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Bovinos Leite

Manejo do Girolando: comportamento do rebanho deve orientar cercas e instalações

Corredores, porteiras e áreas de alimentação adaptados aos animais ajudam a reduzir estresse, facilitar deslocamentos e melhorar a segurança nas fazendas leiteiras.


Publicado em: 26/10/2026 às 14:30hs

Manejo do Girolando: comportamento do rebanho deve orientar cercas e instalações

O comportamento do gado Girolando precisa ser considerado no planejamento das instalações de uma propriedade leiteira. Porteiras mal posicionadas, corredores estreitos e pisos escorregadios podem interromper o deslocamento dos animais, provocar aglomerações e dificultar o manejo.

Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a raça responde por cerca de 80% da produção nacional de leite. Adaptar a estrutura às características do rebanho contribui para organizar a rotina e reduzir situações de estresse, explica a médica-veterinária Vanessa Amorim, analista de gestão e estratégia agro da Belgo Arames.

Resultado do cruzamento entre Gir Leiteiro e Holandês, o Girolando reúne características de adaptação ao clima tropical, rusticidade e aptidão leiteira. O temperamento, porém, varia conforme a composição genética, a idade e as experiências de manejo.

Observação dos animais ajuda a identificar falhas na estrutura

Antes de definir cercas, corredores e acessos, a especialista recomenda observar os trajetos utilizados pelo rebanho, os pontos de concentração e as situações que provocam inquietação.

“A infraestrutura da fazenda precisa acompanhar as características dos animais, e não o contrário”, afirma Vanessa.

Os bovinos são gregários e tendem a permanecer próximos uns dos outros, podendo demonstrar desconforto quando isolados. Também assimilam horários e percursos ligados à alimentação, ao descanso e à ordenha. Mudanças repentinas nessa rotina podem gerar resistência e agitação.

A hierarquia social é outro fator relevante. Cochos, bebedouros, porteiras e passagens estreitas podem se tornar locais de disputa, especialmente quando concentram muitos animais.

Cio e pós-parto exigem atenção no manejo do Girolando

Algumas fases alteram a movimentação e a resposta dos animais. Vacas em cio tendem a apresentar maior atividade e podem aumentar a pressão sobre as cercas ao tentar montar outras fêmeas. Já as recém-paridas podem demonstrar comportamento protetor em relação aos bezerros.

Segundo Vanessa, animais com maior composição genética zebuína podem apresentar uma zona de fuga mais ampla quando não estão habituados ao contato humano. Essa zona corresponde à distância em que a aproximação provoca uma reação de afastamento.

Por outro lado, o contato calmo e frequente desde jovens tende a favorecer a condução do rebanho.

Corredores e porteiras influenciam o deslocamento dos bovinos

Obstáculos, áreas escuras, excesso de lama e superfícies escorregadias podem fazer os animais parar, recuar ou se aglomerar. O posicionamento das porteiras e a largura das passagens também interferem no fluxo.

A distribuição de recursos dentro da propriedade merece atenção semelhante. Falta de sombra, água insuficiente e espaços inadequados para descanso favorecem a concentração em determinados pontos, aumentando a pressão sobre cercas e estruturas de contenção.

O planejamento deve, portanto, considerar tanto os caminhos percorridos quanto os locais em que o rebanho permanece ao longo do dia.

Cercamento deve considerar categoria animal e finalidade da área

Para a especialista, o projeto das cercas precisa levar em conta o porte e a categoria dos animais, o temperamento do lote, a frequência de movimentação, a topografia e o uso de cada espaço.

Divisas, corredores, áreas de manejo e subdivisões de pastagem recebem pressões diferentes e exigem avaliações específicas.

“Uma cerca bem planejada ajuda a direcionar o deslocamento dos animais e a organizar os espaços conforme as necessidades do rebanho. Em uma propriedade leiteira, porém, não existe uma solução única”, destaca Vanessa.

Materiais e acessórios precisam acompanhar o projeto

Entre as opções citadas pela analista está o arame liso ovalado Belgo Z-700, indicado pela empresa para terrenos planos ou regulares. Segundo a fabricante, o produto possui carga de ruptura de 700 kgf, além de elasticidade e resistência a impactos.

Para cercas elétricas, a profissional menciona o Belgo Eletrix, destinado a aplicações como subdivisões de pastagens e sistemas de manejo rotacionado. A empresa destaca características de condutividade, resistência e durabilidade.

A instalação também envolve acessórios como catracas, isoladores, grampos, espichadeiras e postes, cuja escolha deve acompanhar as necessidades da estrutura.

Na avaliação de Vanessa, o cercamento deve integrar o planejamento do manejo e do bem-estar animal. Conhecer a resposta do rebanho ao ambiente ajuda a definir instalações que ofereçam contenção, segurança e conforto, facilitando o trabalho diário na fazenda.

Fonte: Portal do Agronegócio

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