Produtor de leite recupera margem, mas setor pede equilíbrio maior na cadeia para garantir sustentabilidade
Após longo período de preços abaixo dos custos, pecuaristas voltam a operar com resultado positivo, mas entidades defendem remuneração mais adequada e maior participação do varejo nas discussões do mercado.
Publicado em: 24/07/2026 às 11:35hs
Depois de anos marcados por baixa rentabilidade e dificuldades financeiras, produtores de leite do Rio Grande do Sul começam a recuperar parte das margens da atividade. O preço recebido pelo litro voltou a superar o custo de produção em muitas propriedades, trazendo alívio ao setor, mas ainda está distante do nível considerado necessário para estimular investimentos e garantir estabilidade no longo prazo.
O cenário atual mostra uma melhora em relação aos períodos anteriores, porém representantes da cadeia leiteira defendem maior equilíbrio entre produtores, indústrias e varejo para reduzir os impactos das oscilações de mercado.
Preço do leite supera custo de produção no Rio Grande do Sul
Os indicadores do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) apontam uma recuperação dos valores pagos aos produtores.
Para junho, o conselho projetou um preço de referência de R$ 2,4281 por litro de leite, índice utilizado como base nas negociações entre produtores e empresas.
Na prática, os valores pagos podem variar conforme fatores como:
- qualidade do leite entregue;
- volume produzido;
- bonificações oferecidas pelos laticínios;
- características de cada negociação comercial.
Segundo a Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), muitos produtores atualmente recebem valores entre R$ 2,50 e R$ 2,70 por litro, enquanto o custo médio de produção estaria entre R$ 2,20 e R$ 2,30 por litro.
Margem positiva ainda é considerada insuficiente
Para o presidente da Gadolando, Marcos Tang, o momento representa uma recuperação parcial da atividade, após um longo período em que muitos produtores trabalharam sem margem suficiente.
Segundo ele, embora o cenário atual seja mais favorável, a remuneração ainda não garante segurança para investimentos, modernização das propriedades e expansão da produção.
A entidade avalia que um preço próximo de R$ 2,80 por litro seria mais adequado para proporcionar maior equilíbrio econômico ao produtor sem provocar impactos significativos ao consumidor.
Cadeia do leite busca maior equilíbrio entre produtores e mercado
A formação de preços do leite tem sido debatida nos últimos anos dentro do Conseleite/RS, espaço que reúne representantes dos produtores e da indústria para discutir referências de mercado.
Apesar dos avanços, a Gadolando defende que o varejo também participe mais ativamente das discussões, já que é um elo importante na formação do preço final dos produtos lácteos.
Segundo Marcos Tang, a inclusão do varejo poderia contribuir para distribuir melhor os impactos das crises e das oscilações do mercado entre todos os participantes da cadeia.
Setor leiteiro enfrenta desafios estruturais
Mesmo com a recuperação recente das margens, a atividade leiteira continua enfrentando desafios relacionados aos custos de produção, investimentos necessários, variações de mercado e competitividade.
Para produtores, a construção de uma cadeia mais equilibrada depende de maior integração entre todos os segmentos envolvidos, desde quem produz o leite até quem comercializa os derivados ao consumidor final.
A avaliação do setor é que momentos de valorização e períodos de dificuldade precisam ser enfrentados de forma conjunta, garantindo maior previsibilidade para os produtores e estabilidade para toda a cadeia produtiva.
Rentabilidade volta ao debate no campo
A retomada de margens positivas representa um avanço importante para os produtores de leite, mas as entidades defendem que o movimento precisa ser acompanhado por mudanças estruturais.
Com maior diálogo entre produtores, indústria e varejo, o setor busca construir um ambiente mais sustentável, capaz de estimular investimentos, melhorar a eficiência produtiva e fortalecer a pecuária leiteira brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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