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Clima

El Niño aumenta alerta no campo e reforça importância da correção do solo para a próxima safra

Construção de um perfil de solo favorável ao aprofundamento das raízes pode ampliar o acesso das plantas à água e aos nutrientes durante períodos de irregularidade climática


Publicado em: 18/08/2026 às 14:00hs

El Niño aumenta alerta no campo e reforça importância da correção do solo para a próxima safra
Foto: Agronelli Soluções

A atuação do El Niño e a possibilidade de intensificação do fenômeno ao longo do segundo semestre colocam o manejo do solo entre os pontos de atenção para o planejamento da próxima safra. Diante da possibilidade de mudanças no regime de chuvas e temperaturas elevadas em diferentes regiões do Brasil, a construção de um perfil de solo adequado pode ajudar as lavouras a enfrentar períodos de maior instabilidade climática.

As projeções apontam para diferentes cenários regionais, com possibilidade de chuvas acima da média no Sul, volumes abaixo da média em áreas do centro-norte e temperaturas elevadas em grande parte do território nacional.

Como os efeitos do fenômeno variam conforme a região e a cultura, o planejamento precisa considerar as características específicas de cada área. Nesse contexto, o desenvolvimento de raízes em maior profundidade ganha relevância para aumentar a capacidade das plantas de explorar água e nutrientes disponíveis no solo.

Raízes profundas ajudam a enfrentar irregularidade das chuvas

A concentração das raízes nas camadas superficiais pode aumentar a vulnerabilidade das lavouras durante períodos de estiagem ou veranicos. Com menor volume de solo explorado, as plantas ficam mais dependentes da água disponível nas camadas próximas à superfície.

Segundo Maurício Komori, engenheiro agrônomo, especialista em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas e gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado da Agronelli Soluções, o produtor não consegue controlar as condições climáticas, mas pode preparar o ambiente de produção para reduzir os impactos da irregularidade.

“O produtor não consegue controlar o clima, mas pode condicionar o solo para que a planta tenha melhores condições de atravessar períodos de irregularidade. Quando a raiz consegue explorar camadas mais profundas, aumenta o acesso à água e aos nutrientes e diminui a dependência das condições existentes apenas na superfície”, explica.

O aprofundamento do sistema radicular permite que as plantas explorem um volume maior de solo e tenham acesso a recursos que podem permanecer disponíveis mesmo quando a umidade da superfície diminui.

Diagnóstico do solo deve ir além dos primeiros 20 centímetros

Um dos principais pontos de atenção está na avaliação das camadas subsuperficiais. Mesmo áreas que apresentam boas condições na superfície podem esconder limitações em profundidade capazes de restringir o desenvolvimento das raízes.

Entre os possíveis problemas estão baixos teores de cálcio e enxofre, presença de alumínio tóxico e impedimentos físicos que dificultam o crescimento radicular.

Essas restrições podem limitar a absorção de água e nutrientes e aumentar a sensibilidade das plantas ao estresse hídrico.

Por isso, a avaliação da fertilidade e das condições físicas do solo deve considerar diferentes profundidades.

“É possível encontrar um solo com boas condições nos primeiros centímetros, mas com limitações importantes em profundidade. O primeiro passo é identificar onde está o impedimento e entender se ele é químico, físico ou uma combinação dos dois”, destaca Komori.

Gessagem complementa a correção e ajuda na construção do perfil do solo

Entre as estratégias utilizadas para melhorar as condições das camadas mais profundas está a aplicação de gesso agrícola.

O insumo fornece cálcio e enxofre em profundidade e pode contribuir para reduzir os efeitos associados à toxidez do alumínio, favorecendo o ambiente químico das camadas subsuperficiais.

A gessagem, entretanto, não deve ser confundida com a calagem. As duas práticas possuem funções distintas e podem atuar de maneira complementar dentro de um programa de manejo da fertilidade do solo.

“O gesso não substitui a calagem, mas complementa esse manejo. Enquanto o calcário atua principalmente na correção da acidez da camada superficial, a gessagem contribui para a construção do perfil em profundidade. O objetivo é permitir que a raiz explore mais solo e aproveite melhor os recursos disponíveis”, explica o especialista.

Manejo pode ganhar importância durante os veranicos

Os benefícios de um sistema radicular mais profundo podem se tornar mais evidentes em períodos de interrupção temporária das chuvas.

Com raízes capazes de alcançar camadas mais profundas, as plantas podem acessar umidade que não está disponível nas primeiras camadas do solo. Isso pode contribuir para maior estabilidade na absorção de água e nutrientes e favorecer a uniformidade das lavouras.

A estratégia ganha relevância em cenários de irregularidade climática, nos quais a distribuição das chuvas ao longo do ciclo pode ser tão importante quanto o volume total acumulado.

No entanto, a construção de um perfil de solo adequado exige planejamento e não deve ser baseada apenas na expectativa climática.

Gessagem não corrige sozinha problemas de compactação

A identificação do tipo de limitação presente no solo é fundamental para definir a estratégia de manejo.

Quando o problema é de natureza química, práticas como calagem e gessagem podem contribuir para melhorar as condições de desenvolvimento das raízes. Já restrições físicas, como camadas compactadas, exigem medidas específicas de manejo.

O gesso agrícola, portanto, não rompe sozinho uma camada fisicamente compactada.

A recomendação deve considerar análises de solo, características físicas da área, histórico de manejo e necessidades específicas da cultura.

Dose de gesso deve ser definida conforme cada área

Outro ponto destacado pelo especialista é que não existe uma dose universal de gesso agrícola que possa ser aplicada indistintamente em todas as propriedades.

A quantidade e a estratégia de aplicação devem levar em conta fatores como características do solo, profundidade da limitação, cultura implantada e histórico de manejo da área.

“Não existe uma dose única para todas as propriedades. A recomendação depende das características do solo, da profundidade das limitações, da cultura e do histórico da área. O manejo precisa começar pelo diagnóstico e ser realizado antes que os efeitos do clima apareçam na lavoura”, conclui Komori.

Correção do solo entra no planejamento da próxima safra

Em um cenário de maior incerteza climática, preparar o solo antes da implantação da cultura pode ser uma ferramenta importante para reduzir riscos produtivos.

A combinação entre diagnóstico do perfil, correção da acidez, manejo das limitações químicas e físicas e estímulo ao aprofundamento das raízes contribui para aumentar a capacidade de exploração do solo pelas plantas.

Mais do que uma medida pontual para enfrentar o El Niño, o manejo adequado do perfil do solo representa uma estratégia de construção da fertilidade e de maior eficiência no uso da água e dos nutrientes ao longo das safras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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