Açúcar dispara 16,7% e preços de milho, soja, café e trigo avançam em agosto, aponta Cepea
Agromensais de agosto de 2026 mostram valorização de importantes commodities agrícolas, recuperação do arroz e do frango e primeira alta do etanol na safra 2026/27
Publicado em: 10/09/2026 às 10:30hs
Os preços de importantes produtos do agronegócio brasileiro avançaram em agosto de 2026, sustentados pela restrição da oferta, pela firmeza dos vendedores, pela valorização internacional das commodities e pelas preocupações climáticas com a safra 2026/27.
Os movimentos foram detalhados nas Agromensais do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), disponíveis no site da instituição. Entre os destaques estão a forte valorização do açúcar cristal, a recuperação do arroz em casca e as altas de milho, soja, café, trigo, algodão e etanol.
O mercado de carnes apresentou comportamento mais equilibrado. A carne de frango voltou a registrar leve recuperação, enquanto boi gordo e carne bovina seguiram trajetórias diferentes. Nos mercados de feijão e ovinos, a movimentação permaneceu limitada.
Açúcar cristal sobe 16,7% entre a primeira e a última semana
O açúcar cristal branco registrou uma das valorizações mais expressivas de agosto no mercado físico paulista. A média semanal do Indicador CEPEA/ESALQ, referente ao produto com classificação Icumsa entre 130 e 180, passou de R$ 93,02 por saca de 50 quilos na primeira semana para R$ 108,53 na última.
A diferença representa uma alta de aproximadamente 16,7% ao longo do período.
O avanço foi sustentado pela menor disponibilidade de açúcar no Centro-Sul e pela firmeza das usinas nas negociações. Diante da rápida elevação dos preços, compradores reduziram o ritmo das aquisições e passaram a operar apenas em negócios considerados necessários.
Algodão sobe, mas fica abaixo da paridade de exportação
Os preços do algodão em pluma também avançaram em agosto. Segundo o Cepea, vendedores mantiveram uma postura firme, acompanhando a valorização observada no mercado internacional.
Apesar da alta, a cotação doméstica ficou, em média, 1,5% abaixo da paridade de exportação. Essa situação não era registrada desde dezembro de 2025, após o mercado interno operar acima desse parâmetro durante sete meses consecutivos.
A mudança na relação entre os preços domésticos e externos passou a influenciar as estratégias comerciais dos agentes e a disponibilidade da pluma no mercado brasileiro.
Arroz tem forte recuperação no Rio Grande do Sul
O mercado de arroz em casca apresentou recuperação significativa no Rio Grande do Sul durante agosto. A baixa disponibilidade do cereal e a necessidade das indústrias de recomporem seus estoques levaram ao aumento das ofertas de compra.
Do lado vendedor, produtores mantiveram pedidos firmes, contribuindo para a valorização.
Com o avanço das cotações, porém, as indústrias encontraram maior dificuldade para repassar os reajustes ao arroz beneficiado. Esse cenário elevou a resistência dos compradores a novos aumentos.
Na reta final de agosto, a disponibilidade cresceu em algumas regiões, mas a demanda externa, principalmente nas proximidades do Porto de Rio Grande, continuou sustentando os preços.
Boi gordo perde força, mas carne bovina segue valorizada
Os mercados do boi gordo e da carne bovina tiveram comportamentos distintos em agosto.
A arroba negociada no estado de São Paulo perdeu parte do impulso observado no fim de julho. No atacado da Grande São Paulo, entretanto, os preços da carne permaneceram firmes.
As exportações continuaram exercendo papel relevante na sustentação do setor, mesmo diante das medidas comerciais adotadas pela China. O cenário reforçou a necessidade de o Brasil ampliar e diversificar os destinos da carne bovina.
Café arábica avança com qualidade menor e estoques reduzidos
Os preços do café arábica subiram em agosto, mesmo com a colheita brasileira praticamente concluída e o consequente aumento da oferta doméstica.
A valorização foi sustentada principalmente pela menor qualidade dos grãos da safra 2026/27 e pelos estoques certificados historicamente baixos na Bolsa de Nova York, a ICE Futures.
As preocupações com as condições climáticas para a próxima temporada também influenciaram as negociações. O mercado passou a acompanhar com maior atenção o desenvolvimento das floradas e os possíveis impactos do clima sobre o potencial produtivo dos cafezais.
