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Caprinos e Ovinos

Programa Lã Certificada busca ampliar participação de pequenos produtores e impulsionar qualidade da ovinocultura brasileira

Arco debate certificação, mercado, logística e valorização da fibra no 3º Dia da Lã, enquanto preços internacionais da lã registram recuperação e remuneração pode superar 100%


Publicado em: 22/07/2026 às 17:30hs

Programa Lã Certificada busca ampliar participação de pequenos produtores e impulsionar qualidade da ovinocultura brasileira

A certificação da produção de lã deve ganhar ainda mais espaço na ovinocultura brasileira nos próximos anos. A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) pretende ampliar a participação de produtores, especialmente os de pequeno porte, no Programa Lã Certificada, iniciativa que completa cinco anos e já vem promovendo ganhos expressivos na qualidade da fibra e na rentabilidade dos criadores.

Os desafios para expandir o programa estarão no centro dos debates do 3º Dia da Lã, que será realizado em 30 de julho, na Associação e Sindicato Rural de Sant'Ana do Livramento (RS). O encontro reunirá produtores, técnicos, pesquisadores, esquiladores, representantes da indústria e especialistas para discutir o futuro da cadeia produtiva da lã no Brasil.

Certificação agrega valor e fortalece a competitividade da lã brasileira

Criado em meio à pandemia de Covid-19, período considerado um dos mais difíceis para o mercado mundial da lã, o Programa Lã Certificada nasceu com o objetivo de elevar o padrão da fibra produzida no Brasil e aproximar o setor das exigências do mercado internacional.

Segundo o coordenador do programa, Sérgio Muñoz, a iniciativa foi implantada mesmo diante da forte retração nas exportações mundiais.

"Começamos o programa em um dos piores momentos do comércio de lãs da história. Mesmo assim, tínhamos certeza de que os melhores dias viriam e de que não existia outro caminho senão certificar as nossas lãs."

A implantação do sistema brasileiro teve como referência a experiência consolidada há mais de três décadas no Uruguai e na Argentina, países reconhecidos internacionalmente pela qualidade da produção de lã.

A cooperação técnica entre os países continua ativa e especialistas uruguaios participarão das palestras programadas para o evento.

Mudanças no manejo elevaram a qualidade da fibra

A certificação exigiu mudanças importantes em toda a cadeia produtiva.

Entre as principais adequações estão:

  • melhorias na esquila;
  • novas práticas de manipulação da fibra;
  • padronização do acondicionamento;
  • maior controle da qualidade durante todo o processo produtivo.

Segundo Muñoz, a demonstração dos ganhos financeiros foi determinante para aumentar a adesão dos produtores.

"A melhor maneira de mudar uma cultura é mostrar o resultado no bolso do produtor. Felizmente, esse resultado veio."

Lã certificada pode render mais de 100% acima do sistema convencional

Um dos principais atrativos do programa é a valorização obtida pela fibra certificada.

De acordo com a Arco, nas lãs mais finas a diferença de remuneração pode superar 100% quando comparada à lã produzida pelos sistemas tradicionais de esquila e acondicionamento.

A certificação entrega à indústria uma matéria-prima com maior padronização, menor contaminação e qualidade superior, aumentando o valor agregado da produção nacional.

Pequenos produtores ainda enfrentam desafios

Apesar da evolução do programa nos últimos cinco anos, a ampliação da participação dos pequenos criadores ainda depende da superação de alguns gargalos estruturais.

Entre os principais desafios destacados pela Arco estão:

  • custos logísticos elevados;
  • necessidade de formação de mão de obra especializada;
  • maior participação da indústria nacional na cadeia da lã;
  • ampliação do acesso dos pequenos produtores ao sistema de certificação.

Segundo Muñoz, muitos pequenos ovinocultores já investiram em genética e produzem lã de excelente qualidade, mas ainda encontram dificuldades para acessar mercados que remuneram melhor pela fibra certificada.

Mercado internacional volta a favorecer a produção de lã

O cenário externo também tem contribuído para aumentar o otimismo do setor.

Segundo a Arco, os preços internacionais da lã retornaram aos níveis observados antes da pandemia e seguem em trajetória de valorização.

Nas diferentes categorias de finura, a recuperação acumulada varia entre 60% e 70% em comparação aos valores registrados há cerca de dois anos.

Esse ambiente favorável fortalece as perspectivas para a nova safra e amplia o interesse dos produtores em investir na melhoria da qualidade da produção.

3º Dia da Lã reunirá toda a cadeia produtiva

Além das discussões técnicas sobre certificação, o evento apresentará indicadores atualizados do Programa Lã Certificada e análises sobre o comportamento do mercado internacional.

A programação também contará com relatos de produtores que já comercializam lã certificada com remuneração diferenciada e duas mesas-redondas envolvendo representantes da indústria, esquiladores, técnicos e criadores.

O objetivo é discutir soluções para os principais entraves que ainda limitam o crescimento da cadeia produtiva.

Segundo a organização, o encontro busca fortalecer a integração entre todos os segmentos envolvidos na produção, processamento e comercialização da lã brasileira.

Certificação deve impulsionar o futuro da ovinocultura brasileira

Com o mercado internacional mais aquecido, preços em recuperação e maior valorização da fibra de qualidade, a certificação tende a se consolidar como uma das principais estratégias para aumentar a competitividade da ovinocultura nacional.

A expectativa da Arco é ampliar o número de produtores certificados, fortalecer a inserção dos pequenos criadores e elevar o padrão da lã brasileira, agregando valor à produção e ampliando as oportunidades de comercialização tanto no mercado interno quanto nas exportações.

Fonte: Portal do Agronegócio

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