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Milho e Sorgo

Milho mantém preços firmes no Brasil, enquanto Chicago recua com clima favorável nos EUA

Vendas seletivas, demanda interna e atuação das indústrias de bioenergia sustentam as cotações no mercado brasileiro; na Bolsa de Chicago, contratos devolveram os ganhos e fecharam em baixa antes do novo relatório do USDA


Publicado em: 10/09/2026 às 11:30hs

Milho mantém preços firmes no Brasil, enquanto Chicago recua com clima favorável nos EUA

O mercado do milho apresenta movimentos distintos no Brasil e no exterior. Enquanto as cotações permanecem sustentadas nas principais regiões produtoras brasileiras, a Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou a sessão em queda, pressionada pelo clima favorável à colheita nos Estados Unidos e pelo ajuste de posições antes do relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).

No mercado doméstico, a menor disposição dos produtores para negociar novos lotes, combinada à necessidade de reposição dos compradores, mantém os preços firmes. A liquidez, entretanto, continua limitada em diversas praças, com vendedores e consumidores distantes quanto aos valores das negociações.

Preço do milho varia de R$ 59 a R$ 70 no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as indicações de preço oscilam entre R$ 59 e R$ 70 por saca. O valor médio estadual avançou 1,43% na semana, passando de R$ 60,23 para R$ 61,09 por saca, segundo levantamento da TF Agroeconômica.

A comercialização continua seletiva, com produtores aguardando oportunidades melhores para fechar novos negócios. Ao mesmo tempo, o plantio da safra de milho 2026/27 chegou a 38% da área projetada, mas o excesso de umidade no solo impediu um avanço mais acelerado dos trabalhos.

Déficit de milho mantém Santa Catarina dependente de outros estados

Em Santa Catarina, as referências de venda estão próximas de R$ 60 por saca, enquanto as ofertas dos compradores giram ao redor de R$ 55. Essa diferença limita o volume de negócios efetivamente realizados.

O estado consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de milho por ano, principalmente para abastecer as cadeias de aves e suínos. Na safra 2025/26, a produção catarinense foi estimada em 2,67 milhões de toneladas, mantendo um déficit próximo de 6 milhões de toneladas.

Essa necessidade estrutural de importação de milho de outros estados ajuda a sustentar os preços locais. O plantio da safra 2026/27 alcançou 6,5% da área, mas também enfrenta limitações provocadas pelas chuvas.

Paraná concilia colheita da safrinha e plantio da nova temporada

No Paraná, compradores indicam cerca de R$ 60 por saca, enquanto parte da demanda permanece próxima de R$ 55 por saca, na modalidade CIF. A diferença entre compradores e vendedores reduz a liquidez e reforça o caráter seletivo das negociações.

A colheita da segunda safra de milho 2025/26 atingiu 89% da área, enquanto o plantio da primeira safra 2026/27 avançou para 18%.

Entre as praças paranaenses, Ponta Grossa registrou referência de R$ 67,91 por saca. Umuarama apresentou a maior valorização semanal, com alta de 1,62%.

Bioenergia sustenta demanda por milho em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, os preços do milho variam entre R$ 54 e R$ 57 por saca. A demanda das indústrias de bioenergia permanece como um dos principais fatores de sustentação das cotações no estado.

A expansão da produção de etanol de milho criou uma fonte adicional de consumo regional, reduzindo a dependência exclusiva das exportações e das cadeias tradicionais de proteína animal.

A colheita da segunda safra alcançou 96% da área sul-mato-grossense. Mesmo com a entrada do cereal no mercado, a atuação da indústria e a postura cautelosa dos produtores evitam uma pressão mais intensa sobre os preços.

Milho sobe pela manhã, mas fecha em baixa na Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de milho chegaram a operar em alta durante a manhã, impulsionados pelos sinais de demanda pelo produto norte-americano e pela valorização do petróleo.

O avanço do mercado de energia favoreceu inicialmente as commodities agrícolas, diante da possibilidade de aumento dos custos de produção e do fortalecimento da demanda por biocombustíveis. A confirmação da venda de 182.880 toneladas de milho dos Estados Unidos ao México, com entrega prevista para a safra 2026/27, também ofereceu suporte às cotações.

Ao longo do pregão, porém, os contratos perderam força e passaram a operar em baixa. O movimento refletiu principalmente o ajuste das posições dos investidores antes da divulgação do novo relatório de oferta e demanda do USDA.

O vencimento dezembro encerrou cotado a US$ 5,2775 por bushel, com queda de 5,75 centavos, equivalente a 1,07%. O contrato março terminou a US$ 5,4325 por bushel, recuo de 5,75 centavos ou 1,04%.

Clima favorável acelera colheita do milho nos Estados Unidos

As previsões de tempo mais quente e seco para o Meio-Oeste dos Estados Unidos também pressionaram os contratos futuros. As condições climáticas reduzem os riscos de atrasos na colheita e diminuem a possibilidade de danos provocados por geadas precoces.

Até 6 de setembro, 5% da área norte-americana de milho havia sido colhida, acima dos 4% registrados no mesmo período do ano anterior e da média de 3% dos últimos cinco anos.

Em relação às condições das lavouras, 56% da área estava classificada como boa ou excelente, 27% apresentava situação regular e 17% estava entre ruim e muito ruim. Na semana anterior, os percentuais eram de 57%, 26% e 17%, respectivamente.

Mercado aguarda novas estimativas do USDA

As atenções dos investidores estão concentradas no relatório de oferta e demanda mundial do USDA. O mercado trabalha com a possibilidade de redução nas estimativas de produção e estoques dos Estados Unidos para a safra 2026/27, além de uma eventual revisão negativa dos estoques globais.

Até a divulgação dos novos números, Chicago tende a permanecer volátil, reagindo às condições climáticas, ao avanço da colheita norte-americana, às vendas externas e ao comportamento do petróleo.

No Brasil, o cenário continua mais firme. A demanda das indústrias de ração e bioenergia, o déficit de milho no Sul, as exportações e a resistência dos produtores em negociar limitam a pressão da oferta, embora o ritmo dos negócios permaneça moderado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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