Etanol registra primeira alta da safra 2026/27
Os preços médios dos etanóis hidratado e anidro registraram, em agosto, a primeira valorização da temporada 2026/27 no estado de São Paulo.
Considerando as semanas completas do mês, o etanol hidratado foi negociado, em média, a R$ 2,2020 por litro, alta de 3,11% em relação a julho.
No mercado spot, o preço médio do etanol anidro alcançou R$ 2,4750 por litro, avanço mensal de 1,59%.
A valorização esteve relacionada às previsões de chuvas para setembro no Centro-Sul, que poderiam interromper temporariamente as atividades industriais. A alta do açúcar no exterior também reforçou o movimento, diante das preocupações com uma possível redução da oferta em importantes países produtores.
Feijão-carioca e feijão-preto seguem trajetórias diferentes
Os mercados de feijão-carioca e feijão-preto apresentaram comportamentos distintos durante agosto.
No caso do carioca, o avanço da colheita da terceira safra ampliou a disponibilidade e manteve a pressão sobre as cotações pelo terceiro mês seguido. Com os preços mais baixos, produtores reduziram as vendas, permitindo uma recuperação parcial na segunda metade do mês.
No mercado de feijão-preto, a demanda permaneceu pontual. Ainda assim, a menor oferta de lotes de boa qualidade sustentou as cotações.
Carne de frango volta a subir com demanda interna e exportações
Após as quedas observadas em junho e julho, o preço médio mensal da carne de frango apresentou pequena recuperação em agosto na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.
O movimento foi favorecido pelo aquecimento da demanda doméstica, especialmente no início do mês, e pelo desempenho positivo das exportações.
A oferta também esteve mais ajustada ao consumo, reduzindo a pressão sobre os preços e contribuindo para a reação das cotações.
Milho avança mesmo com produção recorde e colheita na reta final
Os preços do milho subiram de forma expressiva em agosto, apesar do avanço da colheita da segunda safra e das estimativas de produção recorde no Brasil.
As negociações permaneceram pontuais, com compradores e vendedores afastados do mercado. Produtores limitaram a oferta no mercado spot, apoiados pela valorização internacional do cereal e pela elevação da paridade de exportação.
O atraso da colheita brasileira em comparação com a temporada anterior e as preocupações com os possíveis efeitos do El Niño no fim do ano também sustentaram as cotações.
Mercado de ovinos mantém baixa liquidez
O mercado de ovinos apresentou poucas negociações durante agosto, refletindo o período de entressafra e o padrão de consumo característico do meio do ano.
Em São Paulo, o cordeiro vivo foi negociado, em média, a R$ 16 por quilo, mantendo estabilidade em relação a julho.
Em Mato Grosso, as cotações também permaneceram estáveis, com média de R$ 15 por quilo.
Soja sobe com demanda global e risco climático
As cotações da soja avançaram no Brasil em agosto, impulsionadas pela demanda global firme e pelas condições climáticas irregulares no Hemisfério Norte.
As incertezas sobre os possíveis efeitos do El Niño na safra brasileira 2026/27 também levaram produtores e compradores a adotarem maior cautela nas negociações.
Além dos fundamentos agrícolas, a intensificação dos conflitos no Oriente Médio contribuiu para sustentar os preços da oleaginosa.
Trigo acompanha mercado externo e alta do dólar
Os preços do trigo subiram no mercado brasileiro durante agosto, acompanhando as valorizações internacionais e o avanço do dólar frente ao real.
A baixa disponibilidade interna continuou limitando as negociações no mercado spot. Ao mesmo tempo, compradores começaram a direcionar as aquisições para lotes da nova safra, com entregas previstas principalmente entre meados de setembro e outubro.
A combinação entre oferta restrita e transição de safras manteve a liquidez reduzida e os negócios pontuais no mercado disponível.
Oferta restrita e clima orientam mercado agrícola
O balanço de agosto mostra que, mesmo em mercados com produção elevada ou colheita avançada, a disponibilidade imediata e as estratégias de comercialização dos produtores continuam exercendo forte influência sobre os preços.
A valorização externa das commodities, o comportamento do dólar e as incertezas climáticas associadas ao El Niño ampliam a cautela para os próximos meses. Com a safra 2026/27 ganhando espaço nas decisões, agentes devem acompanhar especialmente as condições de plantio, o ritmo das exportações e a formação dos estoques domésticos.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias