Algodão brasileiro bate recorde de exportação e consolida liderança mundial
Brasil embarcou 3,37 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e julho de 2026, alta de 19%, e faturou US$ 5,3 bilhões; USDA projeta manutenção da liderança sobre os Estados Unidos em 2026/27
Publicado em: 18/08/2026 às 19:40hs
O Brasil encerrou o ano comercial 2025/26 com um novo recorde nas exportações de algodão. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país embarcou 3,37 milhões de toneladas da fibra, crescimento de 19% em relação às 2,84 milhões de toneladas negociadas no ciclo anterior.
Além de superar pela primeira vez a marca de 3 milhões de toneladas exportadas em um único ano comercial, o desempenho gerou receita de US$ 5,3 bilhões e consolidou o Brasil como o maior exportador mundial de algodão.
Os dados integram o Relatório de Safra divulgado em agosto pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), com indicadores sobre produção, consumo interno, oferta, demanda, comércio exterior e cenário internacional da cotonicultura.
Exportações de algodão crescem 19% no ano comercial
O volume recorde confirma a expansão da presença brasileira no abastecimento da indústria têxtil internacional. Em apenas um ano, as exportações aumentaram em aproximadamente 530 mil toneladas.
De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, o resultado demonstra que a cotonicultura brasileira conquistou escala, competitividade e credibilidade junto aos compradores internacionais.
Para a entidade, o país deixou de ocupar apenas uma posição relevante no comércio global e passou a ser considerado um fornecedor estratégico para a indústria têxtil, apoiado pelo crescimento da produção, pela qualidade da fibra e pela regularidade dos embarques.
Brasil mais que dobra exportações em quatro anos
A evolução dos embarques torna-se ainda mais expressiva quando analisada a partir do ano comercial 2022/23. Naquele período, o Brasil exportou 1,45 milhão de toneladas de algodão.
Em 2023/24, o volume avançou para 2,68 milhões de toneladas. No ciclo 2024/25, foram embarcadas 2,84 milhões de toneladas, antes do recorde de 3,37 milhões registrado em 2025/26.
A trajetória representa um crescimento de aproximadamente 132% em quatro anos comerciais. Na prática, o volume exportado pelo país mais que dobrou, ampliando a participação brasileira no mercado mundial da fibra.
Superávit do algodão alcança US$ 5,29 bilhões
O desempenho das exportações também fortaleceu a balança comercial brasileira. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o setor acumulou superávit de US$ 5,29 bilhões, resultado 9% superior ao verificado no ano comercial anterior.
Os números reforçam a importância econômica da cadeia do algodão, especialmente para os estados do Centro-Oeste e do Matopiba, regiões que concentram grande parte da produção nacional.
A expansão das vendas externas beneficia diferentes segmentos ligados à atividade, incluindo produtores, beneficiadoras, empresas de logística, tradings, certificadoras e fornecedores de insumos e tecnologias.
China lidera compras de algodão brasileiro
A China encerrou o ano comercial como o principal destino do algodão brasileiro. O mercado chinês adquiriu 770,5 mil toneladas entre agosto de 2025 e julho de 2026, o equivalente a aproximadamente 23% de todo o volume exportado pelo país.
Na comparação com o ciclo anterior, os embarques para a China aumentaram em 309,2 mil toneladas. O avanço demonstra a importância do Brasil como fornecedor para a maior indústria têxtil do mundo.
Bangladesh também ampliou significativamente as importações da fibra brasileira, com crescimento de 173,2 mil toneladas no período.
Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia permaneceram entre os principais compradores, confirmando a diversificação geográfica das exportações brasileiras.
Diversificação reduz riscos e amplia oportunidades
A presença em diferentes mercados consumidores fortalece a competitividade do algodão brasileiro e reduz a dependência de um único destino. Esse movimento é estratégico diante das oscilações econômicas, das mudanças comerciais e das variações na demanda internacional.
A Índia, tradicionalmente reconhecida como grande produtora de algodão, ampliou sua participação nas compras da fibra brasileira. Ao mesmo tempo, China, Bangladesh e Turquia mantiveram posições de destaque entre os principais destinos.
Segundo a Abrapa, essa diversificação aumenta as oportunidades comerciais para produtores e exportadores, além de reforçar a imagem do Brasil como fornecedor capaz de atender mercados com diferentes padrões industriais.
Brasil deve manter liderança mundial em 2026/27
As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgadas em agosto de 2026, indicam que o Brasil deve continuar na liderança mundial das exportações de algodão durante o ano comercial 2026/27.
O USDA estima que os embarques brasileiros alcancem 3,33 milhões de toneladas, superando as 2,68 milhões de toneladas projetadas para os Estados Unidos.
Caso a previsão se confirme, o Brasil exportará aproximadamente 650 mil toneladas a mais que o concorrente norte-americano, mantendo ampla vantagem no comércio internacional da fibra.
Produção brasileira pode chegar a 3,97 milhões de toneladas
Além da liderança nas exportações, o Brasil deve permanecer como o terceiro maior produtor mundial de algodão. A estimativa do USDA aponta uma produção de 3,97 milhões de toneladas na safra 2026/27, atrás apenas de China e Índia.
A combinação entre produção em larga escala, produtividade, tecnologia, disponibilidade de terras e capacidade exportadora coloca o país em posição estratégica no atendimento à indústria têxtil mundial.
O avanço também amplia a responsabilidade do setor em áreas como sustentabilidade, rastreabilidade, certificação, qualidade e regularidade do fornecimento.
Sustentabilidade será decisiva para consolidar liderança
Para a Abrapa, o recorde não deve ser interpretado como ponto de chegada, mas como uma nova etapa para a cotonicultura nacional. A manutenção da liderança dependerá de investimentos contínuos em inovação, eficiência logística, qualidade da fibra e relacionamento com os compradores.
A rastreabilidade e a sustentabilidade também ganham importância diante das exigências de grandes marcas e indústrias têxteis internacionais. O desafio será transformar a liderança em volume exportado em uma posição duradoura, reconhecida também pela qualidade, pela segurança de fornecimento e pelas boas práticas adotadas no campo.
Com exportações históricas, maior diversificação de destinos e perspectivas favoráveis para 2026/27, o algodão brasileiro amplia sua relevância econômica e fortalece o país como um dos principais protagonistas do mercado agrícola mundial.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias