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Bovinos Leite

Qualidade da água pode melhorar eficiência na produção de leite, aponta estudo

Pesquisa da Iowa State University em parceria com a Kemin identificou redução de 72% na contagem de células somáticas do leite com o tratamento da água e melhora na eficiência alimentar de vacas leiteiras.


Publicado em: 20/10/2026 às 14:00hs

Qualidade da água pode melhorar eficiência na produção de leite, aponta estudo

A qualidade da água fornecida aos animais pode ser um fator importante para a saúde do rebanho e a eficiência da produção leiteira. Um estudo conduzido pela Iowa State University, em parceria com a Kemin Industries, investigou os efeitos da contaminação microbiológica da água e do tratamento com dióxido de cloro sobre o consumo, a produção de leite e indicadores de saúde de vacas leiteiras.

Os resultados foram apresentados durante a edição de 2026 da American Dairy Science Association (ADSA) e reforçam a importância de avaliar a água como parte das estratégias de manejo, higiene e eficiência produtiva nas propriedades leiteiras.

Pesquisa avaliou água contaminada e tratamento com dióxido de cloro

O experimento envolveu 24 vacas da raça Holandesa em meio da lactação, distribuídas em três grupos. O primeiro recebeu água limpa; o segundo, água contaminada artificialmente com fezes bovinas; e o terceiro, água submetida à mesma contaminação, mas posteriormente tratada com dióxido de cloro na concentração de 10 mg/L.

Durante o estudo, os pesquisadores acompanharam variáveis como consumo de água, ingestão de alimentos, produção de leite e indicadores relacionados à saúde dos animais.

A análise mostrou que o tratamento com dióxido de cloro reduziu em 27% a quantidade de bactérias aeróbias presentes na água contaminada. Outro resultado relevante foi a diminuição de 72% na contagem de células somáticas do leite em comparação com o grupo que recebeu água contaminada sem tratamento.

Tratamento da água foi associado à melhora da eficiência alimentar

Embora a contaminação experimental não tenha provocado alterações no consumo de água nem no volume de leite produzido, as vacas que receberam água tratada apresentaram melhora na relação entre a produção de leite e a quantidade de alimento consumida.

Esse indicador é utilizado para avaliar a eficiência alimentar do rebanho, ou seja, a capacidade dos animais de converter os nutrientes ingeridos em produção de leite.

Na prática, uma melhor eficiência alimentar pode contribuir para o desempenho econômico da atividade, uma vez que a alimentação representa um componente importante dos custos de produção. Os resultados, entretanto, indicam uma associação observada nas condições experimentais e não permitem afirmar que o tratamento da água produzirá o mesmo efeito em todas as propriedades.

Contagem de células somáticas ajuda a monitorar a saúde do rebanho

A redução da contagem de células somáticas (CCS) também merece atenção. Esse indicador é utilizado para acompanhar a saúde da glândula mamária e auxiliar no monitoramento da qualidade do leite.

Alterações na CCS podem estar relacionadas a processos inflamatórios e infecções mamárias, embora sua interpretação dependa de outros fatores e das condições do rebanho.

Os resultados do estudo sugerem que a qualidade microbiológica da água pode integrar as medidas de prevenção e controle sanitário adotadas nas fazendas. Ainda assim, a pesquisa não demonstra, isoladamente, que o tratamento da água seja suficiente para prevenir doenças ou garantir melhorias na qualidade do leite em escala comercial.

Água pode representar consumo de até 150 litros por vaca ao dia

O volume de água ingerido pelas vacas leiteiras ajuda a dimensionar a importância desse recurso no sistema produtivo. Animais de alta produção podem consumir entre 120 e 150 litros por dia, conforme informações apresentadas pela Kemin.

“Quando falamos em qualidade da água, não estamos falando apenas de uma questão de limpeza. Uma vaca leiteira de alta produção pode chegar a consumir 120-150 litros de água em um único dia. Desta forma a água pode ser considerada como o ingrediente de maior consumo na dieta e pode ser uma via de exposição a microrganismos. O que esse estudo ajuda a mostrar é que cuidar dessa qualidade pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de manejo, com reflexos sobre a saúde dos animais e sobre a eficiência com que eles transformam alimento em leite”, explica Leandro Greco, gerente de serviços técnicos da Kemin.

A declaração destaca que a disponibilidade de água não é o único aspecto a ser considerado. A qualidade microbiológica também merece atenção, especialmente em sistemas nos quais a água pode entrar em contato com fontes de contaminação.

Manejo da água deve integrar a estratégia de produção leiteira

Além de garantir o fornecimento em quantidade suficiente, os produtores podem incluir na rotina de manejo a avaliação da qualidade da água, a limpeza dos bebedouros e a inspeção das tubulações e dos reservatórios.

A formação de biofilmes e o acúmulo de matéria orgânica nos sistemas de abastecimento também podem favorecer a permanência de microrganismos, tornando importante o monitoramento periódico das instalações.

O tratamento da água, por sua vez, deve considerar a qualidade inicial do recurso, as características do sistema de abastecimento e a concentração adequada do produto utilizado. A aplicação de dióxido de cloro exige orientação técnica e controle operacional para garantir a segurança dos animais e a adequação do procedimento.

Para a Kemin, pesquisas desse tipo ampliam a discussão sobre fatores que nem sempre recebem a mesma atenção dedicada à nutrição, à genética e ao manejo diário, mas que podem integrar uma estratégia mais abrangente de saúde animal e eficiência produtiva.

A principal conclusão para o produtor de leite é que a água precisa ser considerada um componente estratégico do manejo. A avaliação de sua qualidade microbiológica, aliada às práticas de higiene e ao acompanhamento dos indicadores do rebanho, pode ajudar a identificar oportunidades de melhoria na produção leiteira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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