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Bovinos de Corte

Pecuária gaúcha pode elevar faturamento com ganho de peso mais rápido e abate de animais mais pesados

Especialista defende pastagens de qualidade, suplementação estratégica e compra de terneiros mais pesados para reduzir o ciclo produtivo e aumentar a receita por bovino


Publicado em: 04/09/2026 às 10:10hs

Pecuária gaúcha pode elevar faturamento com ganho de peso mais rápido e abate de animais mais pesados

A adoção de estratégias capazes de acelerar o ganho de peso e elevar o peso final dos bovinos pode ampliar o faturamento da pecuária gaúcha. Entre as principais medidas estão o manejo eficiente das pastagens, o uso estratégico de suplementação e a entrada de animais mais pesados nos sistemas de recria e terminação.

A avaliação foi apresentada pelo diretor técnico da SIA Serviço de Inteligência em Agronegócio, Armindo Barth Neto, durante o Painel de Engorda Intensiva do AgroDebates. A programação ocorreu nesta quinta-feira (3), na 49ª Expointer, em Esteio (RS).

O encontro foi promovido pela Federação dos Clubes de Integração e Troca de Experiências (Federacite) e pelo Instituto Desenvolve Pecuária.

Venda de animais leves limita receita dentro da propriedade

Segundo Barth Neto, parte da pecuária do Rio Grande do Sul ainda trabalha com um modelo baseado na venda de bovinos mais leves. Essa estratégia reduz a quantidade de peso produzida dentro da propriedade e pode limitar a receita obtida por animal.

Em outras regiões, especialmente no Paraná e no Centro-Oeste, é mais frequente a utilização de sistemas que conduzem os bovinos a pesos superiores durante a recria e a terminação.

A diferença está entre enviar ao frigorífico um animal com aproximadamente 460 quilos ou prolongar a engorda de forma eficiente até alcançar 520, 530 ou mesmo 600 quilos.

Quanto maior o peso incorporado na fazenda, maior poderá ser o faturamento por cabeça, desde que o custo adicional da alimentação seja inferior à receita gerada pelo ganho de peso.

Pastagens e suplementação aceleram terminação dos bovinos

Para atingir pesos mais elevados em menos tempo, o especialista defende a combinação de uma base forrageira bem manejada com suplementação adequada.

A pastagem fornece a estrutura nutricional do sistema, enquanto a suplementação permite corrigir limitações e aumentar a previsibilidade do desempenho animal. O objetivo é oferecer condições para que os bovinos expressem seu potencial genético e avancem mais rapidamente até o peso de abate.

Nesse modelo, a decisão sobre suplementar deve considerar fatores como custo do insumo, ganho médio diário, preço de venda, conversão alimentar e tempo de permanência do animal na propriedade.

Planejamento deve considerar peso e retorno econômico

A resistência à suplementação, segundo Barth Neto, pode estar relacionada ao modelo de comercialização adotado por parte dos pecuaristas.

Quando o produtor define previamente um peso de saída mais baixo, nem sempre calcula quantos quilos adicionais poderiam ser incorporados ao animal dentro da fazenda ou qual seria o retorno financeiro dessa estratégia.

Por isso, a análise econômica precisa ir além do custo imediato da alimentação. O planejamento deve considerar a receita adicional proporcionada pelo ganho de peso, a redução do ciclo produtivo e a possibilidade de aumentar o giro do sistema.

Terneiro mais pesado pode reduzir ciclo de produção

A busca por maior eficiência começa na compra do terneiro. Embora um animal mais pesado exija investimento inicial superior, ele também pode precisar de menos tempo para chegar ao peso de abate.

“Se eu compro um terneiro um pouco mais pesado, estou comprando tempo”, afirmou Barth Neto durante o painel.

A recomendação é avaliar o custo adicional do animal de entrada em conjunto com sua capacidade de acelerar a terminação, aumentar o peso de saída e ampliar o faturamento da operação.

Peso de entrada influencia desempenho na recria e terminação

Como referência, o especialista citou a preferência observada em outros estados por terneiros entre 210 e 240 quilos. No Rio Grande do Sul, parte dos animais comercializados estaria entre 180 e 190 quilos.

A diferença no peso inicial influencia todo o sistema produtivo. Animais mais leves tendem a permanecer por mais tempo na propriedade até atingir o padrão exigido pelo frigorífico, aumentando a exposição a custos operacionais, sanitários e alimentares.

Já a entrada de terneiros mais pesados pode encurtar o ciclo e melhorar o aproveitamento das estruturas de pastagem, suplementação e mão de obra.

Genética disponível permite avançar na produtividade

Na avaliação do diretor técnico da SIA, a genética disponível no rebanho gaúcho não é o principal obstáculo para elevar o desempenho. O entrave estaria no modelo produtivo, que nem sempre cria condições para aproveitar integralmente esse potencial.

Sem nutrição adequada e planejamento da recria e da terminação, animais geneticamente capazes de apresentar ganhos superiores podem permanecer abaixo do desempenho esperado.

A proposta apresentada no AgroDebates é substituir a lógica de produção de animais “leves e devagar” por um sistema baseado em maior velocidade de ganho e peso final mais elevado.

Estratégia pode beneficiar toda a cadeia da carne bovina

A intensificação do ganho de peso pode gerar resultados para diferentes segmentos da pecuária gaúcha.

O criador pode receber mais por terneiros mais pesados e bem desenvolvidos. O responsável pela recria e terminação pode produzir maior quantidade de quilos em menos tempo. Para a indústria frigorífica, o resultado é o recebimento de bovinos com maior peso de carcaça.

O sucesso da estratégia, entretanto, depende de planejamento técnico e financeiro. A relação entre custo da suplementação, preço do boi, capacidade das pastagens e desempenho dos animais deve ser acompanhada continuamente.

Quando bem dimensionado, o sistema intensivo pode reduzir o ciclo produtivo, aumentar o peso enviado ao abate e transformar produtividade adicional em maior faturamento para a pecuária do Rio Grande do Sul.

Fonte: Portal do Agronegócio

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