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Pecuária intensiva exige mais reservas de alimento diante de extremos climáticos

Especialista do SIA recomenda planejamento, monitoramento do clima e ajuste da lotação para reduzir perdas provocadas por secas, veranicos e excesso de chuvas


Publicado em: 21/09/2026 às 10:00hs

Pecuária intensiva exige mais reservas de alimento diante de extremos climáticos
Foto: Matheus Barreto

A intensificação da pecuária brasileira, com aumento da lotação e maior investimento em pastagens, pode elevar a produtividade e melhorar a eficiência dos sistemas de produção. Ao mesmo tempo, porém, a estratégia exige atenção maior aos riscos provocados por extremos climáticos, especialmente períodos de estiagem, veranicos e excesso de chuvas.

A avaliação é do diretor técnico do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), Armindo Barth Neto, que recomenda aos pecuaristas ampliar o planejamento e manter reservas estratégicas de alimentos para enfrentar períodos de estresse climático.

Segundo o especialista, quanto maior a concentração de animais por área, maior pode ser a exposição do sistema quando as condições climáticas comprometem o crescimento das pastagens.

“Quando trabalhamos com mais animais ficamos mais expostos ao risco com qualquer veranico ou seca. E, com esses extremos climáticos, essa exposição fica ainda maior”, afirma Barth Neto.

Intensificação da pecuária exige planejamento

Para o diretor técnico do SIA, o aumento da produtividade por meio da intensificação precisa ser acompanhado por mecanismos de segurança dentro da propriedade.

Entre as estratégias estão o acompanhamento das previsões meteorológicas, a tomada rápida de decisões e o ajuste da carga animal de acordo com as condições das pastagens.

Em períodos de chuva excessiva, por exemplo, a redução da lotação pode contribuir para diminuir a pressão sobre o solo e preservar o desenvolvimento das plantas forrageiras.

A mesma lógica vale para períodos de seca. Quando a produção de pasto cai, o produtor precisa ter alternativas previamente estruturadas para manter a alimentação do rebanho.

Janela climática deve orientar operações na fazenda

Barth Neto também chama atenção para a necessidade de executar operações como implantação e renovação de pastagens dentro das melhores janelas climáticas possíveis.

A recomendação é reduzir o tempo entre o início e a conclusão das atividades, preparando antecipadamente máquinas, equipes e demais recursos necessários.

“Quanto mais demoramos para executar uma operação, maior é o nosso tempo de exposição. É importante organizar o maquinário e a equipe para aproveitar janelas mais curtas e garantir uma tomada de decisão mais rápida”, explica.

Na prática, o planejamento operacional passa a ter papel estratégico em um cenário de maior instabilidade climática. A capacidade de agir rapidamente pode fazer diferença tanto na implantação de pastagens quanto na conservação dos recursos disponíveis na propriedade.

Reserva de alimentos ganha importância na pecuária

Entre as medidas de segurança recomendadas pelo especialista, uma das principais é a formação de estoques de alimentos para o gado.

A reserva pode incluir diferentes fontes, como:

  • ração;
  • concentrados;
  • silagem;
  • pré-secado;
  • feno;
  • volumosos produzidos na própria propriedade.

Além do alimento armazenado, o produtor precisa considerar a estrutura necessária para utilizá-lo. Cochos, equipamentos e logística de distribuição devem fazer parte do planejamento.

“Os extremos climáticos estão nos alertando para a necessidade de ter mais comida guardada dentro da propriedade. Quando a pastagem reduz o crescimento, precisamos ter esse recurso disponível de maneira simples e rápida”, destaca Barth Neto.

A estratégia permite que o pecuarista tenha maior capacidade de resposta quando a oferta de forragem diminui, evitando que uma mudança repentina nas condições climáticas provoque queda acentuada no desempenho do rebanho.

Silagem pode ir além do milho

A produção de volumosos também pode ser diversificada. De acordo com Barth Neto, a silagem de milho não precisa ser a única alternativa disponível ao produtor.

Em regiões com menor disponibilidade de água, solos rasos ou condições menos favoráveis ao desenvolvimento do milho, outras culturas e forrageiras podem ser utilizadas.

Entre as possibilidades citadas estão:

  • aveia;
  • trigo;
  • centeio;
  • capins;
  • outros materiais de inverno adaptados às condições regionais.

Essas alternativas podem apresentar custos menores e atender principalmente categorias de animais com menor exigência nutricional.

Quando necessário, o alimento conservado pode ser complementado com ingredientes de maior valor nutricional.

“Hoje temos possibilidades interessantes e mais baratas. Podemos trabalhar com silagem de materiais de inverno ou de capim e, quando necessário, enriquecer esse alimento com farelo de soja, milho ou outros ingredientes”, afirma o especialista.

Venda de animais pode elevar o prejuízo

Em situações climáticas extremas, a venda de parte do rebanho pode ser considerada pelo produtor como uma forma de reduzir a pressão sobre as pastagens. Entretanto, segundo Barth Neto, essa alternativa precisa ser analisada com cautela.

Em períodos de custos elevados, a saída de animais pode gerar impactos financeiros importantes, principalmente quando há necessidade posterior de recompor o plantel e adquirir terneiros para reposição.

Nesse contexto, a suplementação estratégica pode funcionar como uma ferramenta para preservar o desempenho dos animais e reduzir a necessidade de decisões emergenciais.

Segurança alimentar passa a ser estratégica

Para o diretor técnico do SIA, a discussão sobre intensificação da pecuária precisa incorporar também mecanismos de proteção contra riscos climáticos.

O aumento da produtividade não deve ocorrer de forma isolada. A capacidade de enfrentar períodos de estresse depende de planejamento, acompanhamento das condições meteorológicas, flexibilidade na lotação e disponibilidade de alimentos armazenados.

“Quando falamos em intensificação, também precisamos falar em seguro e segurança. E isso passa, principalmente, por ter reserva de alimentos para enfrentar os momentos de estresse climático”, conclui Barth Neto.

Pecuária mais preparada para o clima

O cenário de maior frequência e intensidade de eventos climáticos reforça a importância de transformar a reserva alimentar em parte permanente do planejamento da propriedade.

Para sistemas pecuários mais intensivos, a combinação entre manejo adequado das pastagens, monitoramento climático, execução rápida das operações e diversificação das fontes de volumoso pode aumentar a capacidade de resposta diante de períodos de seca ou excesso de chuva.

A estratégia também permite reduzir a dependência exclusiva do pasto e dar ao produtor maior margem para tomar decisões sem precisar recorrer imediatamente à venda de animais em momentos de pressão sobre o sistema.

Fonte: Portal do Agronegócio

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