Publicidade
Soja

Esmagamento de soja em Mato Grosso bate recorde e alcança 1,24 milhão de toneladas em julho

Processamento cresce 5,13% em relação a julho de 2025 e impulsiona exportações de farelo e óleo, mas valorização da matéria-prima reduz margem das indústrias


Publicado em: 18/08/2026 às 18:25hs

Esmagamento de soja em Mato Grosso bate recorde e alcança 1,24 milhão de toneladas em julho

O processamento de soja em Mato Grosso iniciou o segundo semestre de 2026 em ritmo recorde. As indústrias do estado esmagaram 1,24 milhão de toneladas em julho, volume 0,10% superior ao registrado em junho, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Apesar da relativa estabilidade na comparação mensal, o resultado ficou 5,13% acima do apurado em julho de 2025. O volume também superou em 17,61% a média dos últimos cinco anos para o período, confirmando a expansão da industrialização da soja no maior estado produtor do país.

Maior uso da capacidade industrial sustenta recordes

O desempenho de julho representa mais um recorde mensal para o processamento mato-grossense em 2026. Segundo o Imea, o avanço está relacionado principalmente ao aumento da utilização da capacidade instalada das indústrias.

A ampliação do esmagamento fortalece a agregação de valor dentro do estado, transformando parte da produção de soja em farelo e óleo. Esses derivados atendem tanto ao mercado doméstico quanto à demanda internacional.

O farelo é utilizado principalmente na fabricação de rações para aves, suínos, bovinos e outras criações. Já o óleo de soja abastece as indústrias de alimentos, biodiesel e diferentes segmentos produtivos.

Exportações de farelo e óleo de soja avançam 16,93%

O maior ritmo das indústrias também impulsionou as exportações dos derivados da oleaginosa. Em julho, Mato Grosso embarcou 819,80 mil toneladas de farelo e óleo de soja, crescimento de 16,93% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Entre janeiro e julho de 2026, os embarques estaduais desses produtos totalizaram 5,41 milhões de toneladas. O resultado representa alta de 10,17% em relação ao volume exportado no mesmo intervalo do ano passado.

O avanço confirma a importância crescente dos produtos industrializados na pauta exportadora de Mato Grosso. Além de ampliar as receitas, o processamento interno estimula investimentos em infraestrutura, logística, armazenagem e produção de biocombustíveis.

Alta da soja pressiona margem das esmagadoras

Embora os volumes processados e exportados tenham apresentado desempenho positivo, a valorização da soja reduziu a rentabilidade das indústrias.

O preço da matéria-prima subiu 9,49% em julho. Os coprodutos, entretanto, não acompanharam a mesma intensidade de valorização. No período, o farelo de soja avançou 4,46%, enquanto o óleo registrou aumento de apenas 0,22%.

Esse descompasso entre o custo de aquisição da soja e os preços obtidos com a comercialização dos derivados pressionou a margem bruta do setor.

Margem de esmagamento recua 20,52%

A margem bruta de esmagamento em Mato Grosso caiu 20,52% em julho na comparação com junho, encerrando o mês com média de R$ 435,43 por tonelada.

O indicador representa a diferença estimada entre o valor dos produtos obtidos após o processamento e o custo da soja utilizada pelas indústrias. Quanto maior o preço do grão sem uma valorização proporcional do farelo e do óleo, menor tende a ser a margem das unidades esmagadoras.

Assim, o setor inicia o segundo semestre com elevados níveis de atividade, crescimento das exportações e maior aproveitamento da estrutura industrial, mas enfrenta um cenário mais desafiador para a rentabilidade.

A evolução dos preços da soja, do farelo e do óleo, além do comportamento da demanda externa e do mercado de biodiesel, será determinante para o desempenho das indústrias mato-grossenses nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias