Boi gordo valoriza mais que o milho e amplia poder de compra do pecuarista em agosto
Relação de troca alcança 5,3 sacas de milho por arroba em São Paulo, segundo melhor resultado dos últimos 13 meses; oferta elevada do cereal pode manter cenário favorável no curto prazo
Publicado em: 18/08/2026 às 12:00hs
O poder de compra do pecuarista diante do milho voltou a avançar na parcial de agosto. A melhora foi impulsionada principalmente pela valorização do boi gordo, que superou a alta registrada pelo cereal e tornou mais favorável a relação de troca utilizada na alimentação dos rebanhos.
Em São Paulo, uma arroba de boi gordo passou a comprar o equivalente a 5,3 sacas de milho de 60 quilos. O resultado representa crescimento de 2,9% em relação à média de julho e corresponde ao segundo melhor patamar observado nos últimos 13 meses.
O índice também permanece acima da média do período analisado, calculada em 4,9 sacas de milho por arroba.
Arroba do boi gordo sobe 3,9% em agosto
Até 12 de agosto, a arroba do boi gordo em São Paulo foi negociada, em média, a R$ 343,93, considerando pagamento a prazo e valores livres de impostos.
A cotação representa valorização de 3,9% diante da média de julho. Na comparação anual, o avanço foi ainda mais expressivo: 13,7% sobre os R$ 302,55 por arroba registrados em agosto de 2025.
O desempenho da arroba superou a variação do milho, proporcionando maior capacidade de compra ao pecuarista, especialmente para a aquisição de insumos destinados à suplementação alimentar e ao confinamento.
Milho registra aumento mais moderado
No mercado paulista, a saca de milho de 60 quilos foi cotada, em média, a R$ 65,48 em Campinas, sem considerar o frete. O valor representa alta de 0,9% em relação a julho.
Ante agosto de 2025, quando a saca era negociada a R$ 63,97, o cereal acumulou valorização de 2,4%.
Como o preço do boi gordo avançou em ritmo superior ao do milho, a relação de troca melhorou tanto na comparação mensal quanto anual.
Há um ano, uma arroba permitia a compra de aproximadamente 4,7 sacas de milho. Na parcial de agosto de 2026, o poder de compra está 11,1% maior.
Produção brasileira de milho chega a 141,7 milhões de toneladas
A ampla disponibilidade do cereal continua sendo um dos principais fatores de influência sobre os preços do milho no mercado doméstico.
Conforme o décimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira das três safras está estimada em 141,7 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao registrado na temporada anterior.
A colheita da primeira safra está praticamente encerrada. Até 7 de agosto, os trabalhos haviam alcançado 99,9% da área cultivada nos nove principais estados produtores, responsáveis por 92% do plantio nacional.
Na segunda safra, 78,2% da área já havia sido colhida nos nove estados que concentram 91% do cultivo. Apesar do avanço, o ritmo permanece abaixo dos 83,7% observados no mesmo período do ano passado e da média de 81,4% registrada nos últimos cinco anos.
Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta boi gordo
No mercado pecuário, a disponibilidade de animais terminados e a demanda dos frigoríficos seguem relativamente equilibradas. As indústrias mantêm compras direcionadas principalmente ao preenchimento das escalas de abate, sem pressão significativa sobre as cotações.
Esse equilíbrio no mercado do boi gordo, combinado à oferta volumosa de milho, tende a preservar uma relação de troca favorável ao pecuarista no curto prazo.
O cenário beneficia especialmente os sistemas de produção mais dependentes de suplementação, semi-confinamento e confinamento, nos quais o milho representa uma parcela relevante dos custos com alimentação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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