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Gestão

Menos de 1% dos pecuaristas calculam o custo de produção, aponta levantamento

Pesquisa da Coan Consultoria revela que apenas 0,87% dos produtores consultados calculam o custo completo da atividade, reforçando a importância da gestão financeira na pecuária


Publicado em: 18/08/2026 às 14:30hs

Menos de 1% dos pecuaristas calculam o custo de produção, aponta levantamento

A gestão de custos ainda é um dos principais desafios da pecuária brasileira. Um levantamento realizado pela Coan Consultoria com participantes da última edição do Feedlot Summit Brazil revelou um dado que chama atenção: apenas 0,87% dos pecuaristas consultados afirmaram calcular o custo completo de produção.

O resultado expõe um paradoxo em um setor que avança cada vez mais em tecnologia, genética, nutrição e pecuária de precisão. Sem conhecer com precisão quanto custa produzir um bezerro, uma arroba ou um animal terminado, o produtor tem dificuldade para medir a rentabilidade real da atividade e tomar decisões estratégicas.

Para Rogério Coan, da Coan Consultoria e promotor do Feedlot Summit Brazil, saber quanto o mercado está pagando pelo animal não é suficiente para determinar se o negócio está gerando lucro.

“O pecuarista produz o bezerro e não sabe a que custo produziu. Vende pelo preço de mercado, mas sem saber quanto está ganhando por cada unidade comercializada.”

Custo de produção é base para a gestão da fazenda

O controle de custos precisa acompanhar todas as etapas do sistema produtivo, desde a cria até a terminação.

Na recria e engorda, por exemplo, a análise precisa considerar o custo da reposição e os desembolsos necessários para produzir cada arroba ao longo do ciclo.

Isso significa acompanhar não apenas despesas diretamente relacionadas à alimentação, mas também itens como:

  • aquisição de animais para reposição;
  • alimentação e suplementação;
  • mão de obra;
  • medicamentos e sanidade;
  • pastagens e infraestrutura;
  • máquinas e equipamentos;
  • despesas administrativas;
  • custos financeiros;
  • depreciação;
  • transporte e comercialização.

O objetivo é transformar essas informações em indicadores capazes de mostrar a margem efetiva da operação.

Falta de dados começa dentro da propriedade

Segundo Coan, em muitos casos o problema surge antes mesmo da elaboração de uma planilha financeira.

Há propriedades que não mantêm informações atualizadas sobre a composição do rebanho, quantidade de animais por categoria e peso dos animais. Sem uma base mínima de dados produtivos, torna-se mais difícil construir fluxo de caixa, orçamento, planejamento e indicadores econômicos confiáveis.

A consequência é que decisões relevantes acabam sendo tomadas com base em percepção ou experiência, sem uma avaliação precisa do impacto financeiro.

Produtividade não significa necessariamente rentabilidade

Um dos principais alertas para o produtor é que aumento de produtividade e aumento de lucro não são necessariamente sinônimos.

Uma fazenda pode elevar o ganho de peso dos animais, aumentar a taxa de lotação ou intensificar a produção e, ainda assim, reduzir sua margem caso os custos cresçam em proporção maior.

Por isso, decisões como alterar uma dieta, intensificar o sistema, comprar determinada categoria de reposição ou buscar maior ganho de peso precisam ser avaliadas também pelo impacto sobre o custo da arroba e a margem da atividade.

A combinação entre desempenho zootécnico e controle econômico passa a ser fundamental para determinar se uma estratégia realmente agrega valor ao negócio.

Volatilidade do mercado aumenta importância do controle de custos

A necessidade de gestão financeira ganha ainda mais relevância diante da volatilidade enfrentada pela pecuária.

O produtor está exposto a mudanças nos preços de reposição, oscilações nas cotações do boi gordo, custos de alimentação, condições de mercado e contratos futuros, além de fatores relacionados ao comércio internacional.

Barreiras comerciais, alterações nas exigências dos mercados compradores e mudanças na demanda externa também podem afetar a formação das margens.

Nesse ambiente, o controle dos custos permite ao pecuarista conhecer melhor seu ponto de equilíbrio e avaliar com maior segurança as oportunidades e os riscos de cada operação.

Quais informações o pecuarista deve controlar?

O primeiro passo para melhorar a gestão da propriedade é estabelecer uma rotina de coleta e organização dos dados.

Entre as informações que devem fazer parte do acompanhamento estão:

  • Produção: número de animais, categorias, peso, ganho médio diário, taxa de lotação e produção de arrobas.
  • Custos: alimentação, sanidade, mão de obra, manutenção, máquinas, infraestrutura, energia, transporte e despesas administrativas.
  • Comercialização: preço de venda, data das negociações, custos de comercialização e resultado por lote.
  • Reposição: preço de compra, categoria dos animais, peso de entrada e impacto da reposição sobre o custo final.
  • Financeiro: fluxo de caixa, investimentos, financiamentos, juros, capital de giro e compromissos futuros.

Com esses dados organizados, o produtor consegue comparar períodos, identificar gargalos e avaliar quais estratégias realmente melhoram a rentabilidade.

Feedlot Summit Brazil debate gestão e eficiência na pecuária

A importância da gestão de custos estará entre os temas discutidos no Feedlot Summit Brazil 2026, promovido pela Coan Consultoria.

O evento está programado para ocorrer entre 16 e 18 de setembro, no Espaço dos Ipês, em Goiânia (GO), reunindo conteúdos sobre gestão, eficiência técnica, mercado, equipes, liderança e gerenciamento de riscos.

A programação terá como eixo a relação entre desempenho produtivo e resultado financeiro.

Na recria e engorda, serão abordados temas como o impacto da reposição sobre as margens, ferramentas para gerenciamento do risco de preços e perspectivas para o mercado pecuário.

As exportações brasileiras também estarão em pauta, incluindo questões relacionadas a cotas, salvaguardas e barreiras comerciais.

Evento reúne especialistas internacionais

O Feedlot Summit Brazil contará com especialistas do Brasil, Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Uruguai, Paraguai, Panamá e Bolívia.

A participação internacional permitirá comparar diferentes modelos de produção e estratégias de gestão utilizadas em sistemas pecuários submetidos a diferentes custos de terra, níveis tecnológicos e exigências de mercado.

Segundo Rogério Coan, a proposta não é simplesmente importar modelos de outros países, mas compreender como diferentes sistemas lidam com desafios relacionados à nutrição, sanidade, manejo e gestão.

“A proposta não é reproduzir modelos estrangeiros, mas compreender como os diferentes países trabalham nutrição, sanidade, manejo e gestão diante de limitações técnicas e comerciais próprias.”

A expectativa é reunir cerca de 2 mil produtores e técnicos do Brasil e de outros países.

Além da programação técnica, o evento contará com espaços voltados à interação e troca de experiências, como o Feedlot Podcast e o Buteco do Feedlot.

Gestão de custos pode definir o resultado da pecuária

O levantamento da Coan Consultoria reforça que a evolução tecnológica da pecuária precisa ser acompanhada por avanços na gestão.

Genética, nutrição, sanidade, manejo e tecnologias de precisão podem elevar o desempenho dos animais, mas é o controle econômico que permite avaliar se os ganhos produtivos estão efetivamente se transformando em rentabilidade para o pecuarista.

Em um mercado marcado por custos elevados, volatilidade e mudanças no comércio internacional, conhecer o custo de produção deixa de ser apenas uma ferramenta administrativa e passa a ser uma informação estratégica para a tomada de decisão dentro da porteira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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