Agrovale investe R$ 54 milhões para modernizar irrigação e geração de energia no semiárido
Recursos do Fundo Clima do BNDES vão financiar irrigação por gotejamento em 490 hectares de cana-de-açúcar e modernização da geração térmica a biomassa em usina de Juazeiro (BA).
Publicado em: 18/08/2026 às 12:30hs
Agrovale amplia eficiência hídrica e energética com apoio do BNDES
A Agrovale, usina de açúcar, etanol e bioeletricidade instalada em Juazeiro, na Bahia, vai investir R$ 53,99 milhões na modernização de sistemas de irrigação e geração de energia. Os recursos foram aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Programa Fundo Clima.
As duas operações foram estruturadas pelo Bradesco, agente financeiro credenciado do BNDES, com participação da Gerência Nordeste do banco.
O investimento faz parte da estratégia da Agrovale para elevar a eficiência operacional, reduzir o consumo de recursos naturais e ampliar o aproveitamento de fontes renováveis de energia no semiárido brasileiro.
R$ 39,27 milhões serão destinados à irrigação por gotejamento
A maior parcela dos recursos, de R$ 39,27 milhões, será utilizada para substituir o sistema de irrigação por gravidade pelo modelo localizado por gotejamento em aproximadamente 490 hectares cultivados com cana-de-açúcar.
A mudança permitirá maior controle sobre a aplicação da água e deve aumentar a uniformidade da irrigação. O sistema também favorece maior precisão na fertirrigação, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos insumos e dos recursos hídricos.
Em uma região marcada pela necessidade de gestão eficiente da água, a modernização da irrigação representa uma frente estratégica para a continuidade da produção agrícola.
Investimento de R$ 14,72 milhões moderniza geração de energia
A segunda operação, no valor de R$ 14,72 milhões, será destinada à modernização do sistema de geração térmica a biomassa da unidade industrial.
O projeto prevê a atualização tecnológica da caldeira e dos sistemas de combustão, automação, instrumentação e controle. Também estão previstas melhorias no monitoramento, isolamento térmico e em equipamentos associados ao processo de geração térmica.
A modernização busca aumentar a eficiência energética da indústria, reduzir perdas operacionais e ampliar o aproveitamento do bagaço da cana-de-açúcar como fonte renovável de energia.
Biomassa ganha importância na estratégia energética
O aproveitamento do bagaço de cana como biomassa permite integrar a produção agrícola e industrial dentro de uma estratégia de maior eficiência energética.
Com a atualização dos equipamentos e sistemas de controle, a Agrovale pretende melhorar o desempenho da geração térmica e utilizar de forma mais eficiente um subproduto gerado no próprio processo produtivo.
A iniciativa também reforça a participação de fontes renováveis na matriz energética da usina.
Agrovale aposta em sustentabilidade no semiárido
Com mais de 50 anos de atuação no Vale do São Francisco, a Agrovale mantém aproximadamente 3 mil empregos diretos e possui participação relevante na economia regional.
A empresa vem direcionando investimentos para tecnologias voltadas à eficiência no uso da água, energia e demais recursos naturais. A modernização da irrigação e o aproveitamento energético da biomassa estão entre as iniciativas associadas à estratégia de sustentabilidade da companhia.
Para Juliana Alves, superintendente administrativa financeira da Agrovale, os investimentos fazem parte de uma estratégia de longo prazo para modernizar a operação e aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais.
Segundo a executiva, produzir no semiárido exige tecnologias capazes de melhorar continuamente a gestão da água e da energia, e o financiamento do Fundo Clima contribui para viabilizar essa transformação.
BNDES destaca adaptação às mudanças climáticas
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o impacto dos projetos na eficiência hídrica e energética de uma atividade econômica importante para o semiárido.
Na avaliação do banco, os investimentos em irrigação e biomassa contribuem para a adaptação às mudanças climáticas, além de estimular tecnologias de menor impacto ambiental e aumentar a eficiência produtiva.
O Fundo Clima é utilizado para apoiar projetos relacionados à redução de emissões, adaptação climática e transição para modelos produtivos mais sustentáveis.
Investimento representa avanço tecnológico para a usina
O superintendente geral da Agrovale, Paulo Ricardo G. Junior, considera o financiamento um marco para a evolução tecnológica e operacional da unidade.
A combinação entre a modernização da irrigação e a atualização do sistema de geração de energia deverá ampliar a eficiência no uso da água e da biomassa, incorporando novas tecnologias aos processos produtivos.
Para a companhia, o projeto fortalece a estratégia de produzir açúcar, etanol e bioenergia com maior eficiência, sustentabilidade e competitividade.
Irrigação e energia concentram nova fase de modernização
O investimento de R$ 53,99 milhões do Fundo Clima do BNDES reúne duas áreas consideradas estratégicas para a produção sucroenergética no semiárido: o uso racional da água e a eficiência energética.
Ao substituir a irrigação por gravidade pelo gotejamento e modernizar a geração térmica a biomassa, a Agrovale busca reduzir perdas, melhorar o desempenho operacional e aumentar o aproveitamento de recursos renováveis.
A iniciativa reforça a tendência de modernização tecnológica do setor sucroenergético e mostra como investimentos em eficiência hídrica e energética podem ganhar relevância em regiões sujeitas a maior pressão sobre os recursos naturais.
Principais números do investimento
- R$ 53,99 milhões: total dos financiamentos aprovados pelo BNDES.
- R$ 39,27 milhões: modernização da irrigação.
- R$ 14,72 milhões: modernização da geração térmica a biomassa.
- 490 hectares: área de cana que terá irrigação por gotejamento.
- Cerca de 3 mil: empregos diretos mantidos pela Agrovale.
- Mais de 50 anos: atuação da empresa no Vale do São Francisco.
Fonte: Portal do Agronegócio
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