Café mantém preços firmes, mas mercado físico deve ter poucos negócios nesta terça-feira
Leve alta do arábica na Bolsa de Nova York e dólar próximo da estabilidade limitam novos estímulos; exportações brasileiras crescem 48,5% em agosto
Publicado em: 18/08/2026 às 11:50hs
O mercado físico brasileiro de café deve registrar negociações pontuais nesta terça-feira (18). A leve valorização dos contratos futuros do arábica na Bolsa de Nova York e a estabilidade do dólar diante do real oferecem sustentação às cotações, mas ainda não criam estímulos suficientes para ampliar significativamente a liquidez.
Nesse cenário, produtores tendem a avaliar as ofertas com cautela e comercializar apenas volumes necessários para atender compromissos financeiros ou liberar espaço nos armazéns. A postura mais seletiva ocorre após a valorização registrada na segunda-feira (17), quando os ganhos do arábica em Nova York e do robusta em Londres favoreceram os preços nas principais regiões produtoras do Brasil.
Preços do café avançam nas principais praças brasileiras
O mercado físico encerrou a sessão anterior com preços mais altos e maior movimentação. Apesar da redução dos ganhos nas bolsas internacionais ao longo do pregão, compradores e vendedores fecharam um volume considerado satisfatório de negócios.
No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, da safra nova e com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.850 e R$ 1.855 por saca de 60 quilos. Na sessão anterior, as referências estavam entre R$ 1.830 e R$ 1.835.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, também da safra nova e com 15% de catação, alcançou valores entre R$ 1.860 e R$ 1.865 por saca, ante a faixa de R$ 1.840 a R$ 1.845 observada anteriormente.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica rio tipo 7, da safra 2026 e com 20% de catação, foi cotado entre R$ 1.370 e R$ 1.375 por saca. No levantamento anterior, os preços variavam de R$ 1.360 a R$ 1.365.
Conilon também registra valorização no Espírito Santo
O mercado de café conilon acompanhou o movimento positivo. Em Vitória, no Espírito Santo, o conilon tipo 7 da safra 2026 foi negociado entre R$ 1.060 e R$ 1.065 por saca, acima dos R$ 1.040 a R$ 1.045 registrados anteriormente.
Para o conilon tipo 7/8, as referências subiram de R$ 1.030 a R$ 1.035 para uma faixa entre R$ 1.050 e R$ 1.055 por saca.
A valorização nas praças de arábica e conilon reforça a resistência dos produtores em aceitar ofertas abaixo das referências atuais, especialmente em um ambiente de volatilidade nos mercados internacionais.
Exportações brasileiras de café crescem 48,5% em agosto
As exportações brasileiras de café em grão apresentam forte crescimento em agosto de 2026. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), considerando os dez primeiros dias úteis do mês, mostram embarques de 1.683.702 sacas de 60 quilos.
A média diária chegou a 168.370 sacas, volume 48,5% superior ao registrado em agosto de 2025. A receita acumulada atingiu US$ 513,224 milhões, equivalente a uma média de US$ 51,322 milhões por dia.
Na comparação anual, a receita média diária aumentou 22%. O crescimento foi inferior ao avanço do volume porque o preço médio de exportação recuou 17,8%, para US$ 304,82 por saca.
Os números indicam aceleração dos embarques brasileiros, mas também revelam uma redução na remuneração média do produto exportado. O desempenho do câmbio e das bolsas internacionais será determinante para a evolução das receitas ao longo da segunda metade do mês.
Café arábica opera em leve alta na Bolsa de Nova York
Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato de café arábica para dezembro de 2026 avançava 0,07%, cotado a 318,15 centavos de dólar por libra-peso.
Na segunda-feira, o vencimento setembro de 2026 encerrou a sessão a 345,10 centavos de dólar por libra-peso, com valorização de 7 centavos, equivalente a uma alta de 2,1%.
Embora o mercado internacional permaneça em território positivo, a valorização moderada desta terça-feira reduz a possibilidade de movimentos mais intensos nos preços internos. O comportamento dos futuros ao longo do pregão poderá definir se compradores brasileiros elevarão suas ofertas.
Dólar estável limita impacto sobre as cotações internas
No mercado cambial, o dólar comercial registrava leve alta de 0,06%, negociado a R$ 5,2027. O Dollar Index, que mede o desempenho da moeda norte-americana diante de uma cesta de divisas, subia 0,01%, aos 99,639 pontos.
A proximidade da estabilidade reduz a influência do câmbio sobre os preços do café no Brasil. Para os exportadores, uma valorização mais consistente do dólar poderia ampliar a competitividade das ofertas e favorecer o pagamento de preços superiores aos produtores.
Bolsas globais operam sem direção única e petróleo avança
O ambiente financeiro internacional também apresenta sinais mistos. Na Ásia, os principais índices encerraram a sessão sem tendência uniforme. O mercado acionário da China avançou 0,19%, enquanto o Japão registrou queda expressiva de 2,54%.
Na Europa, Paris recuava 0,48% e Frankfurt perdia 0,42%. Londres seguia em direção oposta, com leve valorização de 0,09%.
No mercado de energia, o petróleo operava em alta. O contrato do WTI para setembro, negociado em Nova York, avançava 0,97%, para US$ 85,32 por barril.
Com poucos estímulos vindos do câmbio e avanço limitado do café em Nova York, o mercado físico brasileiro deve manter preços firmes, mas com liquidez reduzida. A tendência é de negociações seletivas, condicionadas às necessidades imediatas dos produtores e à disposição dos compradores em melhorar as ofertas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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