Vendas de ovinos na Expointer somam R$ 887,9 mil, e Arco projeta mercado aquecido nas feiras de verão
Comercialização recuou 10,4% frente a 2025, mas procura por animais de elite, valorização da lã e preços firmes da carne ovina sustentam perspectivas positivas para o setor
Publicado em: 10/09/2026 às 11:25hs
A comercialização de ovinos na 49ª Expointer movimentou R$ 887,94 mil, resultado 10,4% inferior ao registrado em 2025, quando as vendas alcançaram R$ 990,62 mil. Apesar da redução de R$ 102,68 mil, a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) avalia que o desempenho não indica perda de interesse pela atividade.
Para o presidente da entidade, Edemundo Gressler, o resultado financeiro reflete o cenário econômico e o comportamento mais cauteloso dos compradores. O dirigente destaca que a análise do desempenho também precisa considerar o número de animais vendidos, as categorias comercializadas e a qualidade genética dos exemplares negociados.
Realizada entre 29 de agosto e 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), a Expointer 2026 recebeu 934 ovinos de 14 raças, um dos maiores números registrados nos últimos anos. A exposição reuniu animais destinados à produção de carne e lã, além de exemplares voltados ao melhoramento genético dos rebanhos.
Cenário econômico limita investimentos na ovinocultura
Segundo Gressler, a queda no valor movimentado está relacionada ao maior controle financeiro adotado pelos compradores. Diante dos custos elevados, do crédito mais restrito e da necessidade de preservar o caixa, produtores e investidores estão avaliando com mais atenção a aquisição de animais.
Para a Arco, entretanto, a redução nominal das vendas não deve ser interpretada isoladamente. Um faturamento menor pode ocorrer mesmo com crescimento no número de animais comercializados, caso o preço médio dos lotes seja inferior ao observado no ano anterior.
Esse indicador é considerado importante para verificar se houve efetiva retração da demanda ou apenas uma mudança no perfil das compras.
“O valor representa o momento econômico que a gente vive, que não é de insegurança, mas de maior controle do dinheiro. Hoje, existe a necessidade de não gastar mais do que se pode”, avaliou o presidente da Arco.
Animais campeões concentram procura na Expointer
A comercialização permaneceu concentrada nos exemplares mais bem classificados nos julgamentos. Animais campeões, reservados e com elevado potencial genético apresentaram maior liquidez, mantendo uma característica já observada nas últimas edições da Expointer.
Algumas fêmeas também despertaram interesse de criadores interessados em ampliar ou renovar seus plantéis. A procura está associada à busca por matrizes capazes de transmitir características desejáveis, como precocidade, ganho de peso, qualidade de carcaça, fertilidade e produção de lã.
De acordo com Gressler, os julgamentos de admissão e classificação ocorreram normalmente e contaram com forte participação das diferentes raças. A presença de animais de ponta reforçou a Expointer como vitrine para a genética ovina brasileira.
“A participação foi muito positiva. Os julgamentos aconteceram dentro da normalidade e com entusiasmo, refletindo o bom momento da ovinocultura”, destacou.
Melhora do clima favoreceu movimento de público
O fluxo de visitantes aumentou principalmente da metade para o fim da última semana da exposição, após a melhora das condições climáticas. O crescimento da circulação de público ajudou a impulsionar os contatos comerciais e as negociações entre criadores.
A Expointer recebeu mais de 909 mil visitantes e movimentou aproximadamente R$ 6,18 bilhões em negócios no conjunto dos setores participantes. Máquinas e implementos agrícolas responderam pela maior parte do faturamento da feira.
Na ovinocultura, além dos remates formais, o evento estimulou contatos entre produtores, troca de informações técnicas e negociações diretas. A exposição também permitiu aos criadores comparar linhagens, avaliar tendências genéticas e planejar investimentos para os próximos ciclos produtivos.
Feiras de verão devem aquecer vendas de ovinos
A expectativa da Arco é de crescimento da comercialização durante as feiras de verão. A projeção positiva está apoiada na valorização da lã nos mercados brasileiro e internacional, além do bom momento dos preços da carne ovina.
Somadas as vendas realizadas desde o começo do calendário das feiras de verão, incluindo a Expointer, a comercialização de ovinos já alcança R$ 6,36 milhões.
O calendário de exposições regionais deverá ampliar as oportunidades de compra e venda, especialmente no Rio Grande do Sul, onde as feiras de verão têm papel importante na movimentação de reprodutores, matrizes e animais destinados à produção.
“A comercialização nas feiras de verão vai estar muito aquecida”, projetou Gressler.
Genética para carne deve ganhar espaço
A procura por genética voltada à produção de cordeiros mais precoces e pesados tende a ganhar força nas próximas feiras. O objetivo dos produtores é melhorar a eficiência dos rebanhos, reduzir a idade de abate e aumentar o volume de carne produzido por matriz.
Características como velocidade de crescimento, conversão alimentar, rendimento de carcaça e habilidade materna devem orientar parte das decisões de compra. Animais capazes de transmitir essas qualidades podem alcançar maior valorização nos remates.
A genética também é estratégica para sistemas voltados à produção de lã. A valorização da fibra aumenta o interesse por reprodutores e matrizes capazes de elevar a qualidade, a uniformidade e o volume produzido pelos rebanhos.
Esse movimento favorece criadores especializados e programas de seleção que utilizam avaliações zootécnicas para identificar animais superiores.
Resultado não sinaliza perda de força da ovinocultura
Na avaliação da Arco, a redução das vendas na Expointer está mais relacionada à conjuntura econômica do que a uma retração estrutural da ovinocultura. A presença expressiva de animais, o interesse pelos julgamentos e a procura por exemplares de alto padrão genético reforçam a continuidade dos investimentos no setor.
A entidade considera que os preços da carne ovina e da lã poderão estimular novos negócios nos próximos meses. O avanço das feiras de verão será decisivo para confirmar se o mercado conseguirá ampliar o número de animais comercializados e superar a cautela financeira observada durante a Expointer.
Para os criadores, o desafio será equilibrar investimentos em genética com custos de produção, disponibilidade de crédito e perspectivas de retorno. Nesse contexto, animais capazes de melhorar rapidamente os indicadores produtivos devem continuar concentrando a maior parte da procura e alcançando os melhores preços nos próximos remates.
Fonte: Portal do Agronegócio
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