Bovinos de Corte

Mercado do boi gordo recua em junho com ajuste da indústria e menor competitividade da carne bovina

Queda nos preços da arroba reflete ajuste de oferta dos frigoríficos, volatilidade ligada à demanda chinesa e pressão do atacado frente às proteínas concorrentes, como a carne de frango.


Publicado em: 03/07/2026 às 17:00hs

Mercado do boi gordo recua em junho com ajuste da indústria e menor competitividade da carne bovina

O mercado físico do boi gordo encerrou junho em forte movimento de correção, com recuo generalizado nos preços pagos pela arroba em diversas praças do país. O cenário foi influenciado pela estratégia da indústria frigorífica, que reduziu a capacidade de abate diante da expectativa de menor demanda externa no curto prazo.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos se anteciparam ao esgotamento parcial da cota de exportação chinesa, principal destino da carne bovina brasileira. Com isso, o setor passou a ajustar suas escalas de abate e até a adotar férias coletivas em algumas unidades.

Frigoríficos ajustam produção e mercado entra em fase de correção

De acordo com Iglesias, o movimento observado no fim de junho reflete uma reorganização da indústria diante de um cenário de demanda externa mais restrita no terceiro trimestre.

“A indústria buscou reduzir a capacidade de abate, adequando a produção de carne bovina a uma realidade em que o principal importador brasileiro se ausentará de maneira parcial e temporária das compras”, avalia o analista.

Ainda segundo o especialista, o encerramento do semestre foi marcado por elevada volatilidade no mercado do boi gordo, com os frigoríficos reagindo de forma intensa a notícias relacionadas à salvaguarda chinesa, o que ampliou a instabilidade nos preços.

Iglesias destaca que o ambiente reforça a necessidade de gestão de risco por parte do pecuarista. “Fica evidente a importância do uso de ferramentas de proteção em bolsa para garantir resultados mais estáveis”, pontua.

Preço da arroba do boi gordo recua nas principais praças

No fechamento de 30 de junho, o mercado físico registrou quedas expressivas em relação ao fim de maio, com destaque para algumas das principais regiões produtoras do país:

  • São Paulo (Capital): R$ 335,00/@, queda de 5,63% ante R$ 355,00
  • Goiás (Goiânia): R$ 320,00/@, recuo de 3,03% ante R$ 330,00
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 315,00/@, baixa de 3,08% ante R$ 325,00
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 320,00/@, queda de 8,57% ante R$ 350,00
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 330,00/@, recuo de 7,04% ante R$ 355,00
  • Rondônia (Vilhena): R$ 320,00/@, baixa de 4,48% ante R$ 335,00

O movimento reforça o cenário de ajuste após um período de maior instabilidade ao longo do primeiro semestre, quando a formação de preços foi fortemente influenciada pelas incertezas em torno da demanda chinesa.

Mercado atacadista também registra queda e perde competitividade

No atacado, o mês de junho também foi marcado por desvalorização dos cortes bovinos, mesmo em um período tradicionalmente associado a maior consumo. A pressão veio principalmente da concorrência com proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango, que segue mais competitiva no varejo.

O quarto do dianteiro encerrou o mês cotado a R$ 21,00/kg, queda de 2,33% em relação aos R$ 21,50/kg registrados no fim de maio.

Já os cortes do traseiro bovino recuaram de forma mais intensa, sendo negociados a R$ 25,50/kg, baixa de 5,56% frente aos R$ 27,00/kg observados no encerramento do mês anterior.

Perspectivas para o mercado do boi gordo

O mercado do boi gordo entra no segundo semestre sob atenção redobrada dos agentes, com a indústria ajustando escalas de abate e o produtor monitorando o ritmo das exportações para a China.

A tendência de curto prazo segue dependente do comportamento da demanda externa, da reposição das escalas frigoríficas e da competitividade das proteínas concorrentes no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

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