Preço do trigo sobe no Sul com oferta restrita e risco de falta antes da nova safra
Baixa disponibilidade mantém cotações firmes no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, enquanto casos de giberela elevam a preocupação com a qualidade dos primeiros lotes
Publicado em: 10/09/2026 às 12:00hs
O mercado de trigo no Sul do Brasil atravessa um período de oferta limitada, preços em alta e maior atenção à qualidade da nova safra. A redução no número de vendedores ativos sustenta as cotações nos principais estados produtores, enquanto a indústria avalia a necessidade de ampliar as importações para garantir o abastecimento até o avanço da colheita.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário é mais apertado no Rio Grande do Sul. Caso o ritmo atual da demanda seja mantido, o estado poderá enfrentar um déficit próximo de 70 mil toneladas antes da entrada mais expressiva do trigo da nova temporada.
Trigo alcança R$ 1.500 por tonelada no Rio Grande do Sul
No mercado gaúcho, a baixa disponibilidade de produto e a retração dos vendedores abriram espaço para novas valorizações. Negócios envolvendo aproximadamente 3 mil toneladas foram realizados ao redor de R$ 1.450 por tonelada FOB.
Dependendo da qualidade do cereal e da localização dos lotes, as cotações podem alcançar R$ 1.500 por tonelada. Esse valor já é considerado uma referência corrente nas aquisições realizadas pelos moinhos.
Ao longo do mês, o preço do trigo no Rio Grande do Sul acumulou aumento entre R$ 50 e R$ 100 por tonelada. A valorização reflete principalmente a menor oferta disponível e a necessidade das indústrias de assegurar matéria-prima para manter a moagem.
Importação pode ser necessária para completar abastecimento
As estimativas indicam que ainda existiriam cerca de 70 mil toneladas de trigo disponíveis no Rio Grande do Sul. Mesmo considerando os estoques mantidos pelos moinhos, esse volume pode não ser suficiente para atender ao consumo até a chegada da nova safra.
Nesse cenário, o estado precisaria importar aproximadamente 70 mil toneladas para completar a moagem. Caso as indústrias optem pela formação de uma reserva técnica, a necessidade poderia chegar ao equivalente a três cargas de navios do tipo handy size.
A possibilidade de maior entrada de trigo importado ganha relevância diante do aperto da oferta doméstica. No entanto, o comportamento do câmbio, os preços internacionais e os custos logísticos serão decisivos para a viabilidade das operações.
Giberela ameaça qualidade dos primeiros lotes
Além da oferta restrita, o mercado acompanha os impactos do clima sobre as lavouras gaúchas. As primeiras áreas de trigo que passaram pela fase de florescimento registraram problemas relacionados à giberela após vários dias de elevada umidade durante o período crítico da cultura.
A doença pode comprometer a produtividade e a qualidade industrial do cereal. Também aumenta o risco de presença de desoxinivalenol, conhecido como DON, uma micotoxina que pode limitar a utilização dos grãos e dificultar sua comercialização.
Por isso, os resultados das análises de qualidade dos primeiros lotes deverão influenciar diretamente a formação dos preços e as estratégias de compra dos moinhos.
Exportação oferece valores abaixo das expectativas
No mercado de exportação, as indicações para embarques em dezembro estão próximas de R$ 1.270 por tonelada. O valor, entretanto, ainda é considerado pouco atrativo pelos produtores e vendedores.
A diferença entre as cotações externas e os preços praticados no mercado doméstico favorece a retenção do trigo no país. Com a indústria pagando valores mais elevados, a tendência é de que os vendedores priorizem as negociações internas.
Trigo também se valoriza em Santa Catarina e no Paraná
Em Santa Catarina, os preços pedidos pelos vendedores avançaram para uma faixa entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada FOB. A oferta continua reduzida, enquanto a distância entre compradores e vendedores mantém o mercado com baixa liquidez.
No Paraná, foram registrados negócios a R$ 1.500 por tonelada na região Norte e a R$ 1.450 nos Campos Gerais. Apesar dessas referências, os lotes disponíveis são escassos, o que limita a movimentação comercial.
Para o trigo da nova safra, os compradores indicam valores decrescentes conforme o período de entrega:
- Setembro: R$ 1.500 por tonelada;
- Outubro: R$ 1.450 por tonelada;
- Novembro: R$ 1.400 por tonelada.
A curva de preços sinaliza a expectativa de aumento gradual da disponibilidade com o avanço da colheita.
Mercado do trigo deve continuar firme no curto prazo
A combinação de estoques reduzidos, vendas seletivas e demanda dos moinhos deve manter os preços do trigo sustentados no Sul no curto prazo. O cenário poderá ficar ainda mais ajustado caso os problemas provocados pela giberela comprometam uma parcela relevante da produção.
Até que a nova safra ganhe volume, compradores e vendedores deverão acompanhar principalmente a qualidade dos grãos, o ritmo das importações, o comportamento do dólar e a necessidade de reposição da indústria. Esses fatores serão determinantes para a trajetória das cotações no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná.
Fonte: Portal do Agronegócio
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