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Análise de Mercado

Futuro da agricultura brasileira depende de colaboração para superar clima e pressão por produtividade

Painel do GAFFFF 2026 reuniu representantes da Corteva e da Scheffer para discutir a integração entre ciência, empresas e produtores; transformação do Cerrado foi citada como exemplo para os próximos avanços do agro


Publicado em: 02/10/2026 às 19:30hs

Futuro da agricultura brasileira depende de colaboração para superar clima e pressão por produtividade

A colaboração entre produtores rurais, empresas, pesquisadores e instituições será determinante para o próximo salto da agricultura brasileira. Diante de mudanças climáticas, pressão por produtividade e novas exigências comerciais, desenvolver tecnologias precisa caminhar junto com a capacidade de transformar conhecimento em soluções aplicáveis no campo.

Essa foi a discussão central do painel “Ecossistemas para a Prosperidade: Por que o Futuro da Agricultura Depende da Colaboração, Não Apenas da Inovação”, realizado na quinta-feira (1º), durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), no Nubank Parque, em São Paulo.

Moderado por Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, o debate reuniu Brook Cunningham, vice-presidente sênior e presidente para a Ásia-Pacífico da Corteva Agriscience, e Guilherme Scheffer, sócio-diretor da Scheffer. A experiência de transformação agrícola do Cerrado ajudou a contextualizar os desafios que o setor enfrenta atualmente.

Clima e mercados exigem respostas integradas no campo

Eventos climáticos extremos, mudanças nos custos de produção, exigências dos consumidores e maior complexidade geopolítica ampliam os desafios das decisões agrícolas. Nesse ambiente, soluções desenvolvidas de forma isolada podem encontrar limitações para atender às diferentes realidades produtivas.

Para Cunningham, o cenário deve ser compreendido como um período de transformação, com oportunidades para construir respostas a partir da ciência e da cooperação.

“Eu vejo o momento atual menos como uma crise e mais como um momento de transformações”, afirmou.

Na avaliação da executiva, o chamado “novo normal” da agricultura exige ciência, coragem, resiliência e colaboração. A capacidade de enfrentar dificuldades e adaptar sistemas produtivos, segundo ela, integra a trajetória do agronegócio brasileiro e pode orientar os próximos avanços.

Produtor rural participa da construção das soluções

A aproximação com quem toma decisões no campo foi destacada como parte essencial do desenvolvimento tecnológico. Compreender os problemas enfrentados pelos produtores permite direcionar pesquisas e aperfeiçoar ferramentas conforme as necessidades de cada sistema de produção.

“Nosso cliente é tomador de decisão, por isso trabalhamos com ele em um sistema de colaboração”, declarou Cunningham.

O debate apontou que os produtores precisam participar do desenvolvimento e do aperfeiçoamento das tecnologias. Essa interação ajuda a conectar o conhecimento científico às condições concretas de uso, considerando diferenças de clima, solo, manejo e estrutura produtiva.

Para as empresas, o desafio envolve acompanhar essas demandas e transformar a pesquisa em soluções que possam ser incorporadas à rotina das propriedades.

Transformação do Cerrado mostra o papel da pesquisa agrícola

Durante o painel, Nastari recorreu à expansão da agricultura no Cerrado para ilustrar como a integração entre ciência, investimento e adaptação tecnológica pode alterar as perspectivas de produção de um país.

O presidente da DATAGRO lembrou que, até a década de 1970, o Brasil ainda dependia da importação de parte dos alimentos consumidos. O avanço das pesquisas e a formação de cientistas contribuíram para desenvolver conhecimentos sobre os solos e o clima, permitindo ampliar a atividade agrícola na região.

A transformação do Cerrado foi apresentada como resultado de um conjunto de esforços. Pesquisa, capacitação e adaptação das práticas produtivas ajudaram a superar limitações e consolidar a região como um dos principais polos agrícolas brasileiros.

A experiência serviu como referência para o debate sobre o futuro: desafios complexos exigem a participação de diferentes agentes e a combinação de conhecimentos.

Adoção de tecnologias depende de apoio e adaptação

O desenvolvimento de ferramentas capazes de elevar a produtividade, reduzir custos ou melhorar o uso dos recursos é uma etapa do processo de inovação. Para que esses benefícios cheguem às propriedades, também são necessários conhecimento, financiamento, infraestrutura, assistência técnica e confiança.

A discussão no GAFFFF destacou a importância dos ecossistemas de colaboração, nos quais produtores, empresas, ciência e instituições contribuem para viabilizar a adoção de soluções.

Nesse modelo, o avanço tecnológico está associado à capacidade de adaptar ferramentas às condições locais e de oferecer suporte para sua utilização. A articulação entre os participantes ganha peso à medida que os desafios produtivos, climáticos e comerciais se tornam mais interligados.

GAFFFF reúne debates sobre os próximos caminhos do agronegócio

Organizado pela DATAGRO, o GAFFFF combina debates, negócios, gastronomia e entretenimento para discutir temas estratégicos e aproximar o agronegócio da população urbana.

Segundo a organização, a edição de 2026 reúne cerca de 230 empresas apoiadoras e expositoras, além de aproximadamente 330 palestrantes de mais de 20 países.

Entre as iniciativas previstas está a elaboração do Consenso do Agronegócio, documento que reunirá as principais conclusões dos debates após o evento. A programação também inclui esportes equestres, rodeio, a Arena Fogo, com gastronomia ligada ao campo e produtores artesanais, e apresentações musicais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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