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Bovinos Leite

Cultura de levedura pode elevar produção e eficiência de vacas leiteiras

Tecnologia busca estabilizar o ambiente ruminal, melhorar o aproveitamento da dieta e aumentar a produção diária de leite, gordura e proteína


Publicado em: 28/08/2026 às 07:00hs

Cultura de levedura pode elevar produção e eficiência de vacas leiteiras

A eficiência de vacas leiteiras de alta produção depende não apenas da quantidade de nutrientes fornecidos, mas também da capacidade de digestão e aproveitamento da dieta. Nesse processo, o equilíbrio do rúmen exerce papel determinante sobre a conversão dos alimentos em leite e sólidos.

Com o avanço da produtividade, as dietas costumam apresentar maior densidade energética e participação elevada de carboidratos fermentáveis. A estratégia sustenta o desempenho, mas aumenta o desafio de manter o pH ruminal dentro de uma faixa adequada para a atividade dos microrganismos.

Quando a produção de ácidos supera a capacidade de utilização, neutralização e absorção pelo organismo, o pH pode cair. O problema prejudica especialmente as bactérias responsáveis pela digestão da fibra e pode comprometer o consumo, a eficiência alimentar e a produção.

É nesse contexto que as culturas de levedura ganham espaço como ferramentas nutricionais destinadas a favorecer a estabilidade do rúmen e o aproveitamento dos nutrientes.

Alta produção amplia desafio nutricional

Vacas de alto desempenho apresentam exigências elevadas de energia, proteína, fibra, vitaminas e minerais. Para atender a essas necessidades, é comum aumentar a participação de concentrados e ingredientes ricos em amido nas dietas.

Esses alimentos são fermentados rapidamente e estimulam a produção de ácidos graxos voláteis. Embora esses compostos sejam importantes fontes de energia para os ruminantes, o acúmulo excessivo pode reduzir o pH.

Segundo Ivens Haponiuk, especialista em Nutrição de Ruminantes - Leite da Vaccinar Nutrição Animal, a dieta precisa sustentar a produção sem prejudicar a estabilidade ruminal.

Quanto maior o desafio fermentativo, maior deve ser a atenção ao equilíbrio entre carboidratos rapidamente fermentáveis e fibra fisicamente efetiva, além do consumo, da frequência de alimentação e do manejo do cocho.

Cultura de levedura envolve mais que o microrganismo

Produtos à base de levedura não apresentam necessariamente a mesma composição ou forma de atuação.

A cultura de levedura é obtida por meio de um processo controlado de fermentação. Além de componentes celulares, o produto pode reunir metabólitos e outros compostos formados durante o processo produtivo.

Por isso, os resultados dependem de fatores como:

  • cepa utilizada;
  • meio de fermentação;
  • condições do processo;
  • método de secagem;
  • concentração;
  • perfil metabólico final;
  • dose fornecida aos animais.

O objetivo é favorecer os microrganismos naturalmente presentes no rúmen e criar condições para uma fermentação eficiente sem comprometer a digestão da fibra.

Estudo aponta melhora na estabilidade do pH ruminal

Pesquisa realizada com vacas alimentadas com dietas contendo diferentes concentrações de amido identificou respostas favoráveis à suplementação com cultura de levedura em situações de maior desafio fermentativo.

No grupo submetido à dieta com mais amido, a suplementação reduziu a concentração de lactato, elevou o pH médio do rúmen e diminuiu o período em que o indicador permaneceu abaixo de 6,0. Journal of Dairy Science

A manutenção do pH é importante porque as bactérias que degradam a fibra são sensíveis a ambientes excessivamente ácidos. Quando sua atividade diminui, o aproveitamento do volumoso pode ser prejudicado.

O benefício tende a ser mais relevante nas dietas com maior risco de instabilidade ruminal. Ainda assim, a resposta pode variar conforme a composição da alimentação, a categoria dos animais e as condições de manejo.

Bactérias utilizadoras de lactato ajudam a estabilizar o rúmen

As culturas de levedura também podem favorecer populações bacterianas envolvidas na utilização do lactato, entre elas Megasphaera elsdenii e Selenomonas ruminantium.

O lactato é um ácido que pode se acumular em determinadas situações de fermentação intensa. Quando utilizado eficientemente pelas bactérias ruminais, diminui o risco de queda acentuada do pH.

Assim, o possível efeito da cultura de levedura não se limita a uma atuação direta sobre a acidez. A tecnologia pode interferir na dinâmica da microbiota e na maneira como os nutrientes são fermentados.

Propionato contribui para produção de glicose

Entre os ácidos graxos voláteis produzidos durante a fermentação, o propionato possui papel estratégico no metabolismo energético.

Depois de absorvido pelo rúmen, o composto é direcionado ao fígado, onde participa da gliconeogênese, processo responsável pela produção de glicose.

