Recria estratégica pode superar 1 kg por dia e reduzir custo da arroba na pecuária
Integração entre manejo de pastagens, suplementação e controle de indicadores encurta o ciclo produtivo, amplia a produção por hectare e melhora as margens da pecuária de corte
Publicado em: 19/08/2026 às 07:00hs
A combinação entre manejo eficiente das pastagens e suplementação planejada durante a recria pode aumentar o ganho de peso dos bovinos, reduzir a idade ao abate e diminuir o custo da arroba produzida. Em um cenário de margens apertadas, elevar a eficiência dentro da fazenda torna-se decisivo para a sustentabilidade financeira da pecuária de corte.
Sistemas intensivos e bem conduzidos podem proporcionar ganhos médios diários superiores a um quilo durante a recria, segundo Bruno Marson, diretor técnico industrial da Connan. O resultado permite antecipar a entrada dos animais na terminação e acelerar o giro do capital investido.
Manejo de pastagem determina eficiência da produção
O manejo de pastagens reúne práticas destinadas a melhorar a produção, a qualidade e o aproveitamento da forragem ao longo do ano. O objetivo é atender às exigências nutricionais dos animais sem comprometer a capacidade de recuperação do capim.
Quando conduzido corretamente, o manejo permite aumentar a produção de carne por hectare, preservar a fertilidade do solo, reduzir a degradação e manter maior regularidade na oferta de alimento ao rebanho.
A estratégia também diminui a dependência de intervenções emergenciais, comuns em propriedades que enfrentam falta de forragem durante períodos críticos do ano.
Indicadores ajudam a evitar sobrecarga das pastagens
A tomada de decisão deve ser baseada em indicadores técnicos que mostrem a capacidade real de produção da área. Entre os principais estão:
- Taxa de lotação, que representa o número de animais mantidos por unidade de área;
- Capacidade de suporte, que indica a quantidade máxima de animais que a pastagem consegue sustentar sem entrar em processo de degradação;
- Oferta de forragem, calculada a partir da relação entre o volume de pasto disponível e o peso vivo dos animais.
O acompanhamento desses parâmetros permite ajustar a intensidade e a frequência do pastejo, equilibrando o consumo do rebanho com o tempo necessário para a recuperação das plantas.
Pastejo rotacionado melhora aproveitamento do capim
O pastejo rotacionado está entre as ferramentas disponíveis para melhorar a utilização das pastagens. Nesse modelo, a área é dividida em piquetes, que passam por períodos alternados de ocupação e descanso.
A divisão permite maior controle sobre a entrada e a saída dos animais, evita o consumo excessivo das plantas e favorece a rebrota do capim.
Entre os possíveis benefícios estão o aumento da taxa de lotação, a melhoria da qualidade da forragem e o crescimento da produção de carne por hectare. O sistema, entretanto, deve ser dimensionado de acordo com as características da propriedade, do solo, da espécie forrageira e da categoria animal.
Recria é decisiva para reduzir idade ao abate
A recria compreende o período entre a desmama e o início da terminação. É uma etapa marcada pelo intenso desenvolvimento muscular, ósseo e estrutural dos bovinos.
O desempenho alcançado nessa fase influencia diretamente a idade de entrada na engorda, o peso final e o tempo necessário para o abate.
Uma recria ineficiente prolonga a permanência do animal na fazenda, aumenta as despesas de manutenção e reduz a velocidade de retorno do capital. Em contrapartida, ganhos elevados e consistentes permitem antecipar a terminação e melhorar a produtividade do sistema.
Suplementação deve acompanhar a meta produtiva
Não existe uma única estratégia nutricional adequada para todas as propriedades. O nível de suplementação precisa considerar a qualidade e a disponibilidade da pastagem, o peso dos animais, a época do ano e o ganho médio diário pretendido.
A suplementação deve complementar as deficiências do pasto e não substituir a necessidade de um manejo forrageiro eficiente. Sem quantidade e qualidade adequadas de capim, o potencial de resposta dos animais pode ser limitado, mesmo com maior investimento em suplementos.
A disponibilidade permanente de água limpa também é indispensável para garantir consumo de alimento, saúde e desempenho produtivo.
Ganho diário pode ultrapassar um quilo
Em sistemas intensivos, com pastagens bem manejadas e suplementação ajustada, o ganho médio diário durante a recria pode superar um quilo por animal.
Esse desempenho permite alcançar mais rapidamente o peso definido para a entrada na terminação. Ao reduzir o número de dias necessários para completar o ciclo, o pecuarista diminui despesas operacionais e libera área para novos lotes.
O principal objetivo econômico não é apenas aumentar o peso dos bovinos, mas produzir cada quilo adicional com custo compatível com a receita esperada.
Maior produtividade dilui custos da fazenda
Quando o ganho por animal e a produção de carne por hectare aumentam, custos fixos como mão de obra, estrutura, depreciação e manutenção são distribuídos por uma quantidade maior de arrobas.
A intensificação também melhora o uso da terra e pode elevar a capacidade de geração de receita da propriedade. Para que essa estratégia seja rentável, entretanto, o produtor deve comparar o custo adicional da suplementação com o valor do ganho de peso obtido.
Indicadores zootécnicos e financeiros precisam ser avaliados conjuntamente. Ganhar mais peso não significa necessariamente obter maior margem se o custo nutricional avançar em proporção superior.
Pastagens degradadas aumentam custo da arroba
A degradação das pastagens reduz a oferta de alimento, compromete o ganho de peso e prolonga a recria. Como consequência, os animais demoram mais para chegar à terminação e permanecem por mais tempo consumindo recursos da propriedade.
Além do atraso no ciclo produtivo, áreas degradadas apresentam menor capacidade de suporte e menor produção de carne por hectare. O resultado é o aumento do custo da arroba e a perda de competitividade da fazenda.
A recuperação e a manutenção das pastagens devem considerar análise do solo, correção da fertilidade, adubação, controle de plantas invasoras e ajuste da lotação.
Sanidade e monitoramento completam a estratégia
O potencial de ganho proporcionado pelo pasto e pela suplementação depende de um programa sanitário bem executado. Parasitas, doenças e problemas de manejo podem reduzir o consumo e comprometer a conversão dos nutrientes em peso.
Pesagens periódicas ajudam a verificar se os animais estão atingindo as metas estabelecidas. Caso o desempenho fique abaixo do esperado, o produtor pode revisar a qualidade do pasto, a quantidade de suplemento, a disponibilidade de água e as condições sanitárias.
Eficiência na recria melhora o giro do capital
Na recria, cada dia adicional representa custos com alimentação, mão de obra, sanidade e ocupação da terra. Por isso, a integração entre manejo de pastagens, suplementação, água, sanidade e controle de indicadores é fundamental para encurtar o ciclo.
Quando bem planejada, a recria estratégica amplia a produtividade por hectare, antecipa a terminação e reduz o custo da arroba produzida. O resultado é um sistema pecuário mais eficiente, resiliente e preparado para preservar margens mesmo em períodos de maior pressão econômica.
Fonte: Portal do Agronegócio
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