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Bovinos de Corte

Confinamento de bovinos em Mato Grosso deve crescer 43% e atingir 1,33 milhão de cabeças em 2026

Oferta de gado confinado deve se intensificar no segundo semestre, com quase metade dos animais prevista para chegar aos frigoríficos entre setembro e novembro; China, custos e preço da arroba entram no radar


Publicado em: 18/08/2026 às 18:00hs

Confinamento de bovinos em Mato Grosso deve crescer 43% e atingir 1,33 milhão de cabeças em 2026
Foto: Luiz Nogueira

O confinamento de bovinos em Mato Grosso deve registrar forte expansão em 2026. A projeção aponta para 1,33 milhão de cabeças terminadas em sistema intensivo, crescimento de 43,41% em relação às 928,7 mil cabeças confinadas em 2025, segundo o segundo levantamento das intenções de confinamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Apesar do avanço expressivo na comparação anual, a estimativa ficou 7,71% abaixo da projeção divulgada em abril, quando eram esperados aproximadamente 1,44 milhão de bovinos confinados no Estado.

A revisão ocorre em um cenário de maior cautela entre pecuaristas, diante dos custos de reposição, das perspectivas para o preço do boi gordo e das incertezas envolvendo a capacidade de absorção da oferta pelos frigoríficos e pelo mercado internacional.

Intenção de confinamento perde força, mas volume segue elevado

O levantamento mostra que parte dos projetos inicialmente previstos foi revista conforme avançaram as compras de animais e insumos e ficaram mais claras as condições de comercialização do gado terminado.

Em julho, 56,47% dos pecuaristas consultados afirmaram que pretendem confinar bovinos em 2026. Em abril, esse percentual chegava a 80,85%.

Mesmo com a redução das intenções, Mato Grosso deverá colocar no mercado um volume significativamente superior ao registrado no ano anterior, reforçando a importância do confinamento para a oferta de carne bovina durante a entressafra.

Quase metade do gado confinado chega ao mercado entre setembro e novembro

Um dos principais pontos de atenção está no calendário de saída dos animais.

Segundo as projeções, 80,74% dos bovinos confinados deverão ser encaminhados ao abate entre julho e dezembro. A maior concentração ocorrerá entre setembro e novembro, período que deverá responder por 48,31% das entregas previstas para o ano.

O pico é esperado para novembro, quando aproximadamente 18,05% dos animais confinados deverão chegar ao mercado.

Essa concentração pode aumentar temporariamente a disponibilidade de boi gordo para os frigoríficos e exercer pressão sobre as negociações da arroba, principalmente se a demanda doméstica e as exportações não acompanharem o crescimento da oferta.

China será decisiva para equilíbrio do mercado de boi gordo

O comportamento da China, principal destino da carne bovina brasileira, será um dos fatores determinantes para o mercado durante o período de maior saída do gado confinado.

A concentração prevista para setembro e início de outubro pode coincidir inicialmente com uma menor capacidade de compra chinesa após o preenchimento da cota de 2026.

Com isso, o mercado poderá enfrentar simultaneamente maior oferta de animais terminados e menor presença do principal comprador externo da carne bovina brasileira.

A expectativa é de que a demanda chinesa possa voltar a ganhar força a partir da segunda metade de outubro, com o início das aquisições destinadas à cota de importação de 2027.

O ritmo dessa retomada terá papel importante na capacidade dos frigoríficos de absorver a oferta adicional prevista para o último trimestre.

Escalas de abate mais longas sinalizam cautela dos frigoríficos

O mercado físico já apresenta sinais de negociações mais lentas.

Segundo avaliação de Eberti Aguiar, consultor da Hegde Agro Consultoria, frigoríficos de menor porte trabalham com escalas de abate próximas de sete dias, enquanto algumas grandes indústrias já possuem programação avançando até o final de agosto.

Escalas mais confortáveis tendem a reduzir a necessidade de compras imediatas por parte dos frigoríficos, aumentando o poder de negociação das indústrias diante dos pecuaristas.