Nos ruminantes, essa via é fundamental porque pouca glicose chega diretamente ao intestino para ser absorvida. A maior parte precisa ser produzida pelo próprio organismo.

A glicose é utilizada pela glândula mamária principalmente na síntese de lactose. Como a lactose está diretamente relacionada ao volume de leite secretado, a disponibilidade de precursores energéticos influencia o desempenho produtivo.

Meta-análise indica ganho de 1,18 quilo de leite por dia

Uma meta-análise reuniu 36 estudos e 69 comparações para avaliar os efeitos de uma cultura comercial de levedura sobre vacas em lactação.

Entre os estudos científicos revisados por pares, a diferença média estimada foi de 1,18 quilo de leite por vaca ao dia. O intervalo de confiança variou de 0,55 a 1,81 quilo.

O levantamento também apontou aumentos médios próximos de 60 gramas na produção diária de gordura e de 30 gramas na produção de proteína do leite. Journal of Dairy Science

Os pesquisadores identificaram, contudo, heterogeneidade entre os trabalhos, indicando que as respostas não são uniformes. Dieta, nível produtivo, fase da lactação, condições ambientais e produto utilizado podem influenciar os resultados.

Estudo brasileiro aponta aumento de 1,26 quilo de leite

Resultados citados pela Vaccinar também indicam resposta positiva em condições brasileiras.

Em uma avaliação com vacas Holandesas no meio da lactação, os animais receberam 7 gramas de cultura de levedura por dia. A produção média chegou a 28,04 quilos de leite por vaca, frente a 26,78 quilos no grupo controle.

A diferença foi de 1,26 quilo de leite por vaca ao dia.

A produção diária de gordura aumentou de 1,04 para 1,11 quilo, enquanto a quantidade de proteína passou de 0,90 para 0,94 quilo.

Os percentuais de gordura e proteína, entretanto, não apresentaram aumento estatisticamente significativo. O ganho ocorreu na quantidade total de sólidos produzida por animal, acompanhando o maior volume de leite.

Produção de sólidos merece atenção

Avaliar apenas os litros produzidos pode não revelar todo o impacto econômico de uma estratégia nutricional.

Em sistemas nos quais o pagamento considera a composição do leite, a produção diária de gordura e proteína também influencia a receita da propriedade.

Mesmo sem alteração percentual, o aumento do volume pode elevar a quantidade total de sólidos entregue ao laticínio. A vantagem econômica dependerá da política de remuneração, do custo da suplementação e da resposta do rebanho.

O produtor deve acompanhar:

  • produção individual e do lote;
  • teor e produção diária de gordura;
  • teor e produção diária de proteína;
  • consumo de matéria seca;
  • eficiência alimentar;
  • custo da dieta;
  • receita menos custo alimentar.
Resposta depende da qualidade do volumoso

A cultura de levedura não substitui os fundamentos da nutrição de vacas leiteiras.

Volumoso de baixa qualidade, mistura inadequada, falta de fibra efetiva, seleção dos ingredientes no cocho e longos períodos sem alimento podem limitar ou anular os benefícios esperados.

A estratégia nutricional precisa assegurar consumo suficiente de matéria seca, equilíbrio entre fibra e carboidratos fermentáveis e fornecimento adequado de proteína, energia, vitaminas e minerais.

O manejo também deve manter regularidade nos horários de trato, disponibilidade constante de água e espaço suficiente de cocho para reduzir a competição.

Monitoramento mostra se investimento gera retorno

A decisão de incluir cultura de levedura deve ser acompanhada por indicadores técnicos e econômicos.

A comparação precisa considerar grupos semelhantes, período adequado de adaptação e possíveis mudanças simultâneas no clima, no volumoso ou na fase de lactação.

O custo adicional deve ser confrontado com os ganhos em produção de leite, sólidos, saúde ruminal e eficiência alimentar. Como as respostas variam, as médias encontradas em pesquisas não representam garantia de desempenho em todas as propriedades.

O acompanhamento de um nutricionista ou médico-veterinário ajuda a definir a dose, o momento de uso e a viabilidade da tecnologia em cada sistema.

Núcleo para lactação incorpora cultura de levedura

Dentro dessa estratégia, a Vaccinar incorpora a cultura de levedura ao TECNOLEITE HD+, núcleo nutricional destinado a vacas em lactação.

Segundo a empresa, a proposta é combinar o atendimento das exigências nutricionais com ações voltadas à eficiência do ambiente ruminal e ao aproveitamento da dieta.

O resultado efetivo dependerá da formulação completa, da quantidade utilizada e das condições específicas do rebanho.

Em sistemas de alta produção, a eficiência começa antes da ordenha. Entre o alimento colocado no cocho e o leite enviado ao tanque, o rúmen determina quanto dos nutrientes poderá ser transformado em energia, produção e sólidos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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