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Caprinos e Ovinos

Consumo de carne ovina cresce, mas falta de cordeiros limita avanço da indústria

Novos cortes, embalagens menores e produtos resfriados ampliam a presença da carne ovina no varejo, enquanto frigoríficos alertam para a oferta insuficiente de animais


Publicado em: 01/09/2026 às 10:45hs

Consumo de carne ovina cresce, mas falta de cordeiros limita avanço da indústria

O mercado brasileiro de carne ovina atravessa um período de transformação. O consumo avança, novos formatos conquistam espaço no varejo e a indústria identifica potencial para ampliar as vendas. Entretanto, a oferta insuficiente de cordeiros para abate ainda representa um dos principais obstáculos ao crescimento da cadeia produtiva.

O desafio foi debatido no Conexão Cordeiro, realizado no domingo (30), durante a Expointer 2026, em Esteio (RS). Promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), o encontro reuniu produtores rurais, frigoríficos, comerciantes, especialistas e representantes do setor de nutrição animal.

Com o tema “Mercado, tecnologia e valor na cadeia da carne ovina”, o evento discutiu alternativas para elevar a produtividade, organizar o abastecimento da indústria e adequar os produtos às novas preferências dos consumidores.

Falta de cordeiros dificulta expansão dos frigoríficos

O aumento da disponibilidade de animais foi apontado como uma das necessidades mais urgentes da ovinocultura. Segundo o diretor-presidente do Frigorífico Carneiro Sul, João Bernardo da Silva, existe demanda para sustentar o crescimento da atividade, mas a escassez de matéria-prima restringe o avanço da indústria.

A avaliação é de que o mercado consumidor já foi desenvolvido e apresenta espaço para expansão. Para aproveitar esse potencial, frigoríficos precisam receber animais com maior regularidade, qualidade e padronização, condições fundamentais para organizar escalas de abate e atender continuamente os pontos de venda.

Nesse cenário, a aproximação entre indústria e produtores rurais torna-se estratégica. Uma relação mais coordenada pode favorecer o planejamento da produção, melhorar a previsibilidade da oferta e estimular investimentos na criação de cordeiros.

Carne ovina ganha novos cortes e embalagens no varejo

As mudanças no consumo também estão alterando a forma como a carne ovina chega aos supermercados, açougues e lojas especializadas. Além das tradicionais peças congeladas, o consumidor encontra opções resfriadas, fracionadas, manipuladas e acondicionadas em bandejas.

A consultora de mercado Ana Doralina Menezes destacou que a cadeia precisa compreender com maior precisão o perfil de seu público. Preferências relacionadas ao tamanho das porções, praticidade, qualidade, conservação e apresentação passaram a influenciar diretamente a decisão de compra.

A oferta de embalagens menores e cortes preparados para o consumo doméstico pode ampliar o acesso à proteína, especialmente entre clientes que não têm o hábito de comprar peças inteiras ou grandes volumes.

Essa adaptação também contribui para inserir a carne ovina no cotidiano das famílias, reduzindo a percepção de que o produto deve ser consumido apenas em ocasiões especiais.

Comercialização melhora, mas produto ainda precisa de divulgação

No varejo, a avaliação é de que vender carne de cordeiro se tornou mais fácil ao longo das últimas décadas. O proprietário da Calvi Carnes, Eloir Francisco Calvi, relatou que a aceitação do produto aumentou consideravelmente desde o início de sua atividade, há mais de 40 anos.

Apesar da evolução, o setor ainda enfrenta o desafio de apresentar melhor os atributos da proteína aos consumidores. Informações sobre cortes, modos de preparo, origem, sabor e qualidade podem estimular a experimentação e fortalecer a recorrência das compras.

A divulgação também é importante para aproximar a carne ovina de públicos mais jovens e de consumidores que ainda conhecem pouco as possibilidades culinárias do produto.

Raça Corriedale tem papel estratégico na produção gaúcha

A raça Corriedale ocupou posição de destaque nas discussões por sua representatividade na ovinocultura do Rio Grande do Sul. De acordo com o presidente da ABCC, Gustavo Velloso, os animais da raça correspondem a mais de 60% do rebanho ovino gaúcho.

Essa participação coloca os criadores de Corriedale no centro dos debates sobre aumento da oferta de cordeiros, eficiência produtiva, genética e abastecimento dos frigoríficos.

Velloso explicou que o Conexão Cordeiro foi criado para colocar os diferentes segmentos da cadeia na mesma discussão. A integração entre produtores, indústria, varejo e consumidores é considerada essencial para identificar gargalos e construir estratégias capazes de ampliar simultaneamente a produção e o consumo.

Integração da cadeia pode impulsionar a ovinocultura

O avanço da carne ovina dependerá de uma atuação coordenada entre os diferentes elos do setor. De um lado, o mercado exige produtos padronizados, práticos e alinhados às preferências do consumidor. Do outro, a indústria necessita de maior volume e regularidade no fornecimento de cordeiros.

Além de representantes da ABCC, frigoríficos e varejo, o Conexão Cordeiro contou com a participação de especialistas em produção rural, saúde animal, nutrição de ruminantes e comercialização.

A programação foi realizada na Casa Corriedale, no Parque de Exposições Assis Brasil. O encontro reforçou que o crescimento sustentável da ovinocultura passa pelo aumento da produtividade no campo, pela organização da oferta e pela modernização da apresentação da carne ovina no varejo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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