Nesse ambiente, a evolução da oferta de confinamento será acompanhada de perto pelo mercado, especialmente à medida que se aproxima o período de maior concentração dos abates.

Pecuaristas ampliam proteção contra oscilações da arroba

O crescimento do confinamento também vem acompanhado de uma mudança significativa na gestão de risco da pecuária de corte.

Os dados mostram forte expansão do uso de contratos a termo e de operações de proteção realizadas por meio da B3.

Em 2025, apenas 4,17% dos confinadores utilizavam contratos a termo. Em 2026, a participação avançou para 33,33%, crescimento de 29,16 pontos percentuais.

Nas operações via B3, o salto também foi expressivo. A participação passou de 3,70% em 2025 para 30,23% em 2026, avanço de 26,53 pontos percentuais.

Na prática, a utilização dessas ferramentas tornou-se aproximadamente oito vezes maior em apenas um ano, indicando uma mudança importante na estratégia financeira dos confinadores.

Hedge ganha importância diante da volatilidade do boi gordo

A expansão das ferramentas de proteção ocorre justamente em um momento de maior incerteza sobre o comportamento da arroba.

Contratos a termo e operações no mercado futuro permitem ao pecuarista estabelecer referências de preço antecipadamente e reduzir a exposição às oscilações do mercado físico.

Essa estratégia ganha relevância no confinamento porque a atividade exige elevado desembolso financeiro antes da comercialização dos animais.

Com custos conhecidos e preços futuros protegidos, o produtor consegue aumentar a previsibilidade sobre as margens e reduzir o risco de uma queda acentuada da arroba durante o período de saída do gado.

Custo da diária confinada sobe para R$ 13,62 por cabeça

Apesar da redução observada nos preços do milho e de outros ingredientes utilizados na alimentação, o custo da diária de confinamento chegou a R$ 13,62 por cabeça.

A reposição aparece como uma das principais fontes de preocupação dos pecuaristas.

Segundo o levantamento, 23,76% dos entrevistados apontaram o custo da reposição como principal preocupação para a atividade em 2026.

Na sequência aparecem:

  • Reposição: 23,76%;
  • Preço do boi gordo: 19,80%;
  • Baixa lucratividade: 10,89%.

Os números mostram que a redução do custo alimentar, isoladamente, não foi suficiente para eliminar a pressão sobre as margens do confinamento.

Reposição cara aumenta desafio para margem do confinador

O preço do animal de reposição possui peso relevante na formação do resultado econômico do confinamento.

Quando o pecuarista compra o boi magro ou outro animal destinado à terminação por valores elevados, aumenta o preço de equilíbrio necessário na venda do boi gordo.

Por isso, mesmo diante de alimentação mais competitiva, uma reposição valorizada pode limitar a rentabilidade da operação.

Esse cenário ajuda a explicar tanto a revisão para baixo da estimativa de confinamento em relação a abril quanto o avanço das estratégias de proteção de preços.

Oferta maior coloca arroba do boi gordo no radar

A projeção de 1,33 milhão de bovinos confinados em Mato Grosso confirma que a pecuária deverá contar com uma oferta expressiva de animais terminados durante a entressafra de 2026.

O crescimento de 43,41% frente ao ano passado, porém, não significa necessariamente pressão contínua sobre as cotações.

O comportamento da arroba do boi gordo dependerá do equilíbrio entre diversos fatores: ritmo de compra dos frigoríficos, escalas de abate, consumo brasileiro de carne bovina, desempenho das exportações e, sobretudo, evolução da demanda chinesa.

A concentração de 48,31% das entregas entre setembro e novembro torna esse intervalo particularmente importante para a formação dos preços.

Se a demanda externa recuperar força e o consumo doméstico conseguir absorver parte da produção, a oferta adicional poderá encontrar sustentação. Caso contrário, o aumento da disponibilidade de animais terminados poderá elevar a pressão sobre as negociações no mercado físico.

Para o confinador, portanto, gestão de custos, estratégia de comercialização e proteção da arroba deverão ser tão importantes quanto o desempenho produtivo dos animais para definir a rentabilidade da atividade em 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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