em uma área experimental com oito cultivares de inverno. Entre as espécies disponíveis estão aveia, azevém, trigo e cevada destinados ao pastejo.
Desenvolvido pela Cabanha Soldera em parceria com a Cotripal, o projeto pretende gerar informações para melhorar a nutrição de bovinos de corte criados a campo, aumentar a eficiência na conversão alimentar e reduzir o impacto ambiental da pecuária.
Bovinos escolhem livremente entre oito forrageiras
No piquete experimental, as fêmeas podem circular pela área e consumir livremente as diferentes cultivares. O comportamento dos animais é acompanhado para identificar quais plantas são mais procuradas e como essa preferência influencia o desempenho do rebanho.
A Cabanha Soldera disponibilizou a área e os animais utilizados no estudo. A Cotripal, por sua vez, fornece as sementes e o suporte técnico para a implantação, acompanhamento e avaliação das pastagens.
Segundo a engenheira agrônoma Luiza Soldera, o trabalho surgiu do interesse da cooperativa em ampliar os estudos sobre nutrição de bovinos de corte e da intenção da propriedade de testar novas alternativas alimentares.
“O principal objetivo é entender a preferência dos bovinos pelas diferentes culturas de inverno e identificar quais delas podem oferecer o melhor desempenho no campo”, afirma.
Pesquisa compara ganho médio diário dos animais
Além do teste de preferência alimentar, um segundo experimento avalia o ganho médio diário de peso dos bovinos em sistemas distintos de alimentação.
Uma parte dos animais permanece no manejo tradicional adotado pela propriedade. O outro grupo recebe uma combinação de novas forrageiras, incluindo a cevada forrageira BRS Korbel e o trigo forrageiro BRS Tarumaxi.
A comparação permitirá verificar se a nova composição das pastagens melhora o aproveitamento dos alimentos e favorece o ganho de peso. Os resultados também poderão indicar quais espécies apresentam melhor adaptação às condições produtivas do Rio Grande do Sul.
Cultivares ampliam oferta de forragem no inverno
A BRS Korbel e a BRS Tarumaxi são alternativas destinadas à produção de forragem durante o inverno, período em que a disponibilidade de alimento pode se tornar um desafio para a pecuária a campo.
A utilização dessas cultivares pode contribuir para reduzir períodos de vazio forrageiro, manter o ritmo de crescimento dos animais e aumentar a eficiência do uso das áreas rurais.
As plantas também podem ser incorporadas a sistemas de integração lavoura-pecuária, nos quais a mesma área é utilizada alternadamente para a produção agrícola e a alimentação dos rebanhos.
Conversão alimentar pode elevar eficiência da pecuária
A escolha correta das pastagens influencia diretamente a produtividade dos bovinos. Forrageiras mais palatáveis, nutritivas e adaptadas ao ambiente podem favorecer o consumo, a digestão e a conversão do alimento em ganho de peso.
Quando os animais aproveitam melhor a forragem disponível, o produtor pode obter maior produção de carne por hectare e reduzir a necessidade de suplementação. Essa eficiência também ajuda a diminuir os custos do sistema e o tempo necessário para a terminação do gado.
O estudo pretende verificar não apenas quais plantas são consumidas primeiro, mas também se as preferências dos bovinos estão associadas a melhores resultados zootécnicos.
Manejo das pastagens também será aprimorado
O acompanhamento do comportamento dos animais fornecerá informações para ajustar o planejamento e o manejo das pastagens. Os dados poderão auxiliar na definição das espécies utilizadas, na divisão dos piquetes e na duração dos períodos de pastejo.
Também será possível observar a capacidade de recuperação das cultivares, a persistência das plantas e a oferta de matéria verde ao longo do ciclo.
“Com estas pesquisas, estamos colhendo dados e informações sobre o comportamento dos animais diante das diferentes cultivares e contribuindo para aprimorar tanto o manejo das pastagens quanto a condução de técnicas nutricionais dos rebanhos”, explica Luiza.
Nutrição eficiente pode reduzir impacto ambiental
O aumento da eficiência alimentar pode trazer benefícios ambientais para a pecuária. Animais que ganham peso em menos tempo permanecem por um período menor no sistema produtivo, o que pode reduzir a emissão de gases de efeito estufa por unidade de carne produzida.
Pastagens bem manejadas também favorecem a cobertura do solo, a ciclagem de nutrientes e o aproveitamento mais eficiente das áreas. Nos sistemas de integração lavoura-pecuária, esses benefícios podem ser ampliados pela rotação entre culturas agrícolas e forrageiras.
Com os resultados dos experimentos, a expectativa é identificar combinações de pastagens capazes de melhorar o desempenho dos bovinos e tornar a produção de carne a campo mais eficiente, rentável e sustentável.
Fonte: Portal do Agronegócio
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