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Exportações de café solúvel crescem 20% em julho e consumo interno avança 14,4% em 2026

Brasil amplia embarques, recupera vendas aos Estados Unidos e ganha espaço na União Europeia, enquanto variedade de produtos e praticidade impulsionam a demanda doméstica


Publicado em: 18/08/2026 às 18:43hs

Exportações de café solúvel crescem 20% em julho e consumo interno avança 14,4% em 2026

A indústria brasileira de café solúvel atravessa um período de expansão nos mercados externo e doméstico. Em julho de 2026, o país exportou 8,161 mil toneladas do produto, volume equivalente a 353.761 sacas de 60 quilos de café verde e 20% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) confirmam a recuperação dos embarques e reforçam a expectativa de um segundo semestre mais favorável para o setor. O cenário ganhou novos estímulos com a retirada da tarifa norte-americana sobre o produto brasileiro e a entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia.

Exportações acumulam alta de 10,9% em 2026

Entre janeiro e julho deste ano, as exportações brasileiras de café solúvel somaram 57,4 mil toneladas, correspondentes a 2,488 milhões de sacas de café verde.

O resultado representa crescimento de 10,9% em relação às 51,7 mil toneladas, ou 2,243 milhões de sacas, embarcadas nos sete primeiros meses de 2025.

Segundo o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, os números demonstram a capacidade de recuperação e a competitividade da indústria nacional. O desempenho de julho, entretanto, ainda não reflete integralmente as recentes mudanças no ambiente comercial internacional.

Isso ocorre porque o acordo provisório entre Mercosul e União Europeia passou a vigorar em 1º de maio, enquanto a inclusão do café solúvel na lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa dos Estados Unidos aconteceu apenas na segunda quinzena de julho.

Dessa forma, a expectativa é de que os efeitos mais expressivos dessas medidas sejam percebidos nos embarques realizados ao longo do segundo semestre.

União Europeia amplia compras de café solúvel brasileiro

Os primeiros sinais de reação já aparecem nas vendas destinadas ao mercado europeu. Entre maio e o encerramento de julho, o Brasil exportou 5,2 mil toneladas de café solúvel para a União Europeia, crescimento de 51,4%.

O avanço demonstra a importância do bloco para a estratégia de expansão internacional da indústria brasileira. Países europeus ocupam posições relevantes entre os dez maiores compradores do produto em 2026.

A Polônia aparece na sexta colocação, com aumento de 40,6% nas aquisições. A Estônia ocupa o sétimo lugar, após ampliar as compras em 103,4%, enquanto os Países Baixos estão na oitava posição, com crescimento de 36,9%.

O desempenho desses mercados reforça a expectativa de que a redução das barreiras comerciais fortaleça a presença do café solúvel brasileiro na Europa.

Isenção de tarifa favorece retomada das vendas aos Estados Unidos

Os Estados Unidos permaneceram como o principal destino do café solúvel brasileiro entre janeiro e julho, com compras de 8,4 mil toneladas. O volume, no entanto, ficou 12% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

A comparação precisa considerar que o produto brasileiro permaneceu submetido à sobretaxa norte-americana desde agosto do ano passado. Nos sete primeiros meses de 2025, essa cobrança ainda não havia entrado em vigor.

Mesmo diante dessa diferença de base, os embarques aos Estados Unidos começaram a apresentar sinais de recuperação. Somente em julho, o mercado norte-americano importou 1,3 mil toneladas do produto brasileiro, alta de 9,5% na comparação anual.

O crescimento ocorreu antes que a isenção produzisse efeitos completos sobre as operações comerciais, uma vez que a retirada da tarifa foi anunciada apenas nos últimos dias do mês.

A expectativa da Abics é de que a normalização do acesso ao principal mercado comprador contribua para ampliar as exportações brasileiras nos próximos meses.

Receita chega a US$ 663,5 milhões

A receita cambial obtida com as exportações de café solúvel alcançou US$ 663,5 milhões entre janeiro e julho de 2026. O valor representa recuo de 2,5% frente ao mesmo intervalo do ano passado.

A queda no faturamento, mesmo diante do crescimento de 10,9% no volume embarcado, está relacionada à diferença entre as cotações internacionais observadas nos dois períodos.

Em 2025, o mercado global de café operou em níveis excepcionalmente elevados. As cotações atuais estão abaixo daqueles patamares, fazendo com que o país exporte uma quantidade maior sem registrar crescimento proporcional na receita.

Argentina e Rússia dividem segunda posição

Depois dos Estados Unidos, Argentina e Rússia aparecem como os principais compradores do café solúvel brasileiro. Cada país importou 4,6 mil toneladas nos sete primeiros meses de 2026.

As compras argentinas recuaram 9,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Rússia, por sua vez, ampliou as aquisições em 21,9%.

O levantamento também mostra forte crescimento das vendas para países que possuem indústrias tradicionais de café solúvel e concorrem diretamente com o Brasil no mercado internacional.

A Colômbia ocupa a quarta posição no ranking, com 3,4 mil toneladas adquiridas e crescimento de 145,7%. A Indonésia aparece em seguida, com 3,2 mil toneladas e avanço de 49,6%.

O México está na nona colocação, com 2,3 mil toneladas e alta de 33,2%, enquanto o Vietnã completa a lista dos dez maiores compradores, com 2,2 mil toneladas e expansão de 67,2%.

O aumento das vendas para importantes países produtores demonstra que a indústria brasileira conquistou competitividade suficiente para fornecer matéria-prima e produtos processados até mesmo para fabricantes internacionais.

Consumo de café solúvel cresce no Brasil

O desempenho positivo também alcança o mercado doméstico. Entre janeiro e julho de 2026, o consumo brasileiro de café solúvel chegou a 17,3 mil toneladas, equivalentes a aproximadamente 751 mil sacas de café verde.

O volume representa crescimento de 14,4% em relação ao registrado nos sete primeiros meses de 2025.

Segundo a consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, a expansão está relacionada principalmente à diversificação dos produtos disponíveis nas prateleiras.

A indústria passou a oferecer um portfólio mais amplo, que inclui cafés solúveis orgânicos, descafeinados, premium e de alta qualidade. Essa variedade permite atender diferentes perfis de consumidores e ocasiões de consumo.

Bebidas proteicas abrem novas oportunidades

Além do preparo tradicional, o café solúvel vem ganhando espaço como ingrediente na indústria de alimentos e bebidas.

O produto está presente em bebidas prontas, misturas em pó, suplementos e formulações com proteínas. Esse mercado cresce impulsionado pela procura dos consumidores por praticidade, conveniência e produtos associados à nutrição e ao desempenho físico.

A utilização do café solúvel em novas categorias amplia as possibilidades de consumo e reduz a dependência da bebida preparada apenas com água quente.

Qualidade e praticidade reduzem resistência do consumidor

A evolução tecnológica e os investimentos das indústrias também ajudam a modificar a percepção dos brasileiros sobre o café solúvel.

A ampliação do portfólio, a melhoria da qualidade e a oferta de produtos com diferentes características sensoriais reduziram a antiga resistência à categoria. Ao mesmo tempo, a facilidade de preparo continua sendo um diferencial importante em uma rotina de consumo cada vez mais dinâmica.

Com exportações em crescimento, retomada das vendas aos Estados Unidos, maior acesso à União Europeia e expansão da demanda doméstica, a indústria brasileira de café solúvel inicia o segundo semestre de 2026 com perspectivas positivas.

A combinação entre competitividade internacional, diversificação de mercados e inovação nas prateleiras deve sustentar novos avanços para o setